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Pernambuco, 29 de setembro de 2020

Política

Setembro Amarelo: Vamos falar de suicídio?

O mês de setembro é dedicado à prevenção de suicídio. Dados apontam que, por ano, mais de 11 mil pessoas atentam contra a própria vida no Brasil.

Postado em 04/09/2019 2019 22:44 , Política. Atualizado em 04/09/2019 22:44

Por que cada vez mais pessoas que estão começando a vida querem acabar com ela?

Essa pergunta tem sido tema nas conversas de muitos especialistas em saúde mental. Apesar dos dados alarmantes, o assunto ainda é visto como tabu e a discussão nas famílias, escolas, ou até mesmo nas rodas de conversas mais informais ainda não dão atenção suficiente ao tema. E, para agravar ainda mais a situação, o Brasil está indo na contramão dos índices mundiais. Enquanto os dados de suicídio caem em todo mundo, uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) aponta que a taxa entre adolescentes que vivem nas grandes cidades brasileiras aumentou 24% entre 2006 e 2015. A pesquisa foi realizada a partir de dados do Sistema Único de Saúde (SUS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Coeficiente Gini (que mede a desigualdade).

Psicóloga alerta uso de tecnologias

A psicóloga clínica, Alessandra Alencar, alerta que o excesso da tecnologia pode ser a resposta para tantas mortes. “Os jovens estão cada vez mais conectados virtualmente e isto vem desde a infância. Podemos falar principalmente nas três últimas gerações. Está faltando aos jovens viverem o lado real, olho a olho, corpo a corpo, toque, que pode oferecer recursos para ampliar seu repertório criativo e vital, além de lidar com as dores, frustrações e simbolizá-las, tanto quanto vivem no mundo virtual. Este último pode potencializar níveis de ansiedade e comparações”, afirma.
Desafios ao estilo da “Baleia Azul” e séries como “13 Reasons Why”, ajudaram a trazer à tona o tema suicídio na esfera adolescente. Nos Estados Unidos, um levantamento apontou que o número de suicídios entre jovens aumentou consideravelmente após a estreia da série, que mostra a história de uma adolescente que se matou e deixou 13 gravações com os motivos do seu ato. Identificar um possível suicida requer atenção. É necessário estar mais próximo a ele. “Os sinais podem ser diversos e semelhantes aos casos de depressão. A pessoa pode apresentar isolamento social, introspecção, percepção de ser compreendido e aceito, perda de prazer nas atividades do dia a dia, falta de motivação para seguir rituais de estudo e/ou trabalho. Entre outros. É necessário buscar ajuda profissional já nos primeiros sinais. A prevenção é a mlhor maneira de acolher a pessoa e, juntos, reeducar o olhar para a potência da vida”, completa a psicóloga.

A busca pelos “likes”

Com a popularização das redes sociais, a busca pela “vida perfeita” tem adoecido muitas pessoas. Seja por querer mostrar uma realidade que não é a sua, ou por se sentir inferior por não ter uma “vida dos sonhos” como as que avista em suas timelines. Junto a esse cenário, famílias afastadas e relacionamentos rasos transformam a situação em algo ainda mais grave. Esse afastamento humano tem como principal causa o uso incorreto das novas tecnologias, que são responsáveis por influenciar a maneira como nos relacionamos. “A vida virtual carece de estímulos que façam a pessoa crescer emocionalmente. Ela fica na zona de conforto e, dificilmente, criará recursos internos para lidar com as imperfeições do mundo real”, explica Alessandra.

Outro grande vilão que cresce na mesma medida que a tecnologia é o “cyberbullying”, mais um tipo de violência que é praticada contra alguém através da internet. São ataque covardes que intimidam e hostilizam pessoas, geralmente mais jovens. Um exemplo recente desse tipo de violência aconteceu no Rio de Janeiro. A blogueira Alinne Araujo, de 24 anos, cometeu suicídio após receber diversas críticas em seu Instagram. A jovem teve o seu relacionamento rompido pelo noivo na véspera do seu casamento e, após um longo desabafo, resolveu curtir a festa que já estava preparada ao lado de familiares e amigos. A repercussão da história gerou uma onda de comentários negativos. Antes de cometer suicídio, a jovem gravou um stories criticando os seguidores que falaram que ela queria se promover com a situação. “Essa é a última vez que eu me pronuncio aqui sobre essa palhaçada de eu estar querendo me promover.

Foi um dos piores momentos da minha vida. É legal fazer marketing por ter sido abandonada “, disse. Pouco depois, a blogueira pulou do nono andar de um prédio e morreu.
Para que se chegue a esse extremo, as pessoas geralmente apresentam um quadro depressivo, de moderado a grave, além de um quadro de bipolaridade no mesmo período. “As principais causas são a desesperança em você mesmo e na vida como um todo. A pessoa se sente em um poço sem fundo. Solidão e falta de pertencimento em um grupo familiar ou de amigos”, finaliza a psicóloga.