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Pernambuco, 21 de setembro de 2021

Economia

Greve dos caminhoneiros acende uma luz na diversificação na Matriz de transportes brasileira

Recentemente na última terça feira (07) o Brasil acordou com mais uma greve dos caminhoneiros, quando os manifestantes passaram a interromper as entregas com o intuito de pedir impeachment do ministro Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal (STF) e também reivindicar a alta dos preços dos combustíveis

Postado em 14/09/2021 2021 12:07 , Economia. Atualizado em 14/09/2021 12:13

Colunista

Augusto Barreira Especialista em logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento Colunista do Jornal do Sertão

 

O setor de transporte está diretamente ligado ao progresso de uma nação, pois proporciona acessibilidade e mobilidade entre pessoas e mercadorias, evidenciando o seu nível de importância na economia, viabilizando o desenvolvimento nos diversos setores de um país. Um país torna-se competitivo, na medida em que sua infraestrutura viária passa atender as necessidades e demandas para escoamento de sua produção, contribuindo decisivamente para melhorar o padrão econômico de vida geral.  Portanto, fica de fácil interpretação que os transportes, uma das atividades primária da logística, são a ponte que faz a ligação entre locais de produção e mercados consumidores agregando assim valor de “lugar” nos seus processos.

Diante dessas considerações, podemos observar que um sistema de transporte precariamente desenvolvido acarreta na limitação da extensão de mercados. A menos que os custos de produção sejam substancialmente baixos em comparação com aqueles de um segundo ponto de produção e que tal fato compense os custos de transporte envolvidos, é certo que trazendo para nossa realidade isso se torna muito distante, pois nosso custo de produção é bastante elevado devido aos altos encargos sociais, alto custo de energia elétrica, alto custo de aquisição de matéria prima e altos impostos, evidenciando que a logística de transporte se torna um diferencial competitivo diante de todas essas impedâncias referenciadas. Mais ainda, o transporte barato propicia igualmente separar os mercados dos pontos de produção contribuindo para um alto grau de liberdade na seleção das redes de suprimentos.

Agência Brasil

Recentemente na última terça feira (07) o Brasil acordou com mais uma greve dos caminhoneiros, quando os manifestantes passaram a interromper as entregas com o intuito de pedir impeachment do ministro Alexandre de Morais, do Supremo Tribunal Federal (STF) e também reivindicar a alta dos preços dos combustíveis. De imediato isso causou uma grande agitação no país com a possibilidade de desabastecimento dos mercados nacional e internacional, na região do Vale do São Francisco maior produtora e exportadora de manga e uva do Brasil o sentimento foi o mesmo, uma vez que, todas as cargas dependem do modal rodoviário para transportar suas frutas das fazendas produtoras aos portos do nordeste e assim escoar sua produção.

Dentro dessa temática, o que é de conhecimento da maioria dos brasileiros e um fato histórico para todos aqueles que trabalham no setor logístico é que o Brasil é altamente dependente do modal rodoviário, segundo o Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS), em 2019 o Brasil movimentou 61% das suas cargas por rodovias enquanto em países como Estados Unidos, China, Canadá e Austrália a média gira em torno de 31% de participação do transporte rodoviário garantindo assim, nesses países supracitados, uma plataforma modal diversificada entre ferroviária, hidroviária, dutoviário e cabotagem. Inevitavelmente para não ficarmos reféns de situações como essas que ocorreu no dia 07 de setembro e para garantir maior competitividade no cenário internacional o Brasil precisa virar a chave. Claro! continuar promovendo melhorias nas rodovias, entretanto investir na diversificação da matriz de transportes com intuito de reduzir custos para as empresas embarcadoras, visto que, somos um país produtor de commodities em larga escala e baixo valor agregado o que demanda uma maior eficiência nos fluxos logísticos.