Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 24 de outubro de 2021

Economia

O crescimento dos preços e o sentimento de empobrecimento das famílias. Por João Ricardo F. de Lima

Uma outra boa notícia é que os indicadores relacionados com a pandemia, como quantidade de novos casos, novos óbitos e leitos de UTI ocupados tem reduzido à medida que a vacinação avança. Com isto, as atividades econômicas têm conseguido se organizar para buscar a recuperação para voltar a patamares pré-pandemia

Postado em 16/09/2021 2021 11:31 , Economia. Atualizado em 16/09/2021 11:54

Economista João Ricardo de Lima Prof. da Facape de Petrolina, escreve quinzenalmente sobre Economia & Negócios para o JS.

Os sertanejos estão muito preocupados, assim como todos os brasileiros, com o forte aumento dos preços dos combustíveis nos últimos meses. Existem algumas marcas ou barreiras psicológicas. Quando o preço da gasolina ultrapassou os 4 reais, não se imaginava que pudesse chegar aos 5 reais. Quando ultrapassou os 5 reais, não se imaginava ser possível chegar aos 6 reais. Agora, com os valores próximos a 7 reais, já existem pessoas que acreditam que neste ritmo iremos pagar em um prazo não distante, 10 reais em um litro de gasolina. Já não se tem mais os valores considerados como barreiras psicológicas. Isso vale também para o botijão de gás. No Centro-Oeste os consumidores já compram por até R$135,00. No Nordeste está em média por R$ 110,00 e, em Petrolina/PE se compra por R$ 95,00, quase 10% do valor do salário-mínimo.

 

O problema é que não são apenas a gasolina e o botijão de gás que tem aumentado.

O custo da cesta básica, calculado pelo Colegiado de Economia da FACAPE, mostrou que nos últimos 12 meses o aumento médio foi de aproximadamente 30%, com alguns itens como óleo de soja, superando os 60%. Agora se tem início o período de temperaturas mais elevadas, que exige o uso de aparelhos de ar-condicionado em um maior período, exatamente com o aumento das tarifas de energia elétrica, que está com a bandeira vermelha. Na verdade, a sensação é de que tudo tem ficado muito mais caro e, como a renda não acompanha este crescimento dos preços, as famílias se sentem mais pobres a cada dia.

Felizmente o Vale do São Francisco possui a fruticultura irrigada que gera muito emprego, quase 50% de todo o emprego gerado no primeiro semestre de 2021 veio do agronegócio na região. Isto ajuda pois vivemos um período com altos índices de desemprego e muitas famílias, com desempregados, tiveram queda de renda total. Essas vivem com dupla dificuldade, redução de renda total pelo desemprego e perda de poder aquisitivo da renda existente pela inflação.


 


Uma outra boa notícia é que os indicadores relacionados com a pandemia, como quantidade de novos casos, novos óbitos e leitos de UTI ocupados tem reduzido à medida que a vacinação avança. Com isto, as atividades econômicas têm conseguido se organizar para buscar a recuperação para voltar a patamares pré-pandemia. Notadamente o setor de serviços de lazer, entretenimento, que geram também muitos empregos e renda e foram afetados fortemente nestes meses de restrição de aglomeração, tem recebido autorização para a retomada. Contudo, vai ser preciso ainda muito esforço das autoridades políticas e econômicas do país para conseguir fazer a reversão da tendência atual de empobrecimento nacional para a volta do crescimento da renda real das famílias brasileiras, com mais emprego e menos inflação. É o que todos esperam.

 

Quem é João Ricardo Lima: Doutor em Economia Aplicada. Coordenador da Pesquisa sobre a evolução da Pandemia no Vale do São Francisco realizada pelo Colegiado de Economia da Faculdade de Petrolina (FACAPE).