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Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Cultura

A lenda da Carranca 

Proteção contra os mistérios das águas

Postado em 23/07/2021 2021 17:46 , Cultura. Atualizado em 23/07/2021 17:46

Jornalista , Editor Antônio José em Cultura

Bruno Alexandre
Professor e Escritor
Colunista do Jornal do Sertão

 

Que o  Rior São Francisco é um rio habitado por criaturas estranhas e assombradas isso todo mundo já sabe, mas o que talvez nem todo mundo conheça, é que existe um símbolo capaz de afastar e proteger dessas criaturas é  a pessoa que o carrega: as famosas carrancas. Símbolo do povo ribeirinho, as imagens dos seres metade humanos e metade animal, são estampadas nas embarcações com o objetivo de espantar os maus espíritos que rodeiam as embarcações. Segundo o Centro da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, as primeiras carrancas datam do ano de 1880 e desde então marcam presença na cultura popular entre os pescadores. 

 

A dama do barro

Não dá para se falar em carrancas e não falar no maior nome quando se trata deste tipo de escultura: Ana das carrancas, a dama do barro. Nascida em Santa Filomena, distrito de Ouricuri, Ana mudou-se para Petrolina onde encontrou o barro às margens do São Francisco. Ana costumava larvar roupa às margens do rio, onde conheceu muitos pescadores que lhes falavam sobre a imagem das carrancas, o que fez com que ela decidisse dar formas figuras criadas em seu imaginário. 

Foto Carol Duque

 Ana das Carranca

Ana começou a produzir carrancas de barros e levava para vender na feira, junto às louças que já vendia, foi ali onde tudo começou. Ana faleceu em 2008, mas deixou seu legado como uma das maiores e mais importantes artesãs de Pernambuco e do Brasil. Hoje, o seu legado continua nas mãos de suas três filhas que cuidam do centro cultural Ana das Carrancas, localizado no bairro Cohab Massangano, em Petrolina, onde duas delas seguem dando continuidade à produção de carrancas.

 

A nossa história não pode ser apagada.

Sem dúvida alguma Ana das carrancas é uma das mulheres e artesãs mais importantes para a história, cultura e tradição pernambucana, nordestina e brasileira. Porém, a sua história e suas obras não são tão valorizadas como deviam, o que provoca um apagamento de seu legado e da sua importância para a cultura, principalmente na cidade onde Ana fez história.

 

Cultura e Tradição 

Infelizmente, muitos petrolinenses não conhecem e/ou não valorizam a história dessa mulher guerreira e muito se deve ao fato da não tradição de um povo e das autoridades em preservar a sua história, que o diga a Petrolina antiga, que vem deixando de ser antiga aos poucos. O poder público e as autoridades competentes precisam estimular e manter acesa no imaginário popular as tradições da terra por meio de politicas de preservação e investimentos na cultura local. A cidade precisa respirar sua cultura e suas tradições em todos os lugares, nas ruas, nas escolas ou nos pontos turísticos, a nossa história não pode ser apagada.

 

Bruno Alexandre. Licenciado em química e professor de ciências no ensino fundamental II, em Petrolina. Conta lendas, causos e histórias sobre o sertão no tik tok e no Instagram.