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Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Economia

O avanço da pandemia, a variante Delta e o impacto no sertão

O mundo está preocupado com o avanço da variante Delta, uma nova versão do novo coronavírus.

Postado em 17/08/2021 2021 20:59 , Economia. Atualizado em 18/08/2021 11:29

Economista João Ricardo de Lima Prof. da Facape de Petrolina, escreve quinzenalmente sobre Economia & Negócios para o JS.

Esta variante foi descrita pela primeira vez na Índia no final de 2020 e no início de agosto deste ano, mais de 140 países já haviam notificado casos, inclusive o Brasil. Ela é perigosa por ser mais contagiosa e os pacientes podem ter mais chance de serem hospitalizados, na comparação com pacientes contaminados com as cepas originais do vírus. E mesmo em países com elevado percentual da população vacinada, como os Estados Unidos e Israel, os dados mostram um crescimento no número de casos. 

 

Variante Delta

Entendo que muito mais do que assustar a população, o objetivo no momento é de informar a maior quantidade de pessoas possíveis para que todos tenham consciência da situação. O que precisamos, então, é que as autoridades em todos os níveis voltem a alertar a população sobre a variante Delta e os seus possíveis impactos na saúde e na economia, consequentemente. As pessoas precisam saber que em algum momento a variante Delta vai chegar no sertão (mesmo porque já existem casos em Pernambuco) e que ações deverão ser tomadas para aumentar o isolamento se o número de novos casos voltar a crescer exponencialmente. E que as pessoas se preparem da melhor forma para este momento e se vacinem o mais rápido possível para estarem em melhores condições de encarar esta nova fase, que pode ser complicada. 



 

Como está a situação atual no Vale do São Francisco?

Os casos novos semanais estão em forte queda, as taxas de leitos de UTI muito baixas em Juazeiro/BA e em Petrolina/PE. Muitos leitos existem ou tem a capacidade de serem abertos com rapidez. Os trabalhadores da saúde esgotados, estão tendo a chance de descansar um pouco, mas o importante é tudo o que acumularam de experiência de lidar com o vírus. A quantidade de óbitos cai a cada semana. Petrolina/PE ficou praticamente uma semana sem novos óbitos, algo que não se via há vários meses. Com o cenário atual, é impossível segurar uma com o psicológico afetado pelo tanto de tempo em isolamento, crianças com o psicológico afetado por não conseguirem se relacionar com as outras crianças. Uma população que está preocupada com uma inflação absurda que corrói o seu poder de compra, com a forte redução da renda em todas as classes sociais, sem falar no recorde de desemprego existente e que aqui no Vale é amenizado pelo nosso agronegócio. Não tem como fazer como na primeira onda da pandemia que tudo foi fechado quando apareceram os primeiros casos em São Paulo/SP e Recife/PE, por exemplo. Não se pode cometer este erro dado que temos mais conhecimento e estrutura do que no ano passado. 

 

As cidades deveriam testar em massa

Por outro lado, as cidades deveriam realmente testar em massa para, com tudo o que já passamos e aprendemos, conseguir efetivamente localizar os casos de variante Delta e isolar estas pessoas. Nos últimos 7 dias Juazeiro/BA fez cerca de 240 testes rápidos e Petrolina/PE aproximadamente 1000 testes rápidos. Isto é bem abaixo dos quase 4 mil testes que Petrolina/PE já realizou em apenas uma semana, algum tempo atras. Não é hora de reduzir a testagem. É hora de aumentar a testagem e de termos consciência da situação e do que precisamos fazer. Ao invés de falar em retirada do uso de máscara, deve ser dito da necessidade de continuar usando máscara, álcool gel, distanciamento. Só assim não teremos novamente o caso da crise na saúde voltando a levar a uma crise na economia, mesmo porque, do lado da economia, a maior parte das empresas não aguentariam um novo ciclo de comércio fechado sem irem à falência.

 

Quem é João Ricardo Lima: Doutor em Economia Aplicada. Coordenador da Pesquisa sobre a evolução da Pandemia no Vale do São Francisco realizada pelo Colegiado de Economia da Faculdade de Petrolina (FACAPE).