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Pernambuco, 26 de maio de 2020

Educação

Crise na educação? Especialistas apontam problemas na EAD

Falta de fiscalização do MEC e pouco investimento trazem ao mercado instituições de baixa qualidade.

Postado em 04/09/2019 2019 23:15 , Educação. Atualizado em 04/09/2019 23:15

 

 

 Morar longe de uma faculdade ou não ter disponibilidade de horário para ir todos os dias às aulas, deu à Educação   a Distância (EAD) uma nova oportunidade de crescimento.

 

Não é à toa que essa modalidade de ensino tem conquistado tanto espaço no mercado. De acordo com o censo EAD.BR, feito pela Associação Brasileira de Ensino a Distância (Abed), 2017 registrou um número recorde de matriculados: 7.773.828. E, segundo o relatório, os cursos que têm ampliado seu número de alunos são os de nível superior e de pós-graduação lato sensu.

Os alunos dessa modalidade são quase 1,8 milhão, ou 21,2% do total de matriculados em todo o Ensino Superior. Em 2017, ainda com Mendonça Filho no comando do Ministério da Educação (MEC), foi publicado um decreto que flexibilizou a criação de cursos de graduação a distância, o que explica uma parte de todo esse movimento.

 Esse tipo de ensino tem por objetivo democratizar o ensino superior, onde, através das novas tecnologias, é possível alcançar mais pessoas que buscam uma qualificação, sem precisar sair de casa, visto que o Brasil com sua dimensão passa a ser um país difícil de atender a todos com o ensino superior regular. Custo alto e baixo investimento público em educação faz com que a EAD facilite para que mais alunos tenham acesso à educação. “Dados comprovam que, nos próximos cinco anos, mais de 50% das matrículas de nível superior serão para o ensino à distância. Isso se deve à falta de tempo, distância para deslocamento, mas, principalmente, por questões financeiras. Com o fim de alguns financiamentos estudantis, a procura por mensalidades mais acessíveis aumenta”, afirma o professor Inácio Feitosa.

Porém, ainda segundo Feitosa, apesar do crescimento do número de matrículas, ainda é grande a evasão de alunos nessa modalidade de ensino. “Acontece que os alunos buscam por mensalidades menores, mas na prática encontram modelos sem qualidade, sem interação e sem networking”, completa. Outro problema para essa modalidade é o fato de a internet não chegar a todos os brasileiros, principalmente para os que moram em regiões mais afastadas, que deveriam ser os principais usuários do ensino à distância.

A qualidade do serviço oferecido por algumas instituições tem colocado em “xeque” a metodologia da EAD. O crescimento acelerado e a falta de meios mais eficazes de fiscalização por parte do MEC faz com que o mercado encontre cada vez mais instituições sem a qualidade necessária para a realização de uma graduação.

Hoje, ao se pensar em EAD o que muitas pessoas acreditam é se tratar de facilidade nos estudas e uma conclusão mais rápida. Para atrair mais clientes, algumas instituições utilizam a afirmativa “estude quando quiser”, desqualificando bons programas à distância, que prezam por rotinas diárias de estudo, leituras obrigatórias e atividades complementares. “Não há compromisso com o aprendizado.

Claro que temos instituições privadas sérias, mas não são a maioria. Além disso, fazer EAD não é simples. É necessário um acompanhamento, supervisão. Algumas instituições apenas se limitam a entregar o material e fazer uma avaliação, sem acompanhar o crescimento do estudante, ou mesmo auxiliar nas suas dificuldades”, aponta a diretora geral da EAD do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), Fabíola Paes.

Graças à falta de compromisso de algumas instituições, o que acarreta no desinteresse de muitos alunos, a EAD, mesmo com todo o seu crescimento nos últimos anos, ainda sofre com o preconceito de algumas pessoas, inclusive no mercado de trabalho. “O que se vende hoje, em sua maioria, são ‘lixo acadêmico’. São aulas repetidas em DVD, sem qualidade e se nenhuma fiscalização do Ministério da Educação, ou até cursos só com material em PDF. Tem que ter interação, intermediação do professor, tutor, construção do conhecimento, aulas práticas e estágio. Essa é uma jogada de um segmento da educação superior, que na realidade só quer ganhar dinheiro sem se preocupar com a qualidade”, completa Inácio Feitosa.

Para o professor, a melhor alternativa para melhorar a qualidade da EAD e reduzir o número de evasão de alunos, seria o investimento em educação híbrida, com dias presenciais e dias com o uso das mais diversas ferramentas digitais, mas, segundo ele, o que se encontra hoje são polos precários, que não contam com uma estrutura mínima para que se seja reconhecida coma uma instituição de qualidade. “Muitas não oferecem nem sala de aula”, finaliza.