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Pernambuco, 25 de outubro de 2021

Agronegócios

O leite e o queijo de coalho, moedas fortes dos Sertões por Geraldo Eugênio

No caso da pecuária de leite, os dois principais produtos são o leite e o queijo de coalho. No caso do leite há duas destinações principais: as empresas beneficiadoras de leite e os laticínios que fabricam queijo. Sejam pequenos, conhecidos como fabriquetas, ou  médios e grandes, distribuídos, particularmente no Agreste Meridional, em uma linha imaginária de Sanharó a Bom Conselho e no Sertão do Araripe, ao redor de Bodocó.

Postado em 08/04/2021 2021 11:56 , Agronegócios. Atualizado em 08/04/2021 11:56

Colunista

Geraldo Eugênio Eng. Agrônomo e pesquisador do IPA

Porque a pecuária é importante para Pernambuco

A conquista do Sertão de seu pela pecuária. Foram os vaqueiros da Casa da Torre que se adentraram pelo interior do Nordeste construindo uma sociedade com suas características tão peculiares, em especial no grande Sertão da Bahia e Pernambuco.  Até hoje a pecuária é a atividade que faz brilhar os olhos do sertanejo da caatinga. O som do chocalho é sua música e o aboio o seu canto. Do ponto de vista econômico a pecuária é a principal atividade do Sertão dependente de chuvas. Lembrando. Em Pernambuco, os Sertões começam, em Gravatá. Vai ano e entra ano, secas após secas, mas o leite, os queijos, a manteiga, a carne e o couro continuam sendo produtos de elevada demanda.

O queijo e os lácteos

No caso da pecuária de leite, os dois principais produtos são o leite e o queijo de coalho. No caso do leite há duas destinações principais: as empresas beneficiadoras de leite e os laticínios que fabricam queijo. Sejam pequenos, conhecidos como fabriquetas, ou  médios e grandes, distribuídos, particularmente no Agreste Meridional, em uma linha imaginária de Sanharó a Bom Conselho e no Sertão do Araripe, ao redor de Bodocó. Outros produtos não menos nobres mas de menor expressão são o queijo de manteiga, a manteiga e os queijos mussarela e provolone e o doce de leite. O queijo de coalho, contudo, é a expressão maior das bacias leiteiras contíguas de Pernambuco e Alagoas, na região ao redor de Batalha, Jacaré dos Homens e Jaramataia. 

Uma equação que não fecha

A maior limitação, contudo são os preços do leite e do queijo. Durante a semana que passou, um quilo de queijo de coalho foi comercializado no atacado, na “Bolsa de Valores do Queijo de Coalho”, o município de Cachoeirinha, bem como em Venturosa e Capoeiras, a um preço variando entre 12,00 e 15,00 reais e cotado em Recife, entre 15,00 e 19,00 reais. Um preço muito aquém  do que se  pode esperar de um alimento tão nobre. Com o preço do leite, variando entre 1,50 e 1,90 reais, segundo o importante serviço exercido pelo Blog Pingos de Leite, considerando que se utiliza de 10 quilos de leite para se produzir um quilo de queijo de coalho de qualidade, o produtor de queijo não está sendo devidamente remunerado, levando-os a uma situação de perda de capital semana a semana. O que não é justo

Um produto que merece ser devidamente valorizado

Não há varinha mágica, mas sem que se insista em programas que visem valorizar este produto não há saída para a pecuária de leite. Não apenas o Agreste, mas as regiões do Sertão do Araripe e do São Francisco, alcançando Afrânio e Dormentes. Que se reconheça os esforços do governo do estado, através da ADAGRO, da AD Diper e do IPA; do Sebrae PE; dos municípios e dos pecuaristas e produtores. Mas não se tem alcançado o resultado desejado. O valor de mercado não estimula o uso de tecnologia e a inovação. É claro, porém que somente investindo em uma boa assistência técnica se pode firmar o pé com segurança nos mercados mais exigentes. Que se atenda a demanda com qualidade e preço remunerativo e que se mude o status de tão nobre produto. O produtor agradece. E toda a cadeia também.

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agronômo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é pesquisador do IPA e colaborador da empresa Inovate Consultoria & Projetos Ltda. Foi secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Viveu parte de sua vida em Serra Talhada, dedicando-se à agricultura de sequeiro e no Vale do São Francisco, quando liderou o programa de Hortaliças, do IPA. Atualmente tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas de gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.