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Pernambuco, 12 de junho de 2024

Agronegócios

O que dizer das estradas vicinais em Pernambuco: comecemos pela BR 435

São raros os produtos que não são expostos aos prejuízos causados por uma estrada sem conservação. A maioria além de ser atingida diretamente, somam-se o elevado preço do transporte e a demora na entrega.

Postado em 30/03/2023 2023 19:02 , Agronegócios. Atualizado em 30/03/2023 20:51

Colunista

 

A importância de estradas de qualidade para o agronegócio regional

Quando se chega a uma feira ou a um supermercado, nem sempre se imagina o que as frutas e hortaliças   nas gôndolas sofreram até chegar ali. Afinal o alimento é quase algo inanimado para a maioria de nós.

Normalmente aquela banana, tomate ou alface foram colhidos em seu estágio de maior beleza e sabor. Desde o manuseio, durante a colheita, a seleção, o encaixotamento, o carrego, o transporte, o empacotamento, em cada uma dessas etapas um pouco de sua beleza, qualidade e sabor vão sendo subtraídas. Vem a reclamação do cliente que quer levar para casa um produto de melhor qualidade, do Senhor ou da Senhora que está em sua banca. Eles sabem que se não venderem o que trouxeram para a feira o prejuízo é certo. Perdemos todos.

São raros os produtos que não são expostos aos prejuízos causados por uma estrada sem conservação. A maioria além de ser atingida diretamente, somam-se o elevado preço do transporte e a demora na entrega.

Imagine o transporte de frutas, hortaliças ou de animais em picadas

Creio que há cerca de uma década, o governo do estado do Espírito Santo lançou um programa de pavimentação asfáltica de estradas rurais. Um feito extremamente positivo e que impulsionou os produtores de hortifruti, na região serrana, bem como à cadeia de frutos de mar, tão sensível em ter o peixe, o camarão, as ostras ou o sururu, transportados aos supermercados e restaurantes o mais breve quanto possível.

Um bom exemplo já se tem. Provavelmente outros estados também contam com programas similares e devem ser avaliados. O fato é que o impacto sobre a produção e o comércio local é marcante. O raciocínio claro é que evitar perdas, deterioração e redução dos preços dos alimentos produzidos no campo uma boa logística é a chave para a valorização do trabalho resultando com produtos de melhor qualidade e uma qualidade de vida diferenciada para aqueles que fazem o ambiente rural.

O estado da Paraíba fez sua parte

Semana passada tive a oportunidade de retornar de Fortaleza via Icapuí (CE), percorrer alguns trechos de estradas rurais nos estados do Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. Em todos os estados, se vê que há a necessidade de um melhor cuidado com as rodovias estaduais, em menor ou maior grau, entretanto, o pior exemplo encontrado se deu no estado de Pernambuco. A PE 430 que liga a BR 232 à São José do Belmonte, chegando à Jati, na divisa com o estado do Ceará encontra-se em uma situação deplorável. Esburacada, sem acostamento, sendo um bom convite para acidentes e danos nos veículos que a percorre. A BR 435 que liga a divisa da Paraíba à São José do Belmonte passando pelo distrito do Carmo, supera a tudo e a todos em tempos de abandono.

Os moradores daquela região devem sofrer danos constantes a seus veículos e já não devem saber a quem recorrer. Importante que se diga primeiro que o governo da Paraíba fez sua parte e a estrada de Conceição à divisa está em perfeitas condições de tráfego, segundo que em se tratando de logística e apoio ao desenvolvimento rural, não há como se avançar nas discussões em se encontrando situações como esta. Algo inadmissível.

PE merece um programa de estradas rurais

Nesta coluna a questão logística como fundamental ao Semiárido já foi tratada em vários momentos. Particularmente, quando se trata da duplicação da BR 232, que como espinha dorsal da geografia pernambucana, não pode ser mantida no padrão atual onde os engarrafamentos são constantes em todo seu trecho, em particular no percurso entre Arcoverde e São Caetano.

Obviamente que não se deve pensar apenas em se resolver o problema que está batendo sua porta, vale a pena ver um pouco o futuro e se prever que o empreendedorismo tende a fugir de locais que não oferecem as melhores instalações. Outro ponto é que a duplicação da BR 232 não deve parar em Arcoverde. O ideal seria que fosse tratada como um programa prioritário e que pudesse contar com sua extensão até Serra Talhada ou Salgueiro.

Já quanto ao objeto de nossa crônica, as estradas rurais, vicinais ou como se queira denominar, é algo prioritário e que não pode ser adiado sob o risco de Pernambuco perder a competitividade que domina em várias áreas do comércio de bens, alimentos e de serviços ofertados a populações de estados circunvizinhos.

Um novo governo foi instalado há três meses e é recomendável que inicie comunicando-se com os pernambucanos e mostrando para que veio. A maioria dos estados se encontram em situação de dificuldade, mas alguns parecem que a capacidade de reação é um pouco mais lenta. A médio e longo prazos, dependendo de onde estejam localizados os produtores, pecuaristas e seus principais mercados, a tendência é se agravar e não se tendo a devida atenção em relação aos produtores a partir de Arcoverde, será cada dia mais intensa com os estados circunvizinhos, implicando em perda deliberada de influência do estado sobre seu território.

Desta vez não serão os caprichos da coroa em resposta aos nossos movimentos libertários mas, ocorrerá a partir da limitada capacidade de se pensar o desenvolvimento estadual levando-se em conta a importância de se investir no interior. Quase toda a energia é destinada à resolução dos problemas metropolitanos, que não são pequenos nem desprezíveis, mas que ao longo do tempo vem se tornando uma armadilha para a maioria dos governantes.


 

Professor Titular da UFRPE-UAST