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Pernambuco, 24 de outubro de 2021

Agronegócios

O caminho da China, oportunidades e desafios Por Geraldo Eugênio

A China no momento é o principal parceiro comercial do Brasil e destino da maior parte das exportações brasileiras de grãos, farelo e carne. Há pouco tempo foi anunciada a abertura do mercado chinês para as frutas do Vale do São Francisco, em especial uva e manga e como não poderia deixar de ser resultou em comemorações e reconhecimento à proeza, uma vez que estas negociações estão em curso há pelo menos uma década.

Postado em 22/04/2021 2021 11:30 , Agronegócios. Atualizado em 22/04/2021 21:11

Colunista

Geraldo Eugênio Eng. Agrônomo e pesquisador do IPA

O Império do Meio, altas, baixas e altas A China se consolida como potencial mundial e desafia a presença hegemônica dos Estados Unidos. Esta foram as manchetes após o encontro de duas delegações de alto nível dos dois países em Anchorage, Alaska, Estados Unidos há menos de um mês. Até o final do século XV a China foi a mais importante potencial mundial, também conhecida como Império do Meio. Fechou-se para o mundo, tornando um país ermitão o que levou na metade do século XIX passar por vexames de ter que entregar parte de seu território, como Hong Kong, ao Reino Unido e Macau, à Portugal. Desde 1949, reunificou-se e a partir de 1978 até o presente passou a ser a segunda mais importante do ponto de vista comercial do planeta, atraindo o desejo de todos em vender seus produtos para a China.

Um mercado do sonho

No momento é o principal parceiro comercial do Brasil e destino da maior parte das exportações brasileiras de grãos, farelo e carne. Há pouco tempo foi anunciada a abertura do mercado chinês para as frutas do Vale do São Francisco, em especial uva e manga e como não poderia deixar de ser resultou em comemorações e reconhecimento à proeza, uma vez que estas negociações estão em curso há pelo menos uma década. Parabéns a todos.

As frutas tropicais

Dentre nossos principais produtos existem dois bem conhecidos dos chineses, a manga, cuja origem é a Ásia e não por acaso tem o a denominação latina de Mangifera indica e a uva, também proveniente da Ásia Central. A primeira podendo ser produzida nas províncias do sul, a exemplo da Ilha de Hainan e a segunda sendo cultivada em uma maior amplitude de ambientes no território chinês.

Foto Divulgação

Os desafios: logística e competição

Vamos agora nos debruçar sobre o mundo real e ver como poderemos, além de ter a permissão para exportar, ver nossos produtos nos supermercados asiáticos. Em primeiro lugar há de se resolver a questão da logística. A distância entre o Porto de Salvador, na Bahia e o Porto de Amsterdã, na Holanda é de 5.200 milhas náuticas. Entre Salvador e Shanghai, China, passando por Cape Town, na África do Sul, é de 18.000 milhas. O custo do transporte marítimo depende, entre outras questões, da distância.

O segundo ponto a debruçar-se sobre ele é com os competidores. Peru e México, voltados para o pacífico com distâncias que não chegam à metade da rota do Atlântico e com uma capacidade tecnológica de produção próxima à brasileira.

O terceiro aspecto, não pode deixar de ser levado em consideração é a geopolítica. O Brasil, deliberadamente se afastou da China e não conta com a simpatia do governo Chinês, por razões mais do que óbvias. O mercado de grãos e carne continua em alta por estratégia comercial e formação de estoques, não por empatia ou amizade. Será que o mesmo se aplica às frutas frescas?

Este é um cenário real que se deve reconhecer e enfrentar, foi feito muito e a ninguém se pode subtrair o direito de lutar e sonhar, mas sem o devido conhecimento da geografia e das armas, não chegaremos ao porto de Shanghai. O comércio é uma guerra e para vence-la precisaremos de disciplina, esforços e sermos claros conosco e cultivarmos a boa vontade dos parceiros, primeiramente. Assim sendo, à luta!

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agronômo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é pesquisador do IPA e colaborador da empresa Inovate Consultoria & Projetos Ltda. Foi secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Viveu parte de sua vida em Serra Talhada, dedicando-se à agricultura de sequeiro e no Vale do São Francisco, quando liderou o programa de Hortaliças, do IPA. Atualmente tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas de gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.