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Pernambuco, 24 de setembro de 2021

Ciência e Tecnologia

Estudo da FACAPE mostra que em Petrolina cresce a quantidade de novos casos de contaminação por Covid-19

O economista João Ricardo Lima, membro do Colegiado de Economia da Facape (Faculdade de Petrolina) mostra em estudo, com tecnologia do Google Mobility, que em Petrolina a quantidade de novos casos tem crescido de uma forma nunca vista desde o início da Pandemia, com mais de 1000 casos por semana. A situação, de acordo com o economista, é muito preocupante, pois, por mais que se tente preparar o setor de saúde e aumente a quantidade de leitos de UTI, há uma concentração muito grande de infectados e isso faz com que os leitos fiquem todos ocupados.

Postado em 12/04/2021 2021 19:16 , Ciência e Tecnologia. Atualizado em 13/04/2021 11:14

Foto: G1 / Reprodução Tv Grande Rio

O colegiado de Economia da Facape, que desde o início da pandemia calcula as médias móveis para mobilidade em Petrolina, começou a utilizar o Google Mobility.  

Após os  dados de isolamento social disponibilizados para Pernambuco no site do Ministério Público de Pernambuco terem sido desabilitados no último dia 18 de março, os pesquisadores da área de economia do Sertão tiveram que buscar outras ferramentas para estudar sobre os números de isolamento social nos municípios. Quem explica ao Jornal do Sertão como essa ferramenta será utilizada para continuar o estudo é o economista da Facape, João Ricardo Lima.

Foto: Reprodução / Instagram João Ricardo Lima

JS: Como o Colegiado de Economia irá utilizar o Google Mobility?

João: “Desde o início da pandemia até o final de março o colegiado de economia usou os dados de isolamento social disponibilizados para Pernambuco no site do Ministério Público de Pernambuco. Sempre foi muito útil e ajudou a verificar o comportamento da população frente às medidas tomadas de aumento ou flexibilização do isolamento social. Infelizmente,  a partir do dia 18 de março houve uma interrupção na disponibilização destes dados e, como esta informação é muito importante, o colegiado de Economia decidiu utilizar uma outra fonte de dados que é a disponibilizada pelo Google. 

Segundo o Google, os cálculos das alterações são feitos “com o mesmo tipo de dados agregados e anônimos que é usado para mostrar horários de pico no Google Maps”. As categorias consideradas são entendidas como úteis para as ações de distanciamento social e acesso a serviços essenciais e são denominadas de varejo e lazer (restaurantes, cafés, shoppings, museus, cinemas, bibliotecas, etc.); mercados e farmácias (mercados, supermercados, atacados, feiras, farmácias, lojas de alimentos gourmet, etc.); parques (parques, orla, praças públicas, etc.); estações de transporte público (estações de ônibus, ponto de táxi e mototáxi); locais de trabalho e mobilidade em áreas residenciais.

O colegiado de economia vai pegar esta base de dados, calcular as médias móveis para um período de sete dias e verificar o comportamento das curvas, ou seja, identificar se a mobilidade está aumentando ou reduzindo nestes locais”, explica. 

JS- De acordo com as informações de mobilidade, como você avalia os próximos dias com relação ao número da Covid-19 em Petrolina?

JL: Os gráficos mostram que houve uma redução na mobilidade durante o período de fechamento do comércio e que depois da reabertura a mobilidade voltou a aumentar. Desta forma, ainda se espera que a quantidade de novos casos e óbitos aumente durante todo o mês de abril.

Foto: Reprodução Internet

JS: Como o professor avalia a quantidade de casos de Covid-19 em Petrolina atualmente? 

JL: A quantidade de novos casos tem crescido de uma forma nunca vista antes. São mais de 1000 casos por semana! Nunca tínhamos tido tantos casos desta maneira. No final de julho e início de agosto vivemos um pico de casos, depois, uma onda mais forte que teve início em novembro e foi até janeiro e a partir de março um verdadeiro Tsunami de pessoas contaminadas com o novo coronavírus. É muito preocupante, pois, por mais que se tente preparar o setor de saúde e aumente a quantidade de leitos de UTI, é uma concentração muito grande e isto faz com que os leitos fiquem todos ocupados. 

JS:  O professor  avalia que o isolamento social mais rígido é a saída para a redução de casos?

JL: “Segundo a OMS e vários países já comprovaram, a principal maneira de tentar reduzir a velocidade com que o vírus se espalha é o distanciamento das pessoas, então, o isolamento social mais rígido é fundamental se for preciso intervir em uma situação crítica. Contudo, para ele funcionar, a população precisa colaborar. O que se faz no Brasil, se fez em Pernambuco e no Sertão nada mais foi do que um pedido das autoridades para que a população não saia de casa. Para desestimular as pessoas a saírem de casa, o comércio não essencial foi fechado. Contudo, em nenhum momento se proibiu as pessoas de saírem de casa. A não ser no toque de recolher que ocorre durante a madrugada. Assim, se a população ajudar e ficar em casa, o isolamento social funciona para reduzir os casos. Se a população decidir não colaborar e não acatar o pedido das autoridades, o isolamento não vai ter efeito pelo fato de que os índices de isolamento social não aumentam. Então a grande saída para a redução dos casos é a conscientização das pessoas para respeitar os esforços que são feitos pelos empresários que têm seus estabelecimentos fechados, todos que ficam sem renda e os próprios profissionais de saúde, já cansados por enfrentar essa verdadeira guerra diária contra a pandemia.”, finaliza.