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Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Economia

Os esportes radicais como instrumentos de inclusão social POR JOÃO RICARDO

Vamos aproveitar a oportunidade de estarmos assistindo a Olimpíada de Tóquio, as duas medalhas de prata conseguidas no skate masculino e feminino e o ouro no surf masculino,  para falar sobre a importância da inclusão social através do esporte. 

Postado em 27/07/2021 2021 16:22 , Economia. Atualizado em 27/07/2021 17:16

Economista João Ricardo de Lima Prof. da Facape de Petrolina, escreve quinzenalmente sobre Economia & Negócios para o JS.

Para buscar o desenvolvimento econômico, os gestores devem investir em duas áreas principais, a educação e o esporte. É possível uma pessoa mudar sua condição socioeconômica através de investimento em educação e/ou ao se destacar em algum esporte. Os países desenvolvidos cuidam muito bem disso. Nos Estados Unidos, por exemplo, aqueles com maior destaque em alguma modalidade,  normalmente,  ganham bolsa de estudo nas Universidades. Então, a educação e o esporte se complementam.

 

No Brasil  historicamente o futebol é considerado um esporte de ascensão social

O Brasil tem um histórico em que muitas crianças enxergam normalmente o futebol como um esporte de ascensão social. Nas olimpíadas, em geral, conhecemos histórias de vida que mostram a existência de inclusão e mobilidade social através de outros esportes. O skate é um deles, o surf, a canoagem, o boxe, são outros exemplos. O skate é um esporte radical, assim como patins, BMX, kitesurf, surf, etc. A mais jovem medalhista olímpica do Brasil, Rayssa Leal, de 13 anos de idade, é uma nordestina da cidade de Imperatriz no Maranhão, distante cerca de 630 km da capital, São Luís. Ela ganhou a medalha de prata no skate modalidade street.

Assim, atingiu seu objetivo e sonho através dos esforços dos pais e do amor pelo skate. Outro nordestino, o potiguar Ítalo Ferreira, ganhou o primeiro ouro do Brasil nesta olimpíada e o primeiro do surf. No início passou pelas mesmas dificuldades da Rayssa, já que é de família humilde, surfava usando as tampas de isopor que seu pai usava para guardar os peixes que pescava. Ambos mostraram que não é necessário estar nas regiões mais desenvolvidas do país para terem sucesso. 

Wander Roberto AG Brasil

 

O Sertão tem potencialidades esportivas  a serem exploradas

O sertão tem diversos artistas e esportistas famosos que se destacam nacional e internacionalmente. Isto pode crescer exponencialmente se os gestores perceberem o tanto que é importante investir em diferentes modalidades esportivas também, não apenas em campos ou quadras de futebol. A nossa fruticultura é fantástica, os investimentos em infraestrutura são muito relevantes, mas existe muito espaço no sertão para crescimento em esportes radicais, basta apoio e locais adequados para a sua prática. 

Então, a expectativa é que no sertão tenham mais pistas de skate, patins, BMX, etc., para que, quem sabe, nas próximas olimpíadas possamos ter vários atletas sertanejos lutando por uma medalha. Independente de olimpíada, ocorrerá um forte movimento de inclusão social através do esporte e passos serão dados na direção do desenvolvimento regional.

 

Quem é João Ricardo Lima: Doutor em Economia Aplicada. Coordenador da Pesquisa sobre a evolução da Pandemia no Vale do São Francisco realizada pelo Colegiado de Economia da Faculdade de Petrolina (FACAPE).