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Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Cultura

A nova linguagem cultural imposta ao fotojornalismo

No dia Mundial da Fotografia fotojornalista Álvaro Severo descreve como a corrida tecnológica pela melhor câmera mexeu com a fotografia e até com o jornalismo, nos últimos tempos. Mas, foi na pandemia, que a transformação foi acelerada e deu espaço ao surgimento de uma nova linguagem: a mobile jornalística por meio dos smartphone

Postado em 19/08/2021 2021 07:00 , Cultura. Atualizado em 18/08/2021 16:21

Jornalista , Editor Antônio José em Cultura

Fotógrafo Álvaro Severo com Beatriz André (Povo Makuxi) Foto: Glênio Makuxi

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Quando o cineasta baiano Glauber Rocha inventou o cinema moderno brasileiro com “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”, antecipava a simplificação das coisas que o avanço tecnológico inevitavelmente causaria. Foi assim com o fotojornalismo. Houve um tempo em que o fotógrafo precisava, além da câmera, de lentes, bateria, cartão de memória, flash, rebatedor, estabilizador, temporizador, tripé, borrifador e até produto específico para limpeza dos equipamentos.

Foto Álvaro Severo com Smartphone

Hoje apenas um smartphone moderno colocou tudo isso numa mochila e “quase” a deixou de lado.
A praticidade que a tecnologia trouxe para o fotojornalismo é vivenciada por profissionais de todo o mundo e, claro, que no Sertão pernambucano não é diferentO fotojornalista Álvaro Severo, que promove e integra diversos projetos culturais, ministra oficinas de fotografia com membros de comunidades isoladas e possui também experiência na indústria cinematográfica, conversou com o Jornal do Sertão sobre as mudanças provocadas pela inovação tecnológica.

Em busca da câmera perfeita

Para Álvaro, a busca incansável pela inovação acelerou essa transformação no universo fotográfico. “A partir de 2018, as empresas de tecnologia que trabalham na produção de smartphones começaram a investir em uma melhor qualidade de suas câmeras com os objetivos de melhorar os resultados na captura de imagens estáticas e de vídeos. Isso porque o mercado se tornou mais exigente, já como consequência de um fenômeno que vem há, mais ou menos, 15 anos, quando surgiram muitas câmeras semiprofissionais e houve um boom mundial nesse tipo de consumo”, explicou o fotojornalista.

Foto Álvaro Severo com uma DSLR

Apesar de pontuar que a corrida tecnológica pela melhor câmera entre os smartphones têm conseguido oferecer ao mercado produtos cada vez melhores, para Severo, ainda não existe comparativo com as máquinas profissionais, as DSLR. Aqui vale explicar que as DSLR são modelos profissionais com tamanho maior e que permitem a troca de lente. A principal característica delas é o jogo de espelhos e, por isso, o visor mostra exatamente a cena que pode ser capturada.
“Temos excelentes modelos hoje, mas eles ainda não chegam num comparativo de competição mesmo com as DSLR. Mas a gente não está longe de chegar nisso. Acredito que em pouquíssimo tempo nós vamos ter smartphones que vão estar brigando pau a pau ou até superando a versatilidade de uma DSRL”, apostou Álvaro Severo.

Foto Álvaro Severo com uma DSLR

Inovação no jornalismo 

Para além da inovação tecnológica, outra mudança na relação foto/notícia/jornalismo veio da pandemia. “Dada a necessidade do distanciamento social, foi desenvolvida uma linguagem jornalística que é a mobile jornalística em que, onde quer que esteja o jornalista, ele é capaz de produzir uma notícia, de produzir um material jornalístico. E, por meio da internet, que é a grande ferramenta de conexão com as agências, com o espectador, com o consumidor de notícias. E, principalmente, produzir e transmitir através do smartphone. Então a gente tem uma revolução nesse processo. Esse jornalismo móvel ganha linguagem própria, técnicas próprias”, revela Álvaro.

Do Sertão para o Sertão

E por falar em inovação, há um exemplo sertanejo até no nome. Com a edição digital e o site, o Jornal do Sertão utiliza as ferramentas tecnológicas para levar a notícia na Palma da Mão e na velocidade que só a internet permite.
Enquanto o JS Digital leva mensalmente uma edição com conteúdo regionalizado em cada editoria, o JS online  faz o recorte sertanejo nos assuntos que repercutem na web, com uma linguagem simples e acessível. Por fim, todo o material produzido nas duas plataformas é jogado nas redes por meio do Facebook, Instagram e Twitter. Além disso, para cumprir o papel de mobile jornalismo, uma verdadeira rede criada dentro do WhatsApp leva até o leitor a notícia “na palma da mão”. Porque se é inovação e é no Sertão, tem que estar no Jornal do Sertão.