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Pernambuco, 19 de junho de 2021

Agronegócios

Ricardo Fiúza e Miguel Arraes no caminho político da palma forrageira adensada Por Geraldo Eugenio

Ninguém imagina que a palma forrageira para chegar nos campos do sertão percorreu um caminho político.Em 1994, o Deputado Fiúza e um grupo de técnicos ligados a ele empreenderam uma viagem ao México e voltaram literalmente maravilhados em ver a palma sendo plantada de forma superadensada, embora naquele país ela seja considerada uma hortaliça e não uma forrageira.O Governador Arraes incumbiu ao IPA de fazer este teste, deixando claro que se o resultado fosse ao menos a metade do que o Deputado Fiúza, do qual era parente, falava, haveria uma grande mudança na produção de forragem na região.

Postado em 13/05/2021 2021 11:32 , Agronegócios. Atualizado em 13/05/2021 11:33

Colunista

Geraldo Eugenio Engenheiro Agrônomo. Colunista do Jornal do Sertão

Quem foi Fiúza

Ricardo Ferreira Fiúza, cearense, nascido em Fortaleza em 1939 foi um político que exerceu seis mandatos de Deputado Federal pelo estado de Pernambuco, sendo ainda Ministro da Ação Social e Chefe da Casa Civil no governo Collor de Mello. Conservador por natureza e um dos parlamentares mais influentes no Congresso Nacional enquanto exerceu seus mandatos. Envolvido em situações polêmica e teses que bem representava seu perfil foi também pecuarista, possuindo algumas fazendas em Pernambuco e dono de uma usina de açúcar em Alagoas. Mas o que tem a ver Fiúza com a palma forrageira?

 

O que era o cultivo da palma forrageira

Uma planta com características próprias e uma das espécies mais tolerantes a estresses hídricos ou secas e temperaturas altas. Tem um mecanismo de economia de água próprio de um cacto e uma capacidade de produção invejável. Até a primeira metade da década de 90 era considerada uma cultura de reserva estratégica para épocas de seca e cultivada nas áreas menos férteis da propriedade e em uma população raleada. Plantava-se uma touceira a cada cinco metros, o que equivale a 25 metros quadrados. Consequentemente não deixava de se contar com ela quando a situação se tornava crítica mas a produtividade raramente ultrapassava 30 toneladas por hectare.



A palma forrageira adensada

Em 1994, o Deputado Fiúza e um grupo de técnicos ligados a ele empreenderam uma viagem ao México e voltaram literalmente maravilhados em ver a palma sendo plantada de forma superadensada, embora naquele país ela seja considerada uma hortaliça e não uma forrageira. Em uma conversa com o Governador Arraes, em 1995, Fiúza falou do que viu e insistiu para a Secretaria de Agricultura de Pernambuco implantasse algumas unidades de demonstração em suas fazendas experimentais.

Miguel Arraes e a salvação da pecuária regional

O Governador Arraes incumbiu ao IPA de fazer este teste, deixando claro que se o resultado fosse ao menos a metade do que o Deputado Fiúza, do qual era parente, falava, haveria uma grande mudança na produção de forragem na região. As primeiras áreas a implantarem o sistema de cultivo adensado e a palma como uma cultura agrícola foram instalados pelo Deputado em uma de suas propriedades em Custódia e em cinco estações experimentais do IPA, além de alguns amigos seus da bacia leiteira de Alagoas. Sucesso confirmado. Em Alagoas por muito tempo a palma adensada foi conhecida como sistema Fiúza. Em Pernambuco passou a ser recomendada e hoje é uma tecnologia consolidada. Esta iniciativa salvou a pecuária leiteira do Nordeste nas secas subsequentes, em particular no último ciclo de secas ocorrido entre 2012 a 2018. Provavelmente este tenha sido o mais importante legado de Ricardo Fiúza ao semiárido de Pernambuco e do Nordeste. Estabeleceu-se um diferencial e somente quem cria gado no Agreste e Sertão sabe o que isto representa. A economia e a pecuária regional agradecem, Deputado Fiúza e Governador Miguel Arraes descansem  em paz.

JS Agronegócios