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Pernambuco, 13 de abril de 2024

Agronegócios

Inovação tecnológica no semiárido, que se busque o melhor. Por Geraldo Eugênio

Uma questão continuou intrigando à muitos, por que essas tecnologias mais modernas demoram tanto tempo a chegar no dia a dia das pessoas?

Postado em 13/01/2022 2022 18:00 , Agronegócios. Atualizado em 13/01/2022 11:32

Colunista

Geraldo Eugênio Foto: Divulgação

A inovação no século XXI
De uma hora para outra o mundo percebeu a importância do desenvolvimento científico na solução dos problemas comuns. A medicina se tornou mais eficiente, as pessoas passaram a viver de modo mais saudável e por mais tempo; as comunicações sofreram um processo inimaginável de mudança; como também os materiais de construção; o vestuário e os alimentos.

Uma questão continuou intrigando à muitos, por que essas tecnologias mais modernas demoram tanto tempo a chegar no dia a dia das pessoas? Porque algumas delas continuam por dezenas de anos apenas no domínio da defesa, das armas e na capacidade de destruição e não se traduzem em bem-estar. Será que não valeria a pena investir na aproximação entre os laboratórios, o professor ou o empresário de modo geral?

Na realidade, desde que personagens como Bill Gates, Elon Musq e Steve Jobs colocaram o mundo de pernas para o ar que a corrida frenética por novos conhecimentos e aplicações se tornou uma verdadeira obsessão. O caso mais emblemático entre nós, é o celular. Não são poucos aqueles que não se sentem bem enquanto não adquirem o último modelo das grandes marcas.

Falta tecnologia ou água?

E no caso do semiárido. Esta questão também se aplica? Será que em uma região a grande limitação ainda é a água para beber alguém deveria estar preocupado com o a última versão do celular com a tecnologia 5G? Obviamente que sim. A revolução tecnológica em curso fez com que, com recursos próprios, a grande maioria das pessoas tivessem acesso à internet e com isto à sua conta bancária, à escola, à loja, à operadora turística à sua rádio preferida e ao que quer que seja.

Logo, até para quem espera pelo carro-pipa ou recebe o auxílio emergencial da Covd-19 melhor qualificado está para aproveitar as oportunidades quem conta uma conexão “wifi”.
Iniciativas empresariais e governamentais

A provocação ao texto da semana se deu ao testemunhar e aplaudir a iniciativa da SECTI PE e da FACEPE em lançar os dois primeiros editais do ano de 2022 visando o apoio e estímulo à formação e efetivação dos `lócus` de inovação no estado. Na apresentação foi feita menção ao fato de que o sertão do Pajeú ser uma das macrorregiões do estado em que ainda não há nenhum lócus instalado. Portanto que seja objeto de atenção por parte de nossas escolas, universidades e empresas, por outro lado há de se considerar que, de modo geral, os temas escolhidos demonstram demandas imediatas, ressalte-se a ausência de uma área de extrema relevância para o estado, energias renováveis.

Na realidade o único Tema contemplado em termos de energia foram os acumuladores de alta capacidade, de grande impacto na indústria automotiva, industrial e de serviços, mas outros segmentos do capítulo energia também tem valor estratégico para o estado de Pernambuco, em especial quando se discute as necessidades de empreendimentos agrícolas espalhados em todo território do estado.

Há de se referir de modo específico as energias renováveis, de modo especial a eólica e a fotovoltaica, e suas implicações sobre o dia a dia do empresário rural. A gestão da política energética nacional levou a altas alarmantes nos preços dos combustíveis, da energia elétrica e da disponibilidade de água de forma que o impacto sobre as diversas cadeias produtivas do semiárido tem sido negativo e até devastador.

Logo, a busca por opções que comprimam o custo da energia e o bombeamento de água é uma das áreas da inovação mais demandadas em todo o Agreste e Sertão de Pernambuco. Não é que ao se tratar das cadeias produtivas eleitas como prioritárias não se possa apresentar projetos ou iniciativas que se dediquem ao aspecto energético, mas o fato de não aparecer entre a relação de prioridades, não deixa de ser percebido como algo secundário e que vem a refém de atividades específicas, quando a leitura deve se dá com uma abordagem diferenciada.

Vale de que, mesmo? de Silício? de Energias renováveis?

Em termos de lócus de inovação e seu caráter empreendedor, considerando que o semiárido avançou de forma marcante quanto às áreas de engenharia e tecnologia nas últimas duas décadas com a expansão das universidades públicas, que se passe a ver a região como passível de hospedar iniciativas de densidade em investimentos e conhecimento, tal qual representa o complexo Moura, em Belo Jardim, além de iniciativas conectadas à computação e a robótica ou as engenharias ferroviária, mecânica, civil, agrícola, de produção em ambientes que passariam a serem percebidos como portadores de mudanças radicais.

O Vale do Pajeú não tem pretensão de ser nenhum Vale do Silício, mas com uma atenção especial às tecnologias digitais disponíveis, o agronegócio local e regional também estaria sendo beneficiados. Alguém falou, até de forma insistentes que o século XXI é o século da Ásia. Verdade indiscutível e que leva a todos ligados ao agronegócio regional, acompanharem o que tem sido feito na China, na Índia, na Malásia e no Vietnam em apoio à pequena e média produção e ao processamento e comercialização de bens provenientes desse segmento.