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Pernambuco, 08 de agosto de 2022

Agronegócios

Ano de luta, que venha algo melhor

O período de mudança de ano, para nós sertanejos, se confunde com a entressafra, com o calor e com as trovoadas.

Postado em 23/12/2021 2021 21:00 , Agronegócios. Atualizado em 23/12/2021 21:49

Colunista

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

A roda do tempo não para

Lá sei vai mais um ciclo de 365 dias, o convencional ano. Desde os primórdios a humanidade associou o tempo à suas atividades do campo e desde quando deixou de ser coletor e caçador para ser agricultor, o plantio e a colheita de suas lavouras passaram a indicar períodos importantes e críticos do ano. O que ocorre até hoje. O período de mudança de ano, para nós sertanejos, se confunde com a entressafra, com o calor e com as trovoadas.

O ano de 2021 se despede com um largo sorriso. Há muito não se testemunhava um verão tão ameno. Desde outubro deste ano que a chuva cai sobre a terra sertaneja. A melhor prova disto é a cor da caatinga. Não a vimos cinza. Tem estado sempre verde e vigorosa. Ontem à noite, por exemplo tivemos uma noite típica de inverso. Amanhecer um 21 de dezembro vendo as poças de água de uma noite chuvosa não é algo trivial. Papai Noel antecipando seu presente de Natal. Ele deve estar com a entrega atrasada e resolveu passou primeiro em Serra Talhada, Salgueiro e várias outras cidades da região.

O que temos a comemorar

Do ponto de vista humano, o ano foi carrasco. Deixamos de contar com a convivência do nosso editor, o Antônio José, uma grande perda para os amigos, familiares e para o Jornal do Sertão. Embora Hélida tenha assumido o comando e vem tocando com o equilíbrio e a sabedoria necessária. Quase ao mesmo tempo também tivemos que amargar a partida do nosso amigo e irmão, Gabriel Alves Maciel, um potiguar com passaporte pernambucano e serra-talhadense. Um dos maiores especialistas em agricultura do semiárido, além de tantos amigos e familiares que fizeram a transição para a nova casa.

Depois de hesitações e boicotes vimos avançar o programa de vacinação. São milhões de brasileiros que estão em dia com as duas doses e um grande percentual já tomou a dose de reforço, o que nos leva a ver retomar as atividades normais em vários segmentos apesar da pressão incansável do vírus em nos assustar com suas mutações.
Apesar das perdas temos visto a vitória do conhecimento, da dedicação e do esforço sobre-humano em mostrar que a ciência é crível e que seu saldo é extremamente positivo. Apesar dos riscos é bom que se diga, nunca vivemos tão bem em toda a história, por mais dúvidas e medos que alguns disseminam.

Vamos insistir em nos mantermos vigilantes

Não baixar a guarda é a mensagem de final de ano. Não é por estarmos imunizados que daremos trégua ao inimigo. Ele é astuto e perigoso e ronda nossa fortaleza, mais conhecida como sistema imunológico à espera de uma brecha. Deixando-o entrar, a confusão está feita. Com o Covid 19, todos os outros problemas estão à espreita. Da coceira à gripe sem falar em outros colegas ainda mais perigosos. Estejam atentos.

Será que a humanidade aprendeu algo?

O incrível é que parece que nós temos uma profunda dificuldade em aprender e para muitos, vacinar é coisa do diabo, para outros a vacina foi desenvolvida em tempo recorde, e uma outra fração tem a coragem de vir a público dizer que tornar a vacina obrigatória é algo antidemocrático.

Vacina não tem nada ver de demoníaco. O homem usa desta tecnologia desde a segunda metade do século XIX, com sucesso. A primeira vacina a ser desenvolvida e aplicada foi no mesmo instituto na Rússia que no início do ano registrou a primeira vacina anti-covid que a seguir foi tratada como algo duvidoso e suspeito. Puro objeto de má fé e guerra comercial. Segundo. Quanto ao tempo em que as vacinas foram desenvolvidas é importante que se saiba que o ser humano se concentra, como o fez, elegendo milhares do que existe de melhor e mais qualificado para resolver um problema, não há dúvida que será resolvido. Para os que raciocinam desta forma, até parece que ficariam contentes que ainda continuássemos a ver milhares de irmãos sendo mortos todos os dias.

Por último, parece brincadeira. Há pouco um ministro de estado estufou o peito para dizer que preferia a morte a sacrificar a liberdade. Liberdade de quê? De contaminar seus parentes e amigos? De agir de modo irresponsável colocando milhares de pessoas sob risco de contaminação e hospitalização? Aos que assim pensam é bom que saibam que a liberdade de cada um finda quando interfere na do próximo. Estamos sob ataque e não podemos deixar espaço ou portões abertos para a penetração do inimigo. Isto é traição e como tal deve ser tratada.

E o campo o que tem a ver com isto?

Temos um negócio agrícola sob pressão inflacionária, preços de insumos elevados e risco de abastecimento de fertilizantes e defensivos, além disto temos um mercado contido e um consumo corroído pelos gastos com saúde, a falta de emprego e, obviamente de uma menor quantidade de moeda em circulação. Se assim o é, que procuremos trabalhar juntos para ver a economia ser retomada. Ela vem a espera de uma recuperação que não chega, desde 2015. Basta de sacrifícios para quem produz e para quem consome. Se tivéssemos feito o dever de casa em março de 2019, quando a quarentena foi decretada e ao mesmo tempo sabotada, o país estaria em uma outra situação. Ainda há tempo para acertar o passo. A natureza nos ajudará com as chuvas, façamos a nossa parte e coloquemos o carro nos trilhos. O trajeto é longo.

Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a todos que acompanham a coluna de agronegócio do Jornal o Sertão.