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Pernambuco, 23 de junho de 2024

Bem Estar

E que ficou do “Diga ao povo que fico”?!!! Por Diedson Alves

O sonho de ver a independência do Brasil mobilizou muitos momentos, muitos recortes históricos e para referendar a exposta abordagem, basta lembrar das várias revoltas que ocorreram com esse propósito, o maior exemplo foi , sem dúvidas, a Revolução Pernambucana de 1817

Postado em 11/01/2022 2022 19:00 , Bem Estar. Atualizado em 11/01/2022 16:15

Colunista

Prof. Diedson Alves Mestre em Ciência da Educação

A história de Brasil é marcada por um mosaico de acontecimentos que nos leva a uma profunda reflexão sobre como foi formada ou construída nossa identidade, as manobras, os anseios, as articulações, as lutas e as resistências, que fizeram e fazem parte do contexto nacional.

E esse ano teremos uma oportunidade ímpar – a celebração dos 200 anos de independência do Brasil. E eu como professor de história jamais poderia perder essa grande oportunidade histórica para fazer grandes provocações e nos levar a entender um pouquinho mais os bastidores do rompimento do Brasil com Portugal.

O sonho de ver a independência do Brasil mobilizou muitos momentos, muitos recortes históricos e para referendar a exposta abordagem, basta lembrar das várias revoltas que ocorreram com esse propósito, o maior exemplo foi , sem dúvidas, a Revolução Pernambucana de 1817, popularmente conhecida como “Revolução dos Padres” que numa data mais oportuna iremos trazer uma abordagem mais profunda sobre ela.

Nosso marco em alusão ao Bicentenário da Independência iniciará com o Dia do Fico, 09 de janeiro de 1822, data em que Dom Pedro, então príncipe regente do Brasil, decidiu ficar no comando da nação brasileira, com o retorno do seu pai, D. João VI, contrariando as exigências das Cortes de Portugal que o obrigavam a retornar a Lisboa, daí a célebre frase a ele atribuída “Se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto. Digam ao povo que fico”.

Ao contrário do que se imortalizou no imaginário popular é muito provável que o príncipe regente jamais teria dito essa frase, como afirma o historiador José Murilo de Carvalho, trata se de uma mera construção de símbolos, de almas pós independência a partir da própria visão dominante de grupos que conduziram efetivamente determinados momentos relevantes brasileiros.

Tirando o “ato heroico” do Dia do Fico dado aquele que seria o primeiro imperador do Brasil é interessante refletir sobre os entraves entre a metrópole e colônia diante de uma subordinação que já se mostrava carcomida, ultrapassava, desgastada e, diga – se de passagem, muito bem aproveitada pelos lideres portugueses e a classe agrária brasileira que viam a separação como “favas contadas” e assim aconteceu, no entanto, nossa independência tardou ou melhor tarda por vir.