
O Desafio de conviver com o Lúpus
Niwdeleide Costa Lima Rocha é professora readaptada de Petrolina e portadora de Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES). Aos 49 anos, ela convive com o Lúpus desde 2004 e em julho deste ano completa oito anos de transplante renal.
Nilde, como é conhecida, relatou ao Jornal do Sertão a descoberta do Lúpus Eritematoso Sistêmico. “Comecei a sentir os sintomas (dores e inchaço nas articulações e no rosto). E fui medicada para tratar um reumatismo. E as dores foram surgindo e nada de um diagnóstico concreto. Casei e engravidei e começou a surgir complicações como ameaças de abortos constantes. Após o nascimento do meu filho sofri uma crise na qual não conseguia mover nenhuma articulação, fiquei cheia de manchas púrpuras em todo o corpo e foi quando tive o diagnóstico do Lúpus. Fiquei sem chão e aí comecei a buscar informações de causas, tratamento e cura, descobri que era uma doença autoimune, sem cura, ainda, onde eu teria que conviver com ela e suas reações”.

Agora mais o desafio da hemodiálise
Anos depois, ela passou a enfrentar mais um problema, dessa vez em um dos rins. “Em 2011 meu rim diminuiu a sua capacidade de filtragem e fui submetida a sessões de hemodiálise. Em 2013 apareceu um rim para mim. Foi uma bênção de Deus. Foram muitas superações e graças alcançadas”, contou a professora.
Pertinho do meio século de vida, Nilde hoje segue os dias ansiosa pela imunização contra Covid-19. “Hoje estou aqui procurando me defender de um vírus invisível que vem dilacerando o mundo. E minha maior angústia é esta, dependendo de uma vacina que não chega para nos dar um minuto de paz e de esperança na superação desse vírus.
Vivemos em uma angústia e agradecendo a Deus por cada dia vencido. Essa lentidão da vacina me deixa angustiada e nervosa, fazendo com que o Lúpus entre em atividade e nos deixe a mercê desse vírus onde as pessoas não acreditam”, lamentou Nilde.
Convivendo com a Diabetes e à espera da vacina

A professora aposentada do IF SERTÃO PE, Antonise Coelho de Aquino, tem 52 anos e há 26 convive com a diabetes mellitus. Ela preside a Associação dos Diabéticos do São Francisco (ADISF).
Antonise escolheu lutar por melhorias para as pessoas que enfrentam a mesma doença que ela e moram na região do Vale do São Francisco. Hoje, a presidente da entidade resumiu o sentimento de quem tem comorbidades e segue na lista de espera sem saber quando receberá sequer a primeira dose da vacina.

“Vivemos um momento grave desta pandemia do Covid-19 e acreditamos que somente com as vacinas poderemos ter uma vida mais normal e tranquila. Evitaremos tantas mortes e desespero das famílias. Por isto, nosso apelo àquelas pessoas que não acreditam nos efeitos positivos da vacina, que mudem de posicionamento. Aproveitem a oportunidade de tomarmos uma vacina que nos impede de ter a doença em estágio mais crítico. Nós, que somos pessoas com diabetes mellitus, estamos na torcida para que a vacina chegue ao grupo de pessoas com comorbidades e possamos assim, não sofrer mais. Já perdemos familiares e amigos e agora, não queremos ter as nossas vidas encerradas, com tantos projetos de vida a serem desenvolvidos”, afirmou Antonise.
Afinal, o que são comorbidades?
Vale explicar melhor o que são comorbidades, palavra que ficou tão evidenciada no curso da pandemia de Covid-19. A comorbidade é a junção de duas ou mais doenças em um mesmo indivíduo. Por exemplo, uma pessoa com hipertensão,diabetes, tem patologias associadas.
O Ministério da Saúde divulgou uma versão do Plano Nacional de Imunizações (PNI) e quatro informes técnicos que apresentam diretrizes para a vacinação ou detalhamentos. O mais recente deles cita a ordem para vacinação. Nele, as pessoas com comorbidades ocupam a 14 posição atrás dos idosos institucionalizados, idosos acima de 60 anos, pessoas com deficiência institucionalizadas, povos indígenas e trabalhadores da saúde.

Ansiedade pela vacinação
De acordo com a Secretaria de Saúde de Petrolina, a imunização dos comórbidos está prevista para iniciar após os idosos. “Entendemos que as pessoas com comorbidades estão bastante ansiosas, mas, de acordo com o plano Municipal, subsidiado pelos planos Federal e Estadual, este público está previsto para ser vacinado na terceira fase, ou seja, após idosos e trabalhadores de saúde, mas não podemos precisar um prazo, pois dependemos da distribuição de novas doses”, finalizou a secretária executiva de Vigilância em Saúde, Marlene Leandro.
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