Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 25 de setembro de 2021

Saúde

Infraestrutura para atendimento de Saúde, tem espaço apropriado para atendimento médico no Sertão

Principal entrave ainda é cultural, mesmo com a oferta de planos de saúde, clínicas especializadas nos centros das cidades, nos shoppings centers, além de cursos de Medicina reconhecidos pelo MEC 

Postado em 22/05/2021 2021 11:35 , Saúde. Atualizado em 22/05/2021 11:39

Jornalista , Editor Antônio José em Saúde

 

Espaço Médico / MG Consultórios Compartilhados  localizado no Shopping Serra Talhada Foto Divulgação

Desde a década de 70, Pernambuco vem sendo referência como polo médico no Nordeste e no País. Com uma infraestrutura robusta dotada de tecnologia de ponta em várias especialidades, além de hospitais privados e públicos de referência ao lado de profissionais capacitados, o setor nada deixa a desejar em relação a estados como São Paulo, principal polo médico do País. A relevância se mantém em ritmo acelerado e algumas iniciativas individuais de médicos e também de corporações de saúde privadas começam a desbravar o Sertão pernambucano, porém ainda em um processo de crescimento lento.

Tendências já consolidadas nos grandes centros urbanos como as dos consultórios em centro de compras, como maneira de otimizar o atendimento aos pacientes e, ao mesmo tempo, oferecer um ambiente mais agradável fora das clínicas tradicionais, ainda não chegou ao seu “time”, pelo menos, em cidades polos do Sertão como Serra Talhada e Petrolina. 

O cardiologista Murilo Ataide Gondim Júnior é um dos entusiastas de mais investimentos privados na região complementando o serviço oferecido pelas prefeituras por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Foi dele a primeira iniciativa, dentro de shoppings centers com o projeto consultórios compartilhados, em formato coworking para os profissionais da saúde de Serra Talhada e região.

Cardiologista Murilo Gondim acredita que a falta de adaptação cultural  às modernas ofertas de espaços médico no Sertão dificulta a  ocupação  por parte dos sertanejos e profissionais em   se adaptarem às modernidades oferecidas nas capitais

Ele decidiu investir em consultórios equipados dentro do shopping de Serra Talhada, porém ainda aguarda retorno do investimento em relação à demanda. Em sua opinião, tanto o cidadão, como o profissional em Serra Talhada ainda preferem buscar o consultório na rua próximo do centro comercial.

“Foi uma resposta que obtive, mas acredito que possa mudar na medida que outros investidores façam o mesmo, e novas opções sejam oferecidas à população de uma maneira geral”, avaliou. 

Segundo Gondim, uma forte tendência que ainda persiste nas principais cidades sertanejas são os consultórios especializados no centro comercial das cidades. 

“Quando falo em centros especializados refiro-me tanto à tecnologia quanto às especialidades médicas. Temos aqui em Serra Talhada vários grupos de médicos nas mais variadas especialidades da medicina. Quando cheguei aqui, há quase 30 anos não existia. Houve um crescimento dos serviços à população”, avaliou o cardiologista.

“Os médicos estão cada vez mais capacitados, com especializações, com equipamentos modernos, não devendo muito aos grandes centros. É claro que alguns exames não são praticados aqui por questões financeiras. Ainda não compensa você investir para ter um volume pequeno com um equipamento caríssimo. Mas, sem dúvida existe realmente essa referência no atendimento de saúde privada na região”,opinou o cardiologista. 

 

Cultura local é de atendimento personalizado

O sertanejo, em sua grande maioria, está habituado a pagar consulta particular, segundo o cardiologista. “Ainda não há adesões adensadas a planos de saúde. Eu já ouvi paciente dizer que prefere pagar quando precisa, do que pagar plano de saúde a vida toda”, pontuou.  Apesar desse cenário avaliado pelo cardiologista, existem planos de saúde como o Medial e a Unimed que estão investindo com unidades e serviços pelo Sertão, principalmente na região do Vale do São Francisco até Juazeiro, na Bahia..

 

Planos de saúde, apesar de presentes, principalmente no Sertão do São Francisco, com a Unimed e Medial, não têm muita adesão  Foto Divulgação

A Unimed é um deles. A unidade instalada em Petrolina foi iniciada em 1991, quando um grupo de trinta médicos decidiu, motivados por cooperados da Unimed Recife, fundar a Unimed Petrolina. Vários já participavam da Unimed São Francisco, situada na vizinha cidade de Juazeiro, em funcionamento desde 1989. Em 1996 começaram os entendimentos para ocorrer a fusão das duas cooperativas,  e em 1999 a Unimed Petrolina assumiu a Unimed São Francisco, passando a se denominar Unimed Vale do São Francisco, sendo considerada a maior operadora de planos de saúde da região.

“Na nossa região, muita gente ainda vê  plano de saúde como uma despesa, como um custo alto, não como um benefício. Eu entendo que as pessoas que pagam consulta, não  têm percepção de que o valor de uma consulta, muitas vezes, é o valor de uma mensalidade de um plano de saúde. Pegando como exemplo, um plano de criança, numa faixa etária de zero a dezoito, que custa em média duzentos e vinte e cinco reais.  E uma consulta particular custa na faixa de duzentos e duzentos e cinquenta reais. Então, se você observar nesse sentido, eu acho que falta conhecimento do plano como um benefício e não como uma despesa”, opinou o gerente de Mercado da Unimed Vale do São Francisco, Ítalo Azevedo.



O sistema Unimed é considerado o maior de saúde suplementar do Brasil. “Juntos, somos mais de 17 milhões de usuários. A atuação é em grande parte regionalizada. A Unimed Vale do São Francisco atua em 21 cidades da RIDE Petrolina/Juazeiro. Nossa expectativa é crescer na nossa região de atuação atraindo usuários de outras cidades além de Petrolina e Juazeiro”. 

Para isso, segundo Azevedo, há sempre um monitoramento da rede de prestadores de saúde com o objetivo  de conseguir novos credenciados em outras cidades, reduzindo a necessidade de deslocamento dos beneficiários em situações menos complexas, como consultas e atendimento de urgência. Atualmente a rede possui 67 mil clientes entre as cidades de Cabrobó, Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista, Petrolina e Juazeiro, na Bahia.

Para situações mais complexas, a Unimed conta com uma rede bem estruturada de serviços nas duas cidades polo da região, mas não existe plano de expansão no momento, até por conta da pandemia da Covid-19.  

 

A capacitação do profissional local

Várias universidades de referência em medicina têm instalado cursos em alguns municípios, o que demonstra uma tendência para a interiorização das instituições públicas e privadas. É o caso da Faculdade de Medicina do Sertão, em Arcoverde, no Sertão do Moxotó. A instituição foi criada em 2019, mas começou suas atividades em meio à pandemia. A instituição faz parte do Grupo São Leopoldo Mandic, que conta com outras nove unidades distribuídas pelo país, e oferece também cursos de pós-graduação. 

No Vale do São Francisco, o curso de Medicina é oferecido pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), desde 2004, com um diferencial por oferecer aos estudantes um Hospital Universitário, além de laboratórios de anatomia, microbiologia, entre outros.

No Sertão do Pajeú, na cidade de Serra Talhada, a Universidade de Pernambuco (UPE) tem o bacharelado em Medicina, criado em 2013.  E Araripina se junta à Petrolina, Serra Talhada e Arcoverde, pioneiras na oferta do bacharelado em medicina no Sertão pernambucano. O processo de instalação teve início ainda em 2019, com a notícia de que o Ministério da Educação (MEC) publicou a Portaria nº 924, que divulgou a relação de instituições mantenedoras autorizando o funcionamento dos cursos de Medicina em várias cidades brasileiras, incluindo Araripina. 

Na opinião de Gondim, as faculdades, ‘infelizmente’, não formam ainda profissionais capacitados e a evolução vai depender de cada um. “Na medicina, é preciso haver mais aprendizado na prática e aqui no interior ainda não temos isso. Há realmente uma tendência de centros médicos, mas existe um paradigma a ser vencido”, disse.