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Pernambuco, 04 de agosto de 2021

Cidades

O Sertão otimista com chegada do GNV à região

O que motivou a chegada do Gás Natural em Petrolina foi a importância do município na economia de Pernambuco, com um importante crescimento comercial e industrial

Postado em 14/06/2021 2021 14:52 , Cidades. Atualizado em 14/06/2021 14:51

Jornalista , Editor Antônio José em Cidades

Primeira fase de implantação da oferta de GNV para Petrolina será em julho

O mercado e os setores produtivos do Sertão pernambucano receberam de forma bastante positiva a notícia da chegada a partir de julho,  do Gás Natural Veicular (GNV) a ser ofertado aos motoristas de Petrolina e cidades vizinhas para o abastecimento de seus veículos. Essa será a primeira fase do processo de interiorização do gás natural executado pela Companhia Pernambucana de Gás – Copergás-. 

No planejamento da Copergás,  está previsto investimentos de R$ 370,4 milhões no Estado,  para o período 2021-2025, como parte do seu plano de Estratégia de Longo Prazo (ELP). A aplicação dos recursos destina-se a uma série de ações que atendem às necessidades da expansão da malha de distribuição para o interior e Região Metropolitana, como parte das obras,  para adequar a empresa às demandas do mercado de gás natural. 

 

Estímulo à Novos Investimentos

Para o diretor da unidade regional da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (FIEPE), no Sertão do Francisco, com sede em Petrolina, Albanio Venâncio, a luta dos setores para que esse fato inédito acontecesse é muito antiga, mas há de se celebrar. “Pelo uso de algo mais barato, vai alavancar, transformar e dá vida a novos investimentos. Isso é uma inovação que só vai fortalecer a todos da região”, pontuou. Em tempos de pandemia, investimentos desse porte a serem feitos pela Copergás, segundo o gestor regional da FIEPE, vão se traduzir futuramente em novos modelos e diminuir os impactos tanto ambientais como econômicos na Região. “O modelo de tubulação seria o ideal para toda a região e o custo final seria menor para os representantes de postos de combustíveis, por exemplo”, disse Venâncio. “Avaliamos que diante do momento que vivemos, tudo que venha a diminuir impactos e custos para o setor produtivo e a população em geral é atrativo e Petrolina será muito beneficiada”.



Perspectivas de Investimentos em Frotas de Caminhões.

Para o setor industrial, segundo o diretor da FIEPE, muito além da questão ambiental, traz também uma perspectiva futura de investimentos em frotas de caminhões mais pesados com tecnologia de uso do GNV. “A Copergás está chegando no momento ideal. 

Existe um projeto do Governo da Bahia de estender o gasoduto que iria para Juazeiro, mas parece que está no meio do caminho. Então, é importante esse primeiro passo”, opinou o gestor.

 

Visão Estratégica 

Junichi Tano, diretor superintendente da Niagro-Nicherei, maior exportadora de acerola no mercado mundial, com sede em Petrolina, corroborou com a avaliação do diretor da FIEPE. A empresa, por sinal, é a maior consumidora de GLP(Gás Liquefeito de Petróleo) no Sertão. “Com certeza o impacto será positivo, mas para nossa companhia, para nossos negócios, o resultado em curto e médio prazo será menor, por conta do atraso da chegada e tivemos que renovar o GLP por mais dois anos”. 

O executivo da Niagro acredita que do ponto de vista de economia para a população será muito positivo. “A gasolina aqui no Sertão tem um valor bastante alto. Para a indústria será mais viável, porque também tem um custo menor que o GLP e o butano, além de ser uma alternativa não poluente e com menos aumentos de valores como o GLP”, acrescentou.

Construção de um gasoduto seria o ideal para a região, na opinião do diretor regional da FIEPE, Albanio Venâncio

 

Estação de regaseificação de GNL

De acordo com a Copergás, numa  segunda fase, também prevista para julho, dará início às obras de uma estação de regaseificação do gás natural, para que seja convertido da forma líquida para a gasosa, assim como uma unidade de custódia e uma rede local de gasodutos. Após a conclusão da rede, todo o transporte do Gás Natural Liquefeito (GNL), que é o gás em estado líquido, será feito pela Golar Power do Brasil por via rodoviária, em caminhões-contêineres refrigerados, até Petrolina. De acordo com o cronograma de obras da Copergás, até o fim deste ano, em dezembro, as obras dessa segunda fase devem ser concluídas, possibilitando a ampliação do fornecimento do gás natural para mais indústrias, postos de GNV e clientes comerciais e residenciais no município. “Com a conclusão da segunda fase, estará disponível para mais clientes, nos diversos segmentos em que o gás natural é empregado (industrial, comercial, residencial, veicular)” informou a Copergás.

 

Importância de Petrolina motivou escolha da Copergás

Segundo Fábio Morgado, gerente de comercialização veicular e industrial da Copergás, em entrevista ao JS online,  o que motivou a chegada do Gás Natural em Petrolina foi a importância do município na economia de Pernambuco, com um importante crescimento comercial e industrial. “Desta forma, a gente entende que essa implantação vai agregar muita eficiência na produção das atividades industriais e comerciais da cidade”, explicou. Ainda, segundo Morgado, a rede de gás em Petrolina deve permitir a expansão do gás para cidades vizinhas. “A partir de agora, se torna viável implantar outros projetos de rede local, caso haja demanda, para as atividades comerciais e industriais em outras cidades da região.

Numa  segunda fase, também prevista para julho, dará início às obras de uma estação de regaseificação do gás natural

Benefícios ao Polo Gesseiro

Caso se concretize a expansão da oferta do Gás Natural para cidades vizinhas a partir de Petrolina, o polo gesseiro pode se beneficiar tanto no aspecto do processamento industrial do mineral, que poderá ser feito a partir da matriz limpa do GNL, como também na questão relacionada a preços. “Ficaria com custo bem mais barato, mas para se chegar a isso precisaria haver uma mudança de política pública no social e no ambiental lá na região do Araripe, para que ocorra essa transformação da matriz energética. Hoje, o governo deveria pensar em imposto zero, pensando em outro desenvolvimento, qual seja, tecnológico, geração de emprego e renda, além da questão ambiental. A busca é viabilizar, mesmo com custo pequeno”, opinou Josias Inojosa de Oliveira Filho, diretor geral da Indústria de Gessos Especiais Ltda, localizada no polo gesseiro do Araripe.