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Pernambuco, 21 de maio de 2024

Saúde

Má alimentação e questões culturais influenciam no aumento do Câncer de Próstata

Especialista tira dúvidas sobre o Câncer de Próstata

Postado em 06/11/2020 2020 11:17 , Saúde, Últimas Notícias. Atualizado em 12/11/2020 16:18

Foto: Divulgação

Esse mês, vivenciamos a Campanha Novembro Azul, voltada à conscientização do homem em relação aos cuidados com a saúde, adotando, especialmente práticas preventivas contra o câncer de próstata.

Dr. Breno Ferraz – Urologista e Professor da Upe em Serra Talhada

O médico Urologista e especialista em cirurgia minimamente invasiva Dr. Breno Ferraz, alerta para a importância de você, sertanejo, se informar e se prevenir, colocando a sua saúde em primeiro lugar!

O que é o câncer de próstata? O Câncer de Próstata é uma doença ruim, uma neoplasia maligna. Consiste em células que saem do seu controle, não morrem e formam clones de outras células doentes, que podem se espalhar pelo corpo.

O que é a próstata?

Órgão importante para a reprodução humana, pois tem a função de transformar o esperma em líquido e fazê-lo se movimentar e realizar a fecundação. O órgão tem o tamanho de uma castanha e pesa cerca de 20gr. Com o envelhecimento do órgão, as células envelhecem, fazendo surgir o câncer.

Quais os sintomas mais comuns?

O Câncer de próstata não tem sintomas. Isso ocorre por que ele se desenvolve na parte externa, ou seja, na casca do órgão, que fica próxima ao reto, por isso o toque retal torna possível perceber a presença de nódulos. Sintomas como incontinência urinária, crescimento da próstata com a idade, ardor ao urinar indicam doenças benignas da próstata que acontecem no miolo, ou seja, na parte interna do órgão. Esses sintomas podem surgir em estágios bem avançados da doença, o que deve ser evitado com a realização frequente do exame preventivo, independente de apresentar algum sintoma.

Quais os tipos de tratamento?

Considerando o estágio da doença, o tratamento pode incluir desde a radioterapia até a remoção da glândula prostática.

Fatores de risco e culturais?

Há pesquisas que apontam  que a vitamina D pode reduzir riscos a doença. Portanto, tomar sol regularmente pode mi- nimizar o risco de desenvolver este tipo de câncer. A alimentação do homem sertanejo mudou bastante, deixou de ser natural e tornou -se mais industrializada, ultraprocessada, isso impacta na sua qualidade de vida. Fatores como a perda hormonal, o que vem ocorrendo normalmente a partir dos 22 anos e o crescimento da barriga proveniente da má alimentação e do sedentarismo, potencializam o surgimento do câncer de próstata.

Até hoje, não foram registrados relatos de prevenção primária, ou seja, aquele tipo de prevenção que evita o surgimento da doença. O Câncer de Próstata só conta com dois tipos de prevenção: secundária, quando se quer descobrir a doença precocemente e a terciária, que tem por objetivo minimizar os efeitos mais nocivos da doença. Nossa prioridade é garantir a realização dos exames de rotina para tratar a doença a tempo de obter bons resultados. Com isso, a cada quatro diagnósticos deste tipo de câncer, três conseguem êxito no tratamento. Por isso é importante realizar o exame de toque retal e a coleta de sangue no método PSA. Este último permite analisar o sangue do paciente. Cerca de 25% dos pacientes identificados com câncer de próstata apresentam níveis normais de PSA, por essa razão, é fundamental realizar o toque retal para obter um resultado seguro.

De acordo com estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca), este ano, devem ocorrer no Brasil 65.840 novos casos de Câncer de Próstata. Por ano, cerca de 16 mil homens morrem no país por causa da doença. Na região Nordeste, por exemplo, o risco de ocorrência deste tipo de câncer é de 72,35 para cada 100 mil habitantes. No caso dos homens sertanejos, fatores culturais dificultam a realização de exames de rotina. O homem sertanejo acredita que tem saúde de ferro, que dificilmente irá adoecer e por isso, não tem a prática de ir ao médico. Além disso, a necessidade de afirmação da virilidade impõe constrangimento aos homens na hora de realizar o exame de toque retal.