Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 25 de julho de 2021

Economia

Empobrecimento das Famílias e o Aumento da Violência por João Ricardo Lima

No Sertão cresce o número de famílias em estágio de vulnerabilidade com aumento nos índices de violência na região, fruto da estagnação econômica que o país vem passando há vários anos e que tem se agravado com a paralização das atividades econômicas durante a pandemia.

Postado em 06/04/2021 2021 15:23 , Economia. Atualizado em 06/04/2021 16:28

Economista João Ricardo de Lima Prof. da Facape de Petrolina, escreve quinzenalmente sobre Economia & Negócios para o JS.

Em um período mais recente é possível perceber um aumento na circulação de notícias sobre casos de violência nas cidades sertanejas. Além disso, está se tornando mais claro que tem aumentado a quantidade de famílias em vulnerabilidade, pedindo nos semáforos, nas praças das cidades. Estas cenas não eram comuns ou existiam em uma proporção muito menor do que se encontrava nas capitais e grandes cidades de outras regiões. O que ocorreu para estarmos vivenciando esta realidade? 

Em primeiro lugar, o Brasil como um todo tem passado por um processo duro de estagnação econômica há vários anos. Sem crescimento econômico não se tem geração de empregos. A quantidade de pessoas desempregadas é muito alta e cresce a cada trimestre. Felizmente o sertão ainda tem a agricultura irrigada que gera muitos empregos, mas não tem como empregar toda a população economicamente ativa. 



A situação que já era difícil piorou muito devido a pandemia do novo coronavírus. O ano de 2020 apresentou recessão, com queda do PIB (Produto Interno Bruto). No sertão, foram vários meses com o comércio fechado, funcionando parcialmente através de delivery quem tinha condição. Em alguns setores como o de entretenimento, mesmo com a flexibilização do isolamento, não puderam voltar a trabalhar. O Governo Federal abriu linhas de crédito para as empresas e auxílio emergencial para as famílias. Houve uma amenização do problema, mas com data para término já determinada pois não se tinha recursos para manter o auxílio por mais tempo. 

O ano de 2021 começou sem o auxílio emergencial, sem linhas novas de crédito e com empresas endividadas. Além disso, infelizmente, iniciou com o agravamento da pandemia e novo fechamento das atividades comerciais não essenciais. 

Finalmente, se tem um aumento do custo de vida, como mostrado pela pesquisa da FACAPE (Faculdade de Petrolina) sobre o aumento dos preços dos alimentos da cesta básica. O achatamento da renda total das famílias de um lado somado com a queda do poder aquisitivo devido a inflação de outro lado leva a um empobrecimento muito rápido das famílias. É muito preocupante este processo e o aumento da pobreza, da quantidade de famílias passando fome leva a um crescimento de casos de violência. A tendência, inclusive, é de aumentar até que se consiga reverter este processo e se ter melhores expectativas para o futuro.

Quem é João Ricardo Lima: Doutor em Economia Aplicada. Coordenador da Pesquisa sobre a evolução da Pandemia no Vale do São Francisco realizada pelo Colegiado de Economia da Faculdade de Petrolina (FACAPE).