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Pernambuco, 04 de dezembro de 2021

Artigo

CENÁRIOS E COMPORTAMENTOS, por DIEDSON ALVES

Hoje, DIEDSON ALVES traz uma profunda reflexão sobre os impactos psicológicos provocados pela pandemia no dia a dia dos profissionais de educação.

Postado em 28/10/2021 2021 14:25 , Artigo. Atualizado em 28/10/2021 14:25

Prof. Diedson Alves Mestre em Ciência da Educação

“QUEM CUIDA DE QUEM CUIDA?!”

Tenho ratificado na minha fala o impacto que a pandemia provocou e tem provocado na nossa vida. Não apenas o vírus naquilo que os protocolos têm publicado e as agências de saúde tem exposto, tem determinado. Falo do desdobramento psicológico a partir das mudanças provocadas no que tange o labor principalmente dos profissionais da área de educação, ou seja, professores.

Sem perceber, nossas atividades foram transferidas para a versão home office, tivemos que nos adaptar rapidamente a esse novo formato, isso em várias áreas, em vários setores da economia, o engajamento em plataformas, aplicativos, as mensagens instantâneas que antes eram usadas principalmente para trocas pessoais, famílias, amigos foram invadidos por grupos e pessoas ligadas à nossa atividade profissional.

E a pergunta que fica é: De que forma esse arcabouço digital, esse ritmo imposto pelas novas tecnologias implicaram na saúde mental daqueles que viram sua rotina totalmente alterada com a pandemia?

A psicóloga Fabiana Damásio, diretora da Fiocruz Brasília, chama atenção para os problemas relacionados a saúde mental neste contexto de trabalho e sinaliza para três pilares que tem relação direta com essa discussão, são eles: tempo, espaço e condições. A mesma chama atenção para a ausência de limites entre o trabalho e vida pessoal e o entrecruzamento do trabalho com as atividades domésticas, pessoas e etc.

É unânime o reconhecimento do grande esforço dos professores, por parte de toda a sociedade, pais e alunos reconhecem tal postura de se reinventar, de buscar, de pedir ajuda, sobretudo num curto espaço de tempo. Mas também é incontável, segundo pesquisa realizada pela Nova Escola, a enorme pressão que os docentes têm sofrido diante de todos os desafios que a conjuntura pandêmica trouxe e ainda traz.

Vamos aos pontos da pesquisa publicada recentemente pela Nova Escola onde 72% dos entrevistados tiveram a saúde mental afetada e precisou buscar apoio. Análise da pesquisa ainda chega a seguinte realidade: “A classe de trabalhadores é uma das que mais sofre do chamado burnout, síndrome de esgotamento físico e mental, ainda enfrenta as angústias, medos e ansiedades por uma pandemia tão cheia de incertezas e que não se encerra no momento em que as aulas retornam ao formato presencial”.

Tudo isso atrelado à excessiva jornada de trabalho, insegurança quanto ao futuro, um trabalho sem fim, num contexto extremamente desafiador culminando com estresse mental e distúrbios alimentares. As mulheres, segundo a pesquisa, são as que apresentam maior nível de estresse, com isso fica a seguinte provocação reflexiva: “Quem cuida de quem cuida?!”
A sociedade brasileira historicamente acostumou a ver o professor apenas no viés intelectual é necessário ver esse profissional como um todo, pois aquele que está na frente do quadro pede socorro.