
Agricultura Familiar, Políticas Públicas de Desenvolvimento Territorial rural no Brasil e os conselhos: limites e possibilidades
O modelo de gestão de Políticas Públicas busca implementar uma forma descentralizada visando melhoria nas atividades
Postado em 25/06/2021 10:29

Bárbara Samapio Assistente Social
Enfrentamento da Questão agrária e a inserção da agricultura familiar nas políticas públicas de desenvolvimento rural no Brasil
A agricultura familiar, até a década de 1990 não era vista como uma categoria “”, sendo assim ainda não existia políticas públicas e programas sociais específicos que atendessem as suas demandas.
A partir do enfrentamento da questão agrária (no governo de FHC e Lula), da implementação do PRONAF (1996), do reconhecimento da importância desse segmento por instituições internacionais, como: a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), pelo Banco Mundial (BIRD), e dos estudos de Abramovay (1995), Neves (2007), Veiga (1995), houve um (re) posicionamento e (re) conceituação da agricultura familiar que contribuiu para a consolidação deste segmento e sua inserção no cenário das políticas públicas.

Com a inserção da agricultura familiar nas políticas públicas este segmento produtor passa a ser visto não somente como importante no abastecimento e segurança alimentar para combater a fome, pobreza e miséria, mais também como alternativa ao desenvolvimento local e territorial, através da geração de emprego e melhoria na renda. Isso porque as políticas sociais rurais, além de ter seu foco na redução da pobreza e das desigualdades sociais, também intervêm na dinâmica econômica territorial.
Conselhos e a importância da participação dos agricultores familiares nestes como condição ao desenvolvimento territorial
O apoio dado à produção familiar agrícola tem se revelado uma estratégia para dinamizar a economia de muitos municípios brasileiros e com grande potencial para a redução da desigualdade social e pobreza em territórios rurais que passam por uma fase de estagnação econômica.
Sendo assim, com a redemocratização, as políticas públicas rurais e seu caráter excludente passa a ser implementadas por um modelo de gestão descentralizado e participativo através do estabelecimento de uma “nova” relação entre Estado e sociedade civil através da criação de instâncias de participação e representação, entre outras, os conselhos Municipais e Territoriais.
Nessa década há uma discussão sobre a necessidade da participação social nas instâncias de gestão democrática e participativas a fim de potencializar a democratização do poder decisório dos conselhos. No entanto, apesar das contradições e fragilidades, tais como: a restrição desses aos limites administrativos dos municípios e da agricultura, à fragilidade que esses apresentam para se articular com outras instituições e atores sociais e, por caracteriza-se como instância de decisão apenas voltada aos recursos e não as potencialidades locais.
Desse modo, compartilho da perspectiva de que a formulação e implementação de políticas públicas permitam canais de participação social para o seu monitoramento e redefinições, além de se configurar como uma estratégia importante para o planejamento estatal a fim de combater as desigualdades econômicas, sociais, que consequentemente promovem o desenvolvimento territorial dos municípios.
Quem é Bárbara Sampaio: Graduada em Serviço Social – UFPE
Assistente Social da Secretaria de Assistência Social do município de Cabrobó;
Microempreendedora individual (MEI) – Bárbara Sampaio – Formação Social e Mentoria
Mestra em Serviço Social (UFPE)
Membro do grupo de estudo LAE-Rural (UFPE)
Autora do livro: Participação dos agricultores familiares no Conselho de Desenvolvimento Rural do município de Cabrobó-Pe
@mestrabarbarasampaio