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Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Agronegócios

A soja pretende conquistar Pernambuco, um grande desafio.

Que planta interessante

Postado em 12/08/2021 2021 18:36 , Agronegócios. Atualizado em 12/08/2021 18:46

Colunista

 

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

 

Um dos capítulos mais bonitos na história da agricultura diz respeito à domesticação das plantas e seus Centro de Origem. Grande parte dos cultivos que conhecemos foram objeto de domesticação por uma grande civilização, outras nem tanto. Temos dois exemplos contrastantes ao se estudar a mandioca e a soja. A primeira pode ser considerada como um dos principais presentes que a América do Sul, destacando-se o Brasil, ao mundo e hoje faz a dieta de milhões de irmãos africanos asiáticos e sul-americanos. A segunda foi transformada em uma cultura agrícola por uma civilização que tem sua história traçada há aproximadamente cinco mil anos. A soja tornou-se a principal proteína vegetal empregada na alimentação animal e humana e a primeira como produtora de óleo comestível.

Nas pegadas do Cerrado

Na América do Sul a soja foi primeiramente plantada na Argentina e Uruguai, países de clima temperado utilizando-se variedades desenvolvidas originalmente nos Estados Unidos. Timidamente ela chegou ao Sul do Brasil, mas não demorou mostrar que poderia ser um dos diferenciais na expansão da agricultura brasileira e começou a subir pelo Cerrado de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, chegando à Roraima. Parece que os gaúchos que tanto fizeram pelo Brasil moderno ao se deslocarem não deixavam de ter no bolso um punhado de sementes de soja. A verdade é que, ao se visitar Roraima há de se encontrar os CTG´s – Centros de Tradição Gaúcha e áreas cultivadas com soja. Esses dois se tornaram inseparáveis.

 

O Brasil se torna o principal produtor mundial

Após esta subida em direção ao Oiapoque, a soja também andou na direção Leste-Oeste.  Foi se deslocando para dentro de Mato Grosso, chegando à Rondônia e Acre e, no sentido leste encontrou ambiente fértil no oeste da Bahia, primeiro em Barreiras, seguindo-se por um novo município, hoje um dos mais prósperos do estado, Luiz Eduardo Magalhães e vários outros em que ela é uma das principais atividades agrícolas. Mas não parou por aí e, do oeste da Bahia saiu em direção ao litoral, passando por Sergipe e Alagoas, que nos últimos anos tem visto a área de cultivo crescer de modo significativo.

Plantio de soja em São Joaquim do Monte. Foto de Josimario Florêncio

 

Será uma opção para Pernambuco

Em se tratando de Pernambuco também temos do que falar. Em 1996, foram instaladas duas áreas de demonstração de sorgo granífero e soja na Estação Experimental de Araripina. Iniciativa que teve como parceiros o governo do estado, através do IPA e a AVIPE – Associação dos Avicultores de Pernambuco. Cujos empresários desde então previam que em algum momento o abastecimento de milho e soja poderia não ser garantido a preços competitivos. Foi organizado um dia de campo para empresários da AVIPE, que, de ônibus, se deslocaram de Recife à Araripina, ação que tive a honra de acompanhar e registrada em fotos em um painel da Estação Experimental, laboratório ao céu aberto desde então dirigido pelo dedicado e ativo Engenheiro Agrônomo José Alves Tavares.

 

E a ideia do cultivo volta à discussão

Na última semana, o Professor Rômulo Menezes, da UFPE, e eu tivemos a alegria de acompanhar o empresário Josimário Florêncio, da Ovo Novo em uma visita técnica à cultivos de soja no distrito de Apoti, nas franjas da Zona da Mata, em Glória do Goitá e em São Joaquim do Monte que se insere nos Brejos de Altitude de Pernambuco. Não é um simples experimento, mas 70 hectares em Glória e 48 em São Joaquim. O que se pôde testemunhar a partir de depoimentos de agricultores conhecedores da cultura da soja é que aqui, o plantio de Apoti estava em melhor situação de que quando iniciaram seus cultivos em Uruçuí, no Piauí, atualmente uma das regiões agrícolas mais promissoras do país.

 

Certas conquistas demandam tempo, recursos, persistência e visão de longo prazo

Louve-se o arrojo dos produtores associados à AVIPE que não têm se cansado na busca de alternativas para manter seus negócios competitivos e permanecer com a atividade, seja de ovos ou carne, como uma das principais cadeias produtivas do agronegócio no Pernambuco. Certas conquistas demandam tempo, recursos, persistência e visão de longo prazo. Felizmente estes atributos não têm faltado aos nossos empresários