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Pernambuco, 25 de setembro de 2021

Agronegócios

O Ministro Paulinelli, o Prêmio Nobel da Paz e o semiárido brasileiro Por Geraldo Eugenio

Hoje, o país está unido em prol da candidatura do Dr. Alysson Paulinelli ao Prêmio Nobel da Paz 2021. O Brasil já mereceu tal reconhecimento, desde Mário Schenberg, à Dom Helder Câmara ou à Dra. Johanna Dobereiner. Lamentavelmente, por razões que não valem a pena aqui discutir, não conseguiu. Por que Paulinelli merece esta honrosa distinção Soma-se a esse feito, que só por isto o coloca entre os grandes benfeitores da humanidade, um grande acordo com a instituição de cooperação agrícola do Japão, a JICA, que apoiou de modo determinante o desenvolvimento do Cerrado do Brasil; modernizou e universalizou o sistema de crédito e apostou no aumento da demanda por alimentos e matérias primas e tornar o país supridor de suas necessidades e ser um dos principais atores no comércio internacional de alimentos no mundo.

Postado em 03/06/2021 2021 01:18 , Agronegócios. Atualizado em 03/06/2021 01:19

Colunista

 

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

O fantasma da fome

O Brasil sempre foi um país agrícola, mas até pouco tempo atrás não se destacou como um grande produtor de alimento. No primeiro momento, seu principal produto foi a madeira do pau-brasil; seguiu-se da cana-de-açúcar produtora de tão demandado produto que era o açúcar, seguindo-se pelo cultivo do café. Nos anos setenta do século passado, o Brasil era um importador de alimentos e não conseguia produzir o que sua população necessitava. Era um país fadado à fome e a convulsões advindas da escassez de alimentos. Foi aí que um grupo foi acionado para avaliar qual era nossa limitação e detectou-se que de fato não tínhamos tecnologia que nos garantisse o alimento necessário.

 

O Brasil transformou sua agricultura

O ministro da agricultura de então, o gaúcho Luiz Fernando Cirne Lima, solicitou de um grupo de especialistas opções que permitissem a mudança desse quadro e criar uma instituição que pudesse transformar o país como um exemplo de agricultura moderna. Foi aí que surgiu a Embrapa, em setembro de 1973. Outras medidas foram tomadas como o apoio ao crédito agrícola, fortalecimento do sistema de extensão rural e pesquisa agropecuária nos estados, infraestrutura viária e fortalecimento do sistema universitário voltado às profissões agrárias. O Brasil deixou de produzir 44 milhões de toneladas de grãos em 1973 para 270 milhões de toneladas em 2020/21, destacando-se especialmente pe elevação da produtividade e, em menor escala, a área cultivada. Um grande feito.



Quem é quem nesta história

Alguns personagens merecerão destaque e deverão ser objeto de outras crônicas no Jornal do Sertão, dentre essas antecipo o respeito e admiração por José Irineu Cabral, pernambucano de Surubim e primeiro presidente da Embrapa entre 1973  1978; Eliseu Roberto de Andrade Alves, um dos primeiros diretores-executivos e segundo presidente da instituição; Luiz Fernando Cirne Lima e o pernambucano José Francisco de Moura Cavalcanti, ministros da agricultura que conceberam e cuidaram no primeiro momento desta casa e Alysson Paulinelli, ministro da agricultura em 1974 e 1979 e aquele que à frente da pasta foi determinante na consolidação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa.

 

Por que Paulinelli merece esta honrosa distinção

Soma-se a esse feito, que só por isto o coloca entre os grandes benfeitores da humanidade, um grande acordo com a instituição de cooperação agrícola do Japão, a JICA, que apoiou de modo determinante o desenvolvimento do Cerrado do Brasil; modernizou e universalizou o sistema de crédito e apostou no aumento da demanda por alimentos e matérias primas e tornar o país supridor de suas necessidades e ser um dos principais atores no comércio internacional de alimentos no mundo. Hoje, o país está unido em prol da candidatura do Dr. Alysson Paulinelli ao Prêmio Nobel da Paz 2021. O Brasil já mereceu tal reconhecimento, desde Mário Schenberg, à Dom Helder Câmara ou à Dra. Johanna Dobereiner. Lamentavelmente, por razões que não valem a pena aqui discutir, não conseguiu. Agora vamos apoiar, torcer e vibrar com esta conquista que poderá recair sobre os ombros desse concidadão mineiro, ex-professor de agronomia na Universidade Federal de Lavras, ex-Ministro da Agricultura, ex-Secretário de Agricultura do estado de Minas Gerais; ex-Deputado Federal por Minas Gerais, líder empresarial do setor rural, produtor agrícola e um homem de boa vontade. No momento, através do Fórum do Futuro, uma iniciativa sua, está a conceber um programa de desenvolvimento para o semiárido brasileiro. Iniciativa na qual Pernambuco deverá ser um estado fundamental em demonstrar a viabilidade econômica e social, através da valorização da caatinga e de uma agricultura sustentável.

 

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agronômo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é pesquisador do IPA e colaborador da empresa Inovate Consultoria & Projetos Ltda. Foi secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Viveu parte de sua vida em Serra Talhada, dedicando-se à agricultura de sequeiro e no Vale do São Francisco, quando liderou o programa de Hortaliças, do IPA. Atualmente tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas de gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.