Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 26 de setembro de 2021

Agronegócios

Guerra entre a palma forrageira e a cochonilha do carmim  Por Geraldo Eugenio

A Guerra do Corante Carmim . Cochonilha do carmim, o que é isto? A perigosa guerra entre o corante vermelho , o carmim, que quase dizimou a palma forrageira quando cultivada de modo intensivo no sertão de Pernambuco. Um inseto conhecido cochonilha do carmim que atacava e destruía a palma . Esse inseto era fonte de valioso corante para indústria da moda fez com que muitos produtores disseminassem a cochonilha nos seus roçados O engenheiro agrônomo Geraldo Eugenio nos conta na sua coluna do JS como Palma Orelha de Elefante Mexicana venceu a guerra do Carmim . Acesse o link na Bio e leia a Coluna a Guerra do Carmim

Postado em 20/05/2021 2021 13:22 , Agronegócios. Atualizado em 21/05/2021 10:39

Colunista

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

Cochonilha do carmim, o que é isto?

O corante vermelho, carmim, já foi um dos produtos mais valiosos na indústria da moda desde há séculos. A cochonilha do carmim, um inseto sugador, que parasita as folhas da palma e de outros cactos, é um dos principais produtores do corante e criado, por muito tempo para este fim. De tal modo era sua importância que se registra a introdução no Brasil dos cactos e do inseto quando da mudança da família imperial para o Brasil. Em Sertânia, Pernambuco, há registros da ocorrência da cochonilha no início da década de 70. Nunca se tornou um grande problema uma vez que, conforme comentado semana passada, a palma forrageira foi durante décadas cultivada de modo não intensivo em uma população pequena, rodeada por dezenas de plantas da caatinga.

 

Precipitações e ganância

Ao final dos anos noventa um conjunto de passos falsos resultou em uma explosão da população deste inseto, dizimando parte da palma plantada, notadamente da Palma Gigante, cultivada nos estados de Pernambuco e na Paraíba. Um experimento de cultivo de cochonilha não conduzido devidamente, a ganância por ganhos que poderiam resultar da produção do corante do carmim fez com que muitos produtores disseminassem a cochonilha nos seus roçados. Além do mais o sistema de cultivo adensado recentemente introduzido na região contribuiu para multiplicação descontrolada do inseto praga. Tendo o cenário inicial desta história se localizado no município de Sertânia, PE.


 

 


O banquete dos deuses

Ao se identificar os primeiros focos de palma forrageira infestados com a cochonilha iniciou-se uma guerra para seu controle. Vários produtos se mostravam efetivos em laboratório, mas no campo a realidade era outra. Nos produtores que adotaram o cultivo intensivo, com fileiras de palma ao lado da outra, o inseto viu como uma oportunidade uma vez que não havia falta de alimento nem a necessidade de deslocamento a longa distância. Esta situação durou aproximadamente uma década, período em que somente a palma forrageira miúda, cultivada em áreas do Agreste de Pernambuco e no sertão de Alagoas mostrava-se resistente.

 

Uma nova cultura

Inicialmente foi identificada uma cultivar derivada da palma miúda, a cultivar Baiana ou IPA Sertânia, no município de Coronel João Sá, na Bahia, que se mostrou resistente à praga, mas não contava com atributos de produção assegurassem-na como opção de cultivo. Somente em 2004 um material despontou como tecnicamente viável do ponto de vista agrícola e zootécnico, a palma Orelha de Elefante Mexicana, ou IPA 200016. Em 2009 foi iniciado um programa de distribuição de raquetes deste material entre os produtores de Pernambuco e, atualmente se constitui no material mais cultivado no Agreste e Sertão. A palma Orelha de Elefante Mexicana atualmente é amplamente difundida em vários estados do Nordeste além de Minas Gerais, Espírito Santo e Goiás e, há quem diga que apesar de não ter a palatabilidade (sabor) da Palma Gigante, tem proporcionado ganhos superiores na produção de leite e carne devido ao seu potencial produtivo. Uma lição a se tirar do infortúnio: mesmo entre as plantas, distanciamento social é efetivo no controle de pragas e doenças até que se tenha um material que resista ao ataque ou um produto efetivo em seu controle. Neste caso, o método mais econômico e efetivo recuperou esta forrageira, o melhoramento genético. Aí vale ressaltar o papel do Engenheiro Agrônomo Djalma Cordeiro, IPA Arcoverde, que há mais de quarenta anos tem sido o responsável pela pesquisa com a palma nessa instituição.

A verdade é que de ameaçada a extinção a nova palma Orelha de Elefante tornou-se a mais importante espécie de planta para as regiões semiáridas do Brasil e o principal espécie forrageira à pecuária regional.