Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 19 de junho de 2021

Últimas Notícias

O Dia Nacional da Caatinga será celebrado com Seminário em Pernambuco

O bioma Caatinga representa uma das maiores áreas semiáridas das 700 Reservas das Biosferas mundiais. Porém é único e exclusivamente brasileiro. Traduz as diversidades e riquezas culturais, históricas, biológicas, ambientais de uma região que pode chegar até 1 milhão de hectares. Pela sua grandeza territorial, traz também desafios e gargalos imensuráveis para torná-lo sustentável tanto do ponto de vista social como econômico.

Postado em 27/04/2021 2021 07:00 , Últimas Notícias. Atualizado em 27/04/2021 10:00

Foto: Álvaro Severo

O Dia Nacional da Caatinga a ser celebrado nesta quarta-feira, dia 28, terá uma programação intensa de discussões multidisciplinares durante o webinar “Caatinga em Debate”, que acontece nesta terça-feira, 27 de abril, no canal do Youtube da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), às 16hs. A iniciativa é uma parceria da Fundaj e o Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Caatinga, ligado à UNESCO.

O bioma Caatinga representa uma das maiores áreas semiáridas das 700 Reservas das Biosferas mundiais. Porém é único e exclusivamente brasileiro. Traduz as diversidades e riquezas culturais, históricas, biológicas, ambientais de uma região que pode chegar até 1 milhão de hectares. Pela sua grandeza territorial, traz também desafios e gargalos imensuráveis para torná-lo sustentável tanto do ponto de vista social como econômico.

Flor Rabo de Rapoda / Salve a Caatinga. Foto: Alvaro Severo

A discussão virtual terá como mediadora a pesquisadora da Fundaj e presidente do Conselho Nacional da Biosfera da Caatinga, Alexandrina Sobreira, e como participantes convidados: Claudia de Andrade Lima, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e coordenadora do Polo Juá Pernambuco; Fernando José Freire, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Raimundo Guaraci, gestor da Unidade de Conservação Pedra do Cachorro em Pernambuco; Francisco Bezerra, presidente do Instituto Nordeste XXI e coordenador geral do Observatório da Caatinga.

Alexandrina Sobreira, mediadora e presidente do Conselho Nacional da Biosfera da Caatinga

“O bioma é muito rico, muitas intersecções que foram inclusive objeto de estudo do Atlas da Caatinga, idealizado pela Fundaj sobre as 14 unidades federativas de conservação no Brasil. No Atlas, identificamos a perda de 46% da biodiversidade do que já existia. Por isso, a importância de discutir a temática sob uma visão de futuro, sendo os projetos com linhas de ação inseridas na tecnologia, de mãos dadas com a ciência”, disse Alexandrina Sobreira. 

Foto Alvaro Severo

“Educação, preservação e conservação são eixos centrais da Unesco em termos de ensino e compreensão desse bioma. Então, vamos discutir numa visão interdisciplinar sobre a caatinga”, comentou Alexandrina, que participou de várias reuniões da ONU sobre combate à desertificação, além de coordenar o projeto “Biomas do Cenário Caatinga”. Alexandrina também montou o Atlas das Caatingas, pesquisa publicada pela Fundaj. 

 

A importância das políticas públicas

Uma das pautas que será abordada no webinar é sobre o que o bioma pode fornecer para as populações carentes, que vivem em situação de vulnerabilidade social. Principal bioma da região Nordeste, a caatinga tem várias facetas, principalmente em relação à adaptação climática das plantas e animais. Grande parte do seu patrimônio biológico não pode ser encontrado em nenhum outro lugar do planeta. Pesquisador da Fundaj, Neison Freire alertou sobre a ameaça à caatinga.

“Certamente, esse bioma é um dos mais degradados do Brasil. A caatinga é um tema muito amplo e complexo, permitindo assim diferentes abordagens. Esse bioma é afetado por secas extremas e períodos de estiagem, característicos do clima semiárido”, afirmou. 

Para Alexandrina Sobreira, é de vital importância nesse contexto que quaisquer recursos a serem canalizados para atuar dentro do bioma da Caatinga devem ter entre as prioridades políticas de integração regional por meio de instituições como a Sudene, ou centenas de grupo diversificados que estudam e vivem no ecossistema. “É um mundo integrado e deveria estar no centro das políticas públicas”, pontuou.

A beleza da Flor da Craiberias. Foto: Divulgação

 

Sustentabilidade e conservação

Na opinião do coordenador Regional do Projeto Rural Sustentável Caatinga e membro do Conselho da Reserva da Biosfera, Francisco Campello, no contexto da preservação versus sustentabilidade existem esforços que estão sendo realizados na região por órgãos públicos e aqueles praticados pela sociedade civil e por instituições que atuam com assistência técnica na região. Mas, ainda é muito pouco, diante da necessidade iminente.

“Têm várias iniciativas que vêm sendo trabalhadas hoje por comunidades tradicionais, as comunidades de fundo de pasto, quilombolas, comunidades extrativistas e agricultores familiares e o médio agricultor, aquele produtor que cria gado, faz uso desse recurso e às vezes nem se dá conta. Esse uso, às vezes, sem planejamento, mas com um mínimo de cuidado, estabelece um ambiente de conservação, porque a partir do momento que a caatinga serve como suporte forrageiro por rebanho, que o agricultor desmata para fazer pasto, mas ele sempre guarda o que ele chama a manga,  para quando o pasto se esgotar, ele colocar o gado, essa manga, essa reserva é uma formação florestal. Querendo ou não, você vai tendo um comportamento de paisagem que ajuda a estabelecer uma estratégia de conservação”, citou Campello.

Casa de João de Barro Foto Divulgação

Segundo ele, nesse ambiente, há fortes atividades como o  extrativismo de frutas, a pecuária extensiva (caprinocultura, bovinocultura) e o artesanato. “Esses comportamentos ajudam a ter um pouco de conservação e preservação”, acrescentou. Por parte da iniciativa pública, Campello cita algumas ações como o trabalho da FAO com o Ibama para uma resolução junto ao Conselho Nacional do Meio Ambiente para o uso sustentável; uma outra ação da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para promover o combate ao desmatamento através das práticas de baixa emissão de carbono pelo projeto Rural Sustentável Caatinga.

“A própria reserva da biosfera da Caatinga está presente em todas as iniciativas”, acrescentou.

 

Conhecimento para formação técnica

Uma parceria da Universidade Federal do Vale do São Francisco, a UNIVASF,  junto com o projeto rural sustentável Caatinga, está em curso para promover um processo de formação técnica, que vai envolver no seu conjunto, quinhentos profissionais de assistência técnica, Estão 350 pessoas matriculadas, entre a primeira e a segunda turma, e vai se iniciar uma terceira turma para um curso de especialização, que visa mostrar como o sistema de baixa emissão de carbono pode fortalecer a convivência com o semiárido. 

“E aí nesse contexto, toda uma estratégia de uso sustentável da caatinga para evitar o seu desmatamento.Como usar o recurso florestal com critério de sustentabilidade; como trabalhar o solo sem como ter elementos para melhorar o processo de forma remota; Como usar os avanços das ferramentas digitais junto aos nossos agricultores e promover uma estratégia de fortalecimento das atividades. Esses elementos podem ser vistos como gargalos , mas também como oportunidades. São esforços que estão acontecendo para mudar o paradigma e ajudar a consolidar o ecossistema sustentável”.