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Pernambuco, 08 de dezembro de 2021

Agronegócios

Também temos café Gourmet Por Geraldo Eugenio

Uma bebida mágica. Para uns, acalma. Para outros um poderoso estimulante. O certo é que não são poucos aqueles que necessitam de ao menos, um cafezinho ao dia.

Postado em 24/06/2021 2021 10:44 , Agronegócios. Atualizado em 25/06/2021 11:22

Colunista

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

Não foi à toa que os pastores de cabras nas montanhas da Etiópia ficaram a se perguntar por que seus animais ficavam tão excitados ao comer os frutinhos vermelhos daquele arbusto tão bonito. Esta planta mágica tomou o mundo e, chegando ao Brasil, foi tão bem adaptada que por longas décadas foi o principal produto de exportação pelo agronegócio nacional, chegando, nos anos 60 do século passado a representar ao redor de 70% de toda a pauta de comércio exterior do país.

 

Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo

Cresceu em ambientes como o Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo tornando,  senão a primeira, ao menos uma das principais atividade econômicas desses estados. Destacando-se o tipo arábica nos três primeiros estados citados e o café robusta, no estado do Espírito Santo, seu principal produtor. Um produto tão nobre não ficaria retido a um único país produtor, logo surgiram outros fortes concorrente do Brasil, a exemplo da Colômbia,  com seu simbólico Juan Valdez e outros países asiáticos,  a exemplo do Vietnam. Isto abalou um pouco a posição do café brasileiro,  que passou a ser considerado um produto de segunda,  nos mercados mais exigentes. Depois de um longo tempo,  os produtores e instituições de pesquisa, universidades,  agentes governamentais investiram na recuperação da cultura,  e hoje o café brasileiro volta a ser considerado um dos melhores à nível mundial, sendo o país o principal produtor desta bebida.



Garanhuns, Brejão, Taquaritinga e Triunfo

E em Pernambuco, há café? Ao se visitar o Agreste Meridional,  não são raras as estórias que se ouve sobre as plantações de café de Garanhuns e Brejão e a respeito as fazendas, os casarões, os pátios para secagem e os armazéns. Isto ficou para o passado e são poucos os produtores que restaram. No município de Taquaritinga do Norte, nas áreas mais altas do Agreste Setentrional, a cultura permaneceu aparentemente escondida e como parte de um nicho em seus montes e encostas. Produtores empreendedores irrequietos insistiram em permanecer na atividade e hoje, é com alegria que ouvimos o jornalista Romualdo de Souza, ao cobrir as notícias de Brasília para a rádio Jornal do Commércio,  também dar as dicas sobre um bom café e falar de quão importante e saboroso é o café das serras de Taquaritinga. Um outro ambiente em que esta espécie insistiu em se permanecer, foi  em Triunfo, no Sertão do Pajeú, município conhecido por sua altitude de quase um mil metros e seu clima ameno durante a maior parte do ano. Louve-se à resistência daqueles que mantiveram a tradição e a produção do café no estado.

 

O café gourmet de Pernambuco tem espaço

Provavelmente jamais competirá no mercado de comodities,  com outros estados produtores, mas poderá fazê-lo em ambientes que exige um café de qualidade, com uma marca histórica a partir de cultivares que já não são encontrados em outras regiões e um atrativo não apenas para o ambiente produtivo, mas como um forte elo com o segmento turístico. Antes citamos os estados de Minas Gerais e Espírito Santo não por acaso, mas por haverem investido fortemente na qualificação do produto, valorizado a pequena empresa das regiões serranas e tornar suas marcas capazes de reconhecimento em qualquer ambiente sofisticado e que preza uma boa bebida. Pernambuco pode fazer algo similar, assim, além dos cafés da capital, centenas de turistas passariam a visitar o interior, conhecer as belezas naturais, os costumes, a culinária, o artesanato e bebericar um bom café pernambucano. Ainda traria suas belas embalagens como uma lembrança especial aos amigos. Este é o movimento que se vê em Minas e no Espírito Santo. Tal iniciativa é capaz de ser adaptada com grandes chances de sucesso,  aqui entre nós. Pernambuco necessita de criatividade e opções. O café continua à sua espera.

 

Quem é Geraldo Eugênio: Engenheiro Agronômo, com mestrado na Índia e doutorado e pós-doutorado nos na Texas A&M University, Estados Unidos, é pesquisador do IPA e colaborador da empresa Inovate Consultoria & Projetos Ltda. Foi secretário de agricultura de Pernambuco, Presidente do IPA, do ITEP e Diretor Executivo da Embrapa. Viveu parte de sua vida em Serra Talhada, dedicando-se à agricultura de sequeiro e no Vale do São Francisco, quando liderou o programa de Hortaliças, do IPA. Atualmente tem acompanhado de forma direta políticas, tecnologias e iniciativas de gestão de secas, no Brasil e no exterior. Considera essencial entender melhor o Sertão, visualizando-o como um grande ambiente de negócios e sucesso.