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Pernambuco, 20 de junho de 2021

Economia

Os preços da cesta básica pesam no bolso dos sertanejos, mesmo com a redução no primeiro trimestre do ano

Somente um único produto foi o responsável por puxar o preço da cesta para baixo: o tomate. A dona de casa reclama que o dinheiro que usava para fazer as compras já não está sendo suficiente na hora de ir ao supermercado.
Em sentido contrário, economista João Ricardo, explica que pesquisa mostrou deflação nos primeiros três meses deste ano.
Segundo o professor João Ricardo Lima, que realiza a pesquisa da Cesta Básica pela Faculdade de Petrolina, Facape, nos primeiros três meses de 2021 houve deflação de 1,73%, ou seja, a pesquisa aponta que o consumidor está pagando menos pelos produtos. Sentimento diferente de quem tem ido com frequência ao supermercado. A justificativa, segundo o professor, é que existe um aumento tão grande acumulado, que quando acontece uma pequena queda, é possível que não haja mesmo essa percepção de menor preço.

Postado em 16/04/2021 2021 07:30 , Economia. Atualizado em 15/04/2021 21:15

Jornalista , Editor Antônio José em Economia

Diana Barboza. Foto: Arquivo pessoal

Está cada vez mais difícil encher o carrinho na hora de ir ao supermercado. Este é o sentimento de quem precisa fazer as compras todo mês. A autônoma, Diana Barboza, vende comida pronta aos finais de semana desde o início da pandemia no Vale do São Francisco. Para preparar os mesmos pratos que agradam e muito os clientes, ela tem sentido que está tendo que levar mais dinheiro para fazer as compras.

“Tem aumentado e muito meu gasto. Mês passado eu comprei feijão por cerca de R$ 6,00. Agora já tenho comprado de R$ 7,00. Arroz que comprei de R$ 3 e pouco, agora já compro a quase R$ 6,00. O que eu gastava há alguns meses, não dá mais para fazer a feira básica que eu fazia. Agora minhas compras estão o dobro comprando as mesmas coisas”, reclamou Diana. Para tentar uma economia, Diana busca alternativa. “De preferência vou em atacados para tentar economizar alguns centavos, mas já é alguma coisa. Está pesando mais no bolso. Tudo subiu”, disse.

João Ricardo. Foto: Arquivo pessoal

Mas segundo o professor João Ricardo Lima, que realiza a pesquisa da Cesta Básica pela Faculdade de Petrolina, Facape, nos primeiros três meses de 2021 houve deflação de 1,73%, ou seja, a pesquisa aponta que o consumidor está pagando menos pelos produtos. Sentimento diferente de quem tem ido com frequência ao supermercado. A justificativa, segundo o professor, é que existe um aumento tão grande acumulado, que quando acontece uma pequena queda, é possível que não haja mesmo essa percepção de menor preço.

“A carne aumentou 0,91% nos últimos três meses. Mas quando a gente vê nos últimos sete meses, ela vem com um aumento de 24%. Quando a gente vê o acumulado em um ano, ela vem com quase 60% de aumento. Então está tudo muito caro, né!”, explicou o professor João Ricardo.

Mas o que justificaria a deflação apontada na pesquisa? Pelos dados da pesquisa, o tomate foi o principal responsável por acreditar que o consumidor está pagando menos. Segundo João Ricardo, a queda do tomate no primeiro trimestre foi de 24,43% em Petrolina. “Ele acabou puxando as coisas para baixo. Por exemplo, o feijão carioca aumentou 3,47% de janeiro a março deste ano. O pão francês teve aumento de 3,52%. Mas como a queda do tomate foi grande, acabou puxando o preço da cesta.”

Idelson Filho acima. Foto: Arquivo pessoal

No Mercado do Produtor de Juazeiro, o primeiro do Norte e Nordeste em volume e comercialização e o quarto maior do país nesse segmento, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento, Conab, o tomate estava sendo vendido no primeiro trimestre a R$ 30,00. Segundo, Idelson José Filho, que comercializa tomate no Mercado do Produtor há 5 anos, em meses anteriores, a caixa do produto chegou a ser vendida a R$ 45,00.

E os outros produtos da cesta básica de janeiro a março?

A pesquisa da cesta básica da Facape analisa a variação dos preços de 12 itens nos municípios de Juazeiro, no Norte da Bahia, e Petrolina, no Sertão de Pernambuco. Pelo acumulado deste ano, o que compreende janeiro, fevereiro e março, o maior aumento na cesta em Petrolina foi na margarina, com 7,8%, seguido do açúcar com 5,02%. O café em pó teve aumento de 3,55%. O pão francês apresentou aumento no primeiro trimestre de 3,52% e o feijão carioca com 3,47%.

Já os produtos que apresentaram queda neste primeiro trimestre, além do tomate, foram o leite integral, com 3,93%, o óleo de soja com 3,26% e o arroz com 2,18%.

Motivos para aumentos dos produtos

Segundo o professor João Ricardo, quase todos os produtos que tiveram aumentos maiores seguiram alguns motivos. Um deles é o alto preço do dólar, o que faz com que os produtores exportem a comida produzida no Brasil.

“A gente começou a exportar muita comida, porque o dólar acabou valorizando muito frente ao real. Hoje já deve estar encostando nos R$ 6,00 e isso favorece as exportações. É como se quem morasse fora do Brasil comprasse nossas coisas mais barato. E aí você tem a China, principalmente, comprando muito comida do Brasil e pagando bem. Então, os produtores brasileiros começam a exportar carne, soja, açúcar. Se exporta, fica menos matéria-prima para fazer o óleo de soja, por exemplo, menos carne e acaba fazendo com que os preços aumentem”, explicou o pesquisador da Facape.