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Pernambuco, 18 de junho de 2021

Agronegócios

O Desafio Logístico no Agronegócio

Quando o assunto é agronegócio no sertão e agreste de Pernambuco, quatro arranjos se destacam: a fruticultura irrigada, a avicultura, a pecuária de leite e o gesso agrícola, sendo o último objeto de ações futuras. A fruticultura e o gesso são as atividades mais dependentes da logística de transporte, devido distância para entrega de seus principais produtos. Já no caso da pecuária de leite e da avicultura a limitação se dá principalmente devido a distância entre as áreas produtoras de grãos nos Cerrados e o interior do Estado Pernambuco corre o risco de ver a economia do Sertão do Araripe e Sertão Central ser atraída por Fortaleza e a do Vale do São Francisco migrar para Salvador, movimento centrífugo em curso. Acesse o link na Bio para ler sobre os grandes desafios na logística do Agronegócios na visão do Agrônomo e Pesquisador do IPA Geraldo Eugenio.

Postado em 27/05/2021 2021 11:34 , Agronegócios. Atualizado em 27/05/2021 13:42

Colunista

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

Quando o assunto é agronegócio no sertão e agreste de Pernambuco, quatro arranjos se destacam: a fruticultura irrigada, a avicultura, a pecuária de leite e o gesso agrícola, sendo o último objeto de ações futuras. A fruticultura e o gesso são as atividades mais dependentes da logística de transporte, devido à distância para entrega de seus principais produtos. Já no caso da pecuária de leite e da avicultura a limitação se dá principalmente devido à distância entre as áreas produtoras de grãos nos Cerrados e o interior do estado. Portanto, sem que se cuide deste quesito, os investimentos que possam ser feitos na estruturação das cadeias produtivas devem não resultar no fortalecimento e desenvolvimento regional.

 

Integração com a região metropolitana e litoral

Entre 2006 e 2014 o estado de Pernambuco viveu uma fase áurea de investimentos sendo em particular quanto a dois polos industriais: o de Suape, tendo como carro chefe a Refinaria Abreu e Lima, planejada para processar 210 mil barris de óleo bruto diariamente e a fábrica Fiat Chrysler Automóveis, localizada em Goiana. Esses dois empreendimentos seriam aglutinadores para centenas de empresas de grande e médio porte, particularmente no setor metal mecânico. Ao mesmo tempo, Pernambuco contaria com dois polos industriais não menos importantes: a construção naval e a indústria de energia eólica. A consolidação desta mudança radical na economia da região metropolitana e Região do Litoral estaria completa com a integração entre a economia do interior, dinamizando a produção de produtos que seriam consumidos por uma nova classe média, em particular no que se refere aos produtos alimentares, moda e turismo, o que infelizmente não se deu na devida abrangência e robustez.



Frete: custo e qualidade

A energia a ser investida na integração regional não se consolidou. Alguns empreendimentos, depois de instalados fecharam as portas, em particular as fábricas de geradores eólicos e os estaleiros e ainda hoje a maioria dos produtos alimentares lácteos, carnes, massas e cereais consumida na região metropolitana e litoral é proveniente de outras regiões do país. Uma questão fundamental foi objeto de anúncios e comemorações: a expansão da BR 232 de São Caetano até Cruzeiro do Nordeste, Sertânia, a 284 km da capital e a chegada dos vagões da Ferrovia Transnordestina ao Porto de Suape, aguardando decisões.

 

A BR 232 e a Transnordestina

Estes dois eixos modais fazem a espinha dorsal do estado de Pernambuco. Sem eles funcionando a contento, nosso desenvolvimento será localizado e dependente de dois empreendimentos: a Refinaria Abreu e Lima e a montadora de automóveis que são estratégicas, mas podem não ser eternas, basta ver o que ocorreu com as decisões recentes da montadora Ford. No caso da autoestrada, será fundamental que Pernambuco procure expandir a BR 232 até Cruzeiro do Nordeste, em Sertânia e a recuperação do trecho Recife-São Caetano. Vale lembrar que este empreendimento se tornou realidade no governo Jarbas Vasconcelos com recursos oriundos da privatização da Celpe, podendo ser considerado como a reviravolta na história econômica recente de Pernambuco. O segundo caso diz respeito à conclusão da Ferrovia Transnordestina. Da forma em que se encontra ela estará fadada a ser um modal de escoamento que trará grandes benefícios ao Porto de Pecém, no Ceará, mas muito pouco ao Porto de Suape ou à integração da economia estadual. O fortalecimento das cadeias produtivas da fruticultura irrigada, com seus pólos no Vale do São Francisco e na Bacia do Jatobá; da produção de carne, leite e ovos e sua inserção no mercado regional e internacional; o uso do gesso agrícola na produção de grãos do Cerrado brasileiro e o transporte de mercadorias, eletrodomésticos, combustíveis, automóveis e pessoas entre o litoral e o oeste do estado dependem da ferrovia em funcionamento pleno. Em não se consolidando esses investimentos Pernambuco corre o risco de ver a economia do Sertão do Araripe e Sertão Central ser atraída por Fortaleza e a do Vale do São Francisco migrar para Salvador, movimento centrífugo em curso. O que seria lamentável.

 

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agronômo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é pesquisador do IPA e colaborador da empresa Inovate Consultoria & Projetos Ltda. Foi secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Viveu parte de sua vida em Serra Talhada, dedicando-se à agricultura de sequeiro e no Vale do São Francisco, quando liderou o programa de Hortaliças, do IPA. Atualmente tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas de gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.