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Pernambuco, 11 de junho de 2024

Cultura

A Rica Simbologia da Páscoa | José Carneiro Leão Filho

Foi durante a última Páscoa de Jesus antes de sua morte que Ele instituiu a Ceia do Senhor, também conhecida como a Última Ceia, que se tornou um dos principais ritos do cristianismo. 

Postado em 07/04/2023 2023 07:17 , Cultura. Atualizado em 06/04/2023 13:30

A celebração da Páscoa é uma prática presente em diversas religiões, como a judaica, a cristã e suas derivações. O Islamismo não celebra a Páscoa por dois motivos principais. Em primeiro lugar, essa religião não admite que Jesus Cristo tenha sido crucificado, morto e ressuscitado. 

Divulgação Net

Em segundo lugar, a revelação do Alcorão a Maomé ocorreu na mesma época da Páscoa, durante o início da primavera. Assim, os muçulmanos celebram o Ramadã, que ocorre no mês correspondente ao Nisã dos judeus, como uma parte importante do rito da revelação.

A PÁSCOA HEBRAICA 

A celebração da Páscoa nos tempos hebraicos é o fundamento para muitos dos símbolos utilizados hoje pelo cristianismo. A tradição foi instruída diretamente por Deus, que orientou o povo sobre como se preparar para a Pasach, também conhecida como Pessach, que significa “passagem”. 

A passagem se deu no 14º dia do Nisã, primeiro mês do calendário lunossolar dos hebreus. Naquela noite, o anjo da morte passou pelo Egito e levou consigo os primogênitos de todos os homens e animais, exceto daqueles cujas portas estavam marcadas com o sangue de um cordeiro limpo e sem manchas, sacrificado para esse propósito e para a refeição das famílias. 

Todas as comidas, inclusive o pão, foram preparadas sem fermento e com ervas amargas para sempre lembrar daquela noite terrível.

O faraó, que ficou arrasado com a tragédia, libertou todos os escravos hebreus e deu-lhes muito ouro e animais para ajudá-los na jornada pelo deserto. 

Durante a peregrinação à terra prometida, os hebreus celebravam a Páscoa anualmente em memória da redenção e liberdade concedidas por Deus.

Já em Canaã, na celebração pascal foram gradualmente adicionados outros símbolos comuns à festa da colheita da cevada, e assim as tradições da Páscoa e dos pães asmos se juntaram em uma única festividade de oito dias.

A PÁSCOA DOS JUDEUS HOJE

Hoje em dia, nas duas primeiras noites, ocorre a cerimônia do Seder, que se desenvolveu a partir da refeição pascal ensinada na Bíblia (ver Êxo. 12:8 Deu. 16:5-7). 

Nessa ocasião, toda a família se reúne e é lido o Haggadah, um texto ritual especial que contém uma versão alegórica da história do Êxodo, juntamente com certos salmos, cânticos religiosos, orações e bênçãos. 

Os matzot, ou pães (ou bolos) sem fermento, são divididos em dois e uma parte é escondida. As crianças são encorajadas a procurar e aquele que encontrar recebe um prêmio. 

Essa tradição simboliza que Deus não pode ser completamente conhecido pelo homem, pois parte do plano de Deus está oculta e só é revelada a poucos.

A PÁSCOA CRISTÃ

Jesus Cristo nasceu em Belém como parte de uma família judaica que seguia as tradições de sua religião. Como muitos judeus da época, eles faziam peregrinações anuais a Jerusalém para celebrar a Páscoa, uma das principais festas judaicas. 

Foi durante a última Páscoa de Jesus antes de sua morte que Ele instituiu a Ceia do Senhor, também conhecida como a Última Ceia, que se tornou um dos principais ritos do cristianismo. 

Nessa ocasião, Jesus ofereceu aos seus discípulos pão e vinho, que Ele declarou serem seu corpo e seu sangue, respectivamente. Com esse gesto, Jesus antecipou o sacrifício que faria na cruz, onde seu corpo seria torturado e morto e seu sangue seria derramado para redimir os pecados da humanidade. 

Assim, a Páscoa cristã celebra a libertação da escravidão do pecado e da morte pela graça de Deus, simbolizada pelo sacrifício do Cordeiro Imaculado, Jesus Cristo. 

Além disso, é importante ressaltar que a Páscoa cristã é celebrada em todo o mundo pelos mais de dois bilhões de cristãos de diferentes tradições e denominações, cada um com suas próprias práticas e liturgias.

AS TRADIÇÕES DO COELHO E OVOS DE PÁSCOA

Embora não se saiba exatamente quando e onde surgiu a tradição de associar o coelho às festividades da Páscoa, há várias teorias sobre sua origem. 

Uma delas sugere que a tradição pode estar ligada à festa pagã da primavera entre os povos germânicos, que acreditavam em uma deusa chamada Eostre ou Ostara, que era frequentemente representada por uma lebre branca. 

Essa festa teria dado origem ao termo em inglês “Easter”, usado até hoje para se referir à Páscoa nos Estados Unidos e no Reino Unido. Outra teoria sugere que a lenda de coelhos que botavam ovos e os escondiam já era contada entre os povos simples no século XVII.

Outra possibilidade é que na ausência de um cordeiro para sacrifício, alguns líderes tenham permitido o uso de um coelho, visto que são abundantes no início da primavera. 

Na iconografia bizantina, o coelho era representação do batismo. É fato que a tradição é anterior ao século XIX, posto que, em “Mitologia Germânica”, um dos irmãos Grimm refere que o coelho pascoal já era usado pelo povo na festa, mas não compreendia o significado.

 Independentemente da sua origem, hoje em dia o coelho é considerado um símbolo de fertilidade e vida em abundância durante a Páscoa.

É óbvio que coelhos não botam ovos, portanto, a pergunta seguinte é de onde vem a tradição de se presentear com ovos (especialmente os de chocolate no Brasil) nas festividades de Páscoa? 

De novo, não é possível dizer com precisão. Certamente, segue o mesmo caminho da origem do coelho. Acrescente-se que na idade média a grande maioria das famílias viviam em comunidades agrícolas e pecuárias. 

Como na Páscoa costumavam se juntar para as festas, era sinal de gentileza levar presentes para dar aos outros. E um dos mais comuns era o ovo de galinha. 

Desde a mesopotâmia esses ovos (até para não quebrarem no caminho) eram antes cozidos e pintados, frequentemente com figuras que lembravam o sacrifício de Jesus na cruz. Daí para os ovos de galinha serem substituídos por ovos feitos de chocolate, bastou o florescimento da indústria de doces e chocolates na Europa.

OUTROS SÍMBOLOS

A Páscoa é uma festa repleta de símbolos e significados. Além dos já mencionados, há outros símbolos importantes, como a vela pascal, que simboliza a luz de Deus e a esperança de vida, sendo acesa no dia anterior à Páscoa e mantida acesa até a ascensão de Cristo. 

As ervas amargas, como bredo, no preparo das comidas e a própria mesa onde será celebrada a refeição. As vestimentas e cores usadas pelos sacerdotes também possuem significados importantes, sendo as túnicas brancas símbolo de pureza e inocência do cordeiro pascal, e as vermelhas representando o sangue derramado por Cristo na cruz. 

Além disso, a Quaresma, período de quarenta dias que antecedem a Páscoa, é um período de preparação e reflexão, no qual a prática do jejum e das boas obras simbolizam a purificação e renovação espiritual.

A PÁSCOA FOI CUMPRIDA NA PESSOA DE JESUS CRISTO

O que é certo é que Jesus reinterpretou e ressignificou a Páscoa dos judeus baseado na sua própria experiência e na obediência à missão recebida do Pai. 

A Páscoa passou a ser encarada como um mandamento que foi cumprido em Jesus Cristo e que adquiriu maior significado na pessoa de Jesus Cristo. Para os cristãos todo domingo é dia de celebrar a obra e vida de Jesus Cristo, todo domingo é dia de rememorar sua morte e ressurreição, portanto, todo domingo é de Páscoa, e a Páscoa deve se renovar todos os dias em que a vida amanhece com uma mensagem de fé e esperança.

Autor: José Carneiro Leão Filho é médico pediatra e professor de medicina na Universidade de Pernambuco. Estudante do Seminário Teológico Episcopal Carismático, SETEC-Recife.