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Pernambuco, 08 de agosto de 2022

Cidades

Ferrovias, numa visão logística para o Sertão e Nordeste

Não obstante, as ferrovias no nordeste brasileiro já existem há mais de cem anos, em uma configuração de linhas férreas isoladas que deram origem ao Sistema Ferroviário do Nordeste.

Postado em 14/01/2022 2022 18:00 , Cidades. Atualizado em 14/01/2022 12:02

Colunista

Augusto Barreira Especialista em logística e Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento Colunista do Jornal do Sertão

A história das ferrovias no Brasil é movida por diversas nuances que atravessam momentos de auge no desenvolvimento econômico do país até momentos em que decisões políticas e estruturais levaram ao abandono e estagnação na consolidação desse modal em nossa matriz de transporte. Não obstante, as ferrovias no nordeste brasileiro já existem há mais de cem anos, em uma configuração de linhas férreas isoladas que deram origem ao Sistema Ferroviário do Nordeste.

Portanto, a história da então Ferrovia Transnordestina se inicia no mesmo período de criação da Rede Ferroviária Federal S.A., a RFFSA. No ano de 1958, foi realizado o encontro do Nordeste, no município de Salgueiro, para discutir alternativas de desenvolvimento econômico e social da região, mas foi na década de 90 com a abertura dos mercados e o programa de desestatização que ocorreu o leilão da malha ferroviária no nordeste que seria concessionada pela iniciativa privada, adquirida pela antiga Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), que atualmente recebe o nome de Transnordestina Logística S.A. (TLSA). 

Desta forma, o projeto está formatado na construção da malha ferroviária que ligará Eliseu Martins (PI) aos portos de Suape (PE) e Pecém (CE), totalizando 1.753 km de malha. De fato, as obras da ferrovia iniciaram-se em 2006, quando da realização dos primeiros trechos entre Missão Velha (CE) e Salgueiro (PE). Em 2009, iniciaram-se as obras no trecho Salgueiro (PE) a Trindade (PE). Em 2016, as obras ficaram paralisadas e só no final de 2020, parte das obras da Ferrovia Transnordestina foram retomadas.

Logística integrada e interiorização

Para a logística, o transporte em todos seus modais representa o elemento mais importante em termos de custos. A movimentação de cargas absorve de um a dois terços dos custos logísticos totais. Além de criar um mix na plataforma logística da região, a ferrovia abre possibilidades de intensificar a competitividade no mercado, aumentar as economias de escala na produção e reduzir os preços dos produtos em geral.

Como regiões de desenvolvimento temos em Pernambuco o Araripe, sendo a cidade de Trindade a contemplar um terminal logístico que irá facilitar o escoamento do polo gesseiro, onde encontra-se a maior reserva mineral de gipsita do país. Outra região é a do sertão central, onde se localiza a cidade de Salgueiro, no coração da ferrovia e deve abrigar importante polo logístico, uma vez que cruzam o município a BR 116 que liga os mercados do sul do país à Fortaleza (CE) e a BR 232 corredor rodoviário que liga o Oeste ao Leste pernambucano

No Piauí, as regiões localizadas no semiárido entre as cidades de Paulistana, Simplício Mendes, Simões e Curral Novo possuem grandes reservas de minério de ferro. Desta forma, o projeto é de construção de terminais multimodais que servirão de meio de escoamento do minério. Na região  do Cerrado, o projeto é de construir terminais multimodais em Itaueira e Eliseu Martins, a denominada grande fronteira agrícola do Matopiba que impulsiona o agronegócio no Nordeste.

No Ceará, podemos apontar a região do Cariri como a primeira em destaque. Pelo traçado, serão instalados dois terminais: um em Missão Velha e outro em Lavras da Mangabeira. A região apresenta uma série histórica de declínio na economia, mas possui um potencial agrícola por suas terras férteis, tornando-se relevante pela proximidade de Missão Velha à área de transposição do Rio São Francisco. Outro fator importante é o polo calçadista de Juazeiro do Norte que pode se beneficiar dos terminais.

De fato, a interiorização da logística no Nordeste será impactada de maneira positiva pela presença dos trilhos, desenvolvimento da cadeia de fornecedores, criação de empregos e oportunidades, aumento na arrecadação de impostos, entre outras vantagens.