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Pernambuco, 19 de junho de 2021

Bem Estar

As depressões na atualidade e o processo psicanalítico Por Daniel Lima

A vida corrida e sujeitas a normas e padrões sociais, como referência, muitas vezes debilita as pessoas emocionalmente, levando-as à depressão.

Postado em 02/06/2021 2021 19:22 , Bem Estar. Atualizado em 02/06/2021 19:34

Colunista

Daniel Lima – Teólogo, Filósofo e Psicanalista/GBPSF/ISFN. @daniellima.pe

Atualmente o padrão para uma vida ideal oscila e varia muito, pois não basta viver com equilíbrio e tranquilidade é preciso ter um sucesso financeiro ou profissional. As pessoas são valorizadas por suas posses, de modo que popularmente dizemos: “somos valorizados pelo que temos e não pelo que somos”. Sendo assim, muitos pensam que só serão felizes, valorizados e aceitos se estiverem de acordo com o modelo proposto. Então, ser feliz é praticamente uma obrigação social. 

 

Não Confundir Depressão com Tristeza.  

Daí  também o crescimento de distúrbios psíquicos, como por exemplo, estresse e depressão. Historicamente, a depressão inicialmente  foi falada pelos filósofos como uma expressão de um mal funcionamento orgânico (disfunção da biles – amarela , preta, etc…) que denunciava um mal estar da “alma”, a palavra utilizada por eles  tem origem no grego melano chole (melancolia), significando bílis negra. O termo depressão tem origem no latim depressare, do verbo deprimere – de = para baixo; premere = pressionar. Descrita pela primeira vez no início do século 20, a depressão ainda hoje é confundida com tristeza, sentimento comum a todas as pessoas em algum momento da vida. A depressão é muito variada, e caracteriza-se por um conjunto de sintomas que interferem a capacidade de estudar, dormir, trabalhar, comer e até divertir-se. Todavia, alguns sintomas de depressão são bem significativos e devem estar presentes: humor deprimido, perda de interesse ou prazer. 

 



Depressão Afeta 5% da População Mundial.

Estes sintomas predominam a maior parte do dia, no mínimo duas semanas, na maior parte dos dias. Em outras palavras, a depressão é caracterizada por uma tristeza duradoura, profunda e sem causa específica. Felizmente, novas intervenções aumentam as chances de que pessoa encontre as estratégias mais adequadas para seu caso. Conhecida como Transtorno Obsessivo Maior, a depressão é um transtorno psiquiátrico que afeta pessoas de todas as idades por motivos diversos. A OMS (Organização Mundial de Saúde) apresentou dados em 2012 informando que a depressão afeta aproximadamente 350 milhões de pessoas, cerca de 5% da população mundial. Estimou-se  que até 2020 a depressão seria  a principal doença mais incapacitante em todo o mundo, pois a pessoa deprimida deixa de produzir e tem a sua vida pessoal bastante prejudicada, pois fica bloqueada diante da vida sem estímulos, fazendo com que se engaiole em si próprio.

 

Caracterização Psicopatológica 

Depressão, dor e angústia dizem respeito à expressão afetiva da intensidade pulsional, não fazendo parte de uma caracterização psicopatológica específica. A depressão é, assim, um estado de vazio, de ausência, correspondendo a um tempo parado expondo o lugar e espaço, o fundo em relação ao qual ecoa o tempo da psique e permitindo dizer que ela define-se por uma posição econômica que concerne a uma organização narcísica do vazio segundo uma determinação própria para a inalterabilidade tópica da psique. (Berlinck & Fédida, 2000, p. 15). O tratamento da depressão costuma ser psicoterapia associada com acompanhamento psiquiátrico. Assim, possibilita um reencontro do sujeito consigo mesmo, pois o sujeito precisa reencontrar-se com os recursos psíquicos saudáveis que havia deixado de lado,  como a capacidade de observação, capacidade de expressar sentimentos, perseverança e capacidade de aprender a lidar com as experiências de frustração ou fracasso. Somente a partir da análise das repetições sintomáticas o sujeito poderá desenvolver possibilidades mais saudáveis de agir e reagir. 

 

Processo Psicanalítico 

O processo psicanalítico tem como levar o sujeito a analisar o emaranhado de fantasias e conflitos inconscientes que o envolveram e fizeram perder o contato com seus potenciais, colaborando para a reconstrução de uma autoimagem mais positiva. A escuta psicanalítica dos sintomas depressivos está centrada na problemática narcísica de constituição da subjetividade, tendo variações em sua compreensão dentro da psicopatologia psicanalítica, mas nunca configurando uma estrutura específica, estando presente em diversas configurações estruturais. Sendo assim, as depressões são mais um sintoma a ser interpretado no quadro geral da estrutura subjetiva de cada sujeito do que propriamente um rótulo ou categoria psicopatológica. No campo psicanalítico também existem diferenças quanto à compreensão essencial dos estados depressivos e seu manejo clínico, mas apesar disso, pode-se notar também certa convergência em sua dimensão fundamental, com importantes implicações éticas que apontam para o seu lugar de destaque na atualidade.

 

Quem é Daniel Lima Gonçalves: Psicanalista, Filósofo e Teólogo.
Membro do Grupo Brasileiro de Pesquisas Sándor Ferenczi – GBPSF; Membro da International Sándor Ferenczi Network – ISFN; Membro Emérito – Sociedade Pernambucana de Estudos Psicanalíticos – SPEP; Estudo Permanente em Psicanálise no Instituto Nebulosa Marginal – INM; Especialista em Psicanálise e Teoria Analítica – FATIN; Especialista em Filosofia e Autoconhecimento – PUCRS; Extensão em Certificação Profissional em Neurociências – PUCRS; Pós-graduando em Ciências Humanas – PUCRS; Cursando Formação na clínica psicanalítica com adultos – CPPLRecife.
@daniellima.pe    daniellimagoncalves.pe@gmail.com