Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Economia

Turbulência na logística marítima e possíveis impactos no escoamento da produção de frutas do Vale do São Francisco. Por Augusto Barreira

A pandemia Covid-19 vem causando sérios problemas nas cadeias globais de abastecimentos. 

Postado em 30/08/2021 2021 11:30 , Economia. Atualizado em 30/08/2021 12:22

Colunista

Augusto Barreira Especialista em logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento Colunista do Jornal do Sertão

 

Serviços portuários estão sendo suspensos devido à impossibilidade de navios atracarem nos portos com tripulantes infectados, consequentemente esses navios perdem a janela de atracação no porto o que impacta significativamente na programação dos embarques/desembarques das mercadorias.O fechamento total ou parcial de portos também é um fator preocupante: exemplo é o terminal do porto de Ningbo-Zhoushan, ao sul de Xangai que está fechado desde 11 de agosto, esse que é um dos portos mais movimentados do mundo. Outro caso é o do porto de Yantian, em Shenzhen,  que teve suas operações suspensas no final de maio e o bloqueio do canal de Suez que evidenciou a tempestade perfeita na logística global.

Escassez de containeres

Outro sintoma que agrava esse mau tempo é a escassez de containers. Em 2020, logo após as medidas de restrição de circulação de pessoas em diversos países do globo, o famoso “lockdown”, provocou nesse primeiro momento uma forte retração do comércio, setores da atividade econômica interromperam suas atividades pressionando as companhias de navegação a adotarem também medidas contingenciais, como cancelamento de chamada nos portos e omissões de serviços em determinadas rotas, tudo isso para diminuir o impacto da baixa demanda. Em contrapartida, desde do segundo semestre do ano passado, a substancial retomada da economia em diversos países levou a um aumento nos níveis de demanda do comércio internacional elevando as projeções acima da capacidade logística dos armadores e operadores portuários.

Reprodução net

 

Navios a espera de atracação 

O centro gerador de todo esse descompasso entre oferta e demanda está na China, principal player exportador de produtos manufaturados do mundo, com seus armazéns e portos abarrotados, essa miscelânea entre alta demanda mundial por produtos, falta de containers vazios e filas de navios a espera de atracação nos portos da china produziu uma disparada nos preços dos fretes marítimo, pois como os navios estão extremamente carregados de produtos sobra pouco espaço para a reposição de containers vazios nos principais terminais do mundo. No Brasil, a situação não é diferente, recentemente o Navio Douce France que atracou dia 16 de agosto, no Porto de Mucuripe,  ficou com as operações suspensas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após confirmação de casos de Covid-19. A embarcação veio ao Ceará buscar um carregamento de frutas para abastecer o mercado Europeu.

Impacto na qualidade das frutas

De fato, essas interrupções de serviços portuários e rupturas nos estoques de containers vazios, em se tratando de container refrigerado (container “Reefer”, container especial para transporte da cadeia do frio), ocasiona forte impacto na qualidade das frutas, pois quanto maior o tempo dessa fruta em trânsito mais ela irá perder suas características organolépticas, ter uma “shelf life” (tempo de prateleira) menor, concomitantemente um impacto financeiro e comercial, uma vez que, essa fruta é vendida no consignado ela não irá performar satisfatoriamente aos exportadores que ali dedicaram muita tecnologia, empenho, mão de obra, insumos, dentro da porteira. 

 

Quem é Augusto Barreira: Engenheiro de produção especialista em logística e gerenciamento da cadeia de abastecimento.