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Pernambuco, 24 de abril de 2024

Agronegócios

Criação do gado Nelore tem destaque no Semiárido nordestino

Criador precisa investir em uma consultoria técnica especializada, capaz de orientar a criação nas regiões mais inexploradas, e em programas de melhoramento genético de qualidade, garantindo produtividade e sustentabilidade ao rebanho 

Postado em 18/12/2021 2021 23:39 , Agronegócios. Atualizado em 18/12/2021 23:39

Jornalista ,

Animais que participam de um programa de avaliação genética vão proporcionar uma pecuária mais produtiva e de maior sustentabilidade climática

 

 

 Caderno Nelore

Detentor de um dos maiores e melhores rebanhos de zebuínos do mundo, o Brasil se destaca no mercado nacional e internacional na criação da raça nelore, característica por sua alta rusticidade e adaptabilidade às temperaturas elevadas das principais regiões do País, a exemplo do Semiárido Nordestino.

A produtividade bem sucedida do Nelore é fruto de um extenso trabalho de seleção e melhoramento genético, graças à utilização de tecnologias inovadoras introduzidas em todas as etapas de criação e reprodução, como explica o engenheiro agrônomo, Mestre em Produção Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e especialista em Julgamento da raça Zebuína, Rodrigo Madruga. 

Segundo ele, para alcançar bons resultados, o criador precisa investir em uma consultoria técnica especializada, capaz de orientar a criação nas regiões mais inexploradas, e em programas de melhoramento genético de qualidade, garantindo produtividade e sustentabilidade ao rebanho.  

“Com uma boa orientação agronômica e zootécnica, o criador tem condições de identificar na sua propriedade qual a melhor gramínea e quais as possíveis culturas de forrageira que ele poderá implantar, podendo introduzir o feno, a silagem, a palma. São alternativas que possibilitam que hoje o Nordeste tenha uma pecuária bastante produtiva e eficaz. Para isso, basta o produtor ter uma boa orientação especializada, identificar o que pode produzir e fazer reservas estratégicas, além da utilização de sal proteico e técnicas de irrigação se houver água disponível”, afirma. 

Melhoria genética

Segundo Rodrigo, hoje é impossível fazer seleção genética de raças puras sem um bom programa de melhoramento genético, porque são esses programas que dão um norte à criação da raça. “Seja no corte ou no leite, precisamos pesar o animal, pesar o leite produzido. Então, o criador que não tiver em mente um trabalho de seleção aliado a um programa de melhoramento está fadado ao fracasso, porque é o programa que vai identificar indivíduos, identificar famílias capazes de trazer o melhoramento satisfatório para o rebanho”, enfatiza o engenheiro agrônomo. 

Rodrigo Madruga, engenheiro agrônomo, Mestre em Produção Animal pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e especialista em Julgamento da raça Zebuína

Para o especialista, a região Nordeste apresenta resultados satisfatórios no que se refere ao melhoramento genético do Nelore. “A região Nordeste está bastante avançada nesse sentido, principalmente com o programa da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, que tem recebido novos adeptos em todos os nove estados da região. São criadores que estão vendo que hoje o mercado exige a compra de um reprodutor não apenas registrado, mas com avaliação genética, o que confere maior consistência e credibilidade ao trabalho de seleção, valorizando os animais”, revela. 

Segundo o engenheiro agrônomo, atualmente os investimentos em melhoramento genético também são fundamentais para atender às exigências de sustentabilidade climáticas e de produção agropecuária. “ Nós vivemos em um mundo bastante agressivo comercialmente, e com esses adventos da sustentabilidade climática e de produção temos que procurar segurança e produtividade, o que em rebanho bovino vêm através de animais com certificação genealógica, que é o registro que assegura que o animal passou por duas inspeções técnicas e não tem nenhum defeito desclassificante, estando apto para a reprodução e multiplicação de sua genética”, explica. 

Ciclo de produção

Outro fator relevante apontado por Rodrigo Madruga no contexto da sustentabilidade climática é a redução das áreas agropecuárias e, consequentemente, o encurtamento do ciclo de produção dos animais. Até a década de 1980, a pecuária abatia animais de corte com cerca de quatro anos, média de idade reduzida para dois e meio a três anos nos dias atuais.

 “Essa adaptação só foi possível porque houve um trabalho de seleção não somente pela certificação genética, mas também pela identificação de indivíduos com maior potencial de ganho de peso e fertilidade. E os animais que participam de um programa de avaliação genética têm essas duas vertentes, que aliadas proporcionam uma pecuária mais produtiva e de maior sustentabilidade climática, inclusive no que se refere à introdução de reprodutores puros e avaliados também nos rebanhos comerciais, garantindo que se produza bezerros de corte com velocidade de ganho de peso, com a carne de melhor qualidade e com melhor acabamento de carcaça, ainda que sejam criados em processo de confinamento”, concluiu.