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Pernambuco, 20 de junho de 2021

Agronegócios

Pernambuco falando para o Cerrado Por Geraldo Eugenio

Pernambuco além de suas fronteiras. As tecnologias que saíram do Instituto Agronômico de Pernambuco foram muito bem recebidas no coração do celeiro do Brasil, a região do Cerrado. Uma grande conquista que a nação e seus produtores agradecem. Vale prestar uma homenagem a dois professores que lideraram este esforço. Um egípcio que esteve no Ceará e veio para o IPA liderar um programa de pesquisa, o Dr. Mohamed Faris, que depois se tornou professor de uma universidade canadense e o Dr. Mário de Andrade Lira, que o substituiu e nos deixou há dois anos. Além de melhorar plantas, Dr. Mário cuidou de seus discípulos, no IPA.

Postado em 06/05/2021 2021 12:43 , Agronegócios. Atualizado em 06/05/2021 14:40

Colunista

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

 

O plantio direto e a Integração lavoura, pecuária floresta – ILPF

Há algum tempo tive a oportunidade de visitar uma fazenda no município de Pedro Afonso, no Tocantins. Fui ver como se dava o plantio direto na região e colher informações sobre como a Embrapa poderia implementar um programa de controle biológico da cigarrinha das raízes no capim Brachiaria. Na realidade estava querendo conhecer uma das mais importantes conquistas da agricultura moderna do Brasil em um estado de forte tradição agrícola e pecuária, o plantio direto, que permite o enriquecimento do solo com matéria orgânica, maior retenção de umidade, redução das pragas e doenças. Uma das tecnologias que faz do Brasil um país admirado em todo o mundo tropical.

 

Cultivos de cobertura 

Em um campo de soja muito bem tratado perguntei ao produtor que planta ele usava como rotação, ele me falou que plantava sorgo. Continuei a conversa e procurei saber qual variedade ou híbrido ele adotava. Ele falou que eu não conhecia, ele usava o zebu do sorgo, chamado IPA 1011. Falei para ele que não apenas conhecia, mas quando retornássemos à sede da fazenda, onde o celular funcionava, o colocaria em contato com o colega que coordenava e ainda coordena, o programa de Cereais, do IPA, o amigo José Nildo Tabosa. Sabia também que além do sorgo, os milhetos desenvolvidos pelo IPA eram usados em milhares e milhares de hectares no Cerrado brasileiro. Trocando em miúdos, sorgos e milhetos desenvolvidos em Pernambuco eram mais conhecidos no Tocantins, Mato Grosso, Bahia e Maranhão do que entre nós.

 

O sorgo e o milheto do IPA

Não foram poucos as tentativas de popularização do plantio de sorgo de dupla aptidão, grão e forragem, bem como do milheto granífero, no estado. Todos nós fomos tragados por uma análise apressada da situação. Grãos forrageiros não são recomendados para pequenas áreas. A colheita manual e o controle de pássaros os tornam inviáveis. Por outro lado, as tecnologias que saíram do Instituto Agronômico de Pernambuco foram muito bem recebidas no coração do celeiro do Brasil, a região do Cerrado. Uma grande conquista que a nação e seus produtores agradecem.

 

Tecnologia é nosso campo de batalha

Pernambuco ainda não participa, devido a seu clima, seus solos, suas secas e estrutura fundiária daquele tipo de agricultura que se vê nos programas de divulgação agrícola na TV. Provavelmente não teremos muitas áreas contínuas de nenhuma cultura no nosso semiárido, mas por incrível que pareça, talvez poucos saibam, mesmo por lá, que é nossa a instituição que ajudou resolver parte da equação que foi a conquista do Cerrado. Foram centenas de experimentos conduzidos nas estações experimentais do estado. Vale prestar uma homenagem a dois professores que lideraram este esforço. Um egípcio que esteve no Ceará e veio para o IPA liderar um programa de pesquisa, o Dr. Mohamed Faris, que depois se tornou professor de uma universidade canadense e o Dr. Mário de Andrade Lira, que o substituiu e nos deixou há dois anos. Além de melhorar plantas, Dr. Mário cuidou de seus discípulos, no IPA e na Universidade Rural de Pernambuco. Esta talvez seja a vocação do estado: desenvolvimento de tecnologias e produtos, com alto valor agregado, que possam ser adotados no Brasil e no exterior. Vai, Sertão. O desafio nos aguarda.

 

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agronômo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é pesquisador do IPA e colaborador da empresa Inovate Consultoria & Projetos Ltda. Foi secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Viveu parte de sua vida em Serra Talhada, dedicando-se à agricultura de sequeiro e no Vale do São Francisco, quando liderou o programa de Hortaliças, do IPA. Atualmente tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas de gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.