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Pernambuco, 29 de fevereiro de 2024

Cultura

Tonfil, um artista multifocal

De São José do Egito, jovem poeta falou com a reportagem do JSPE, fez revelações, falou de suas músicas, interpretações e de política.

Postado em 13/04/2023 2023 11:24 , Cultura. Atualizado em 13/04/2023 11:33

Jornalista ,

 

Tonfil Imagem Arquivo Pessoal

Com cerca de 35 mil habitantes, a cidade de São José do Egito no Sertão Pernambucano é palco e nascedouro de artistas das mais variadas áreas. Tonfil, neto de Lourival Batista Patriota, o conhecido Louro do Pajeú, um dos maiores repentistas/compositores do Brasil, é mais uma prova disso. Escultor, Ilustrador, restaurador, pintor, cenógrafo, compositor, roteirista e diretor; Tonfil é sem dúvida um expoente da multiculturalidade quem tem sua gênese em São José do Egito.

Devidamente adaptado aos novos momentos, o jovem artista, que de tempos em tempos transita com talento notável pelas mais variadas áreas das artes, está de volta aos trabalhos musicais, percorrendo o Estado e o Brasil com shows e turnês.

E sempre foi assim. Tonfil participa de festivais desde os 12 anos de idade e nunca mais parou. Em 2011 veio o primeiro trabalho, o álbum “Acontecer”, com repertório autoral em parceria com Vinícius Sarmento e Greg Marinho. Foi só o primeiro passo. A inquietude nata já era revelada e outros trabalhos e apresentações foram acontecendo. Hoje o jovem artista é dono de uma obra já inserida no cenário regional.

O Jornal do Sertão PE fez algumas perguntas para Tonfil, com o propósito de conhecê-lo melhor. Acolhedor, o poeta conversou com nossa reportagem, falando um pouco de seu início de carreira, de caminhos a seguir, de política e de redes sociais.

Tonfil Imagem Arquivo Pessoal

leia na íntegra a conversa do Jornal do Sertão PE com Tonfil.

JSPE: Tonfil, você começou muito jovem. O que lhe motivou para com 12 anos de idade subir em um palco pela primeira vez?

TONFIL: Desde pequenos sempre fomos voltados para as artes. Sempre fui muito motivado. Minha avó, meu avô, meus tios, meus pais; todos sempre exercitaram essa coisa  “do belo”, do “poético”.

JSPE: Como você classifica seu estilo de atuação, sua forma, sua presença de palco?

TONFIL: Eu tenho uma vantagem, sabe! Meu instrumento são as minhas cordas vocais, então estou sempre acompanhado por um músico. Adoro isso, é uma vantagem. Tenho assim oportunidade de estar sempre próximo de músicos, instrumentistas, etc. Então para mim, cantar é igual a esculpir. Trabalho também com pintura, escultura, desenho e tal. Para mim só muda o suporte. É a mesma coisa. A nuvem é a mesma.

JSPE: Você também é compositor; dessa forma você interpreta as suas próprias músicas mas também faz uma leitura toda sua como intérprete de composições de outros autores. Onde você se identifica melhor?

TONFIL: Pois é, eu componho, mas vou te dizer que me identifico demais com essa coisa de interpretar, sabe. Cantar e interpretar a “dor” do outro, o poema do outro me atrai muito.

JSPE: Tonfil, hoje estamos vivendo um momento muito específico na política, com toda essa “polarização”. Assistimos vários artistas fazendo posicionamentos políticos abertamente, em favor de um político ou outro político. O que você acha disso? Acha que o artista deve se posicionar, ou seu trabalho já contém o elemento político e assim o artista não deveria fazer esses posicionamentos?

TONFIL: Com certeza eu me posiciono sim. Arte e política são coisas que andam juntas. Não há como se desvencilhar. Tudo que é contra liberdade, tudo que é contra vida, tudo que é contra a existência, não bate com a minha arte. Arte não combina com prisão, não combina com gaiola, não combina com tortura, não combina com opressão. Arte é verdade pura, mesmo quando incomoda. Mesmo contendo em minhas músicas e nas músicas que interpreto um conteúdo político, às vezes acho necessário falar abertamente mesmo, me posicionar.  Nessa pandemia e nesses últimos quatro anos, foi uma coisa triste. Espero que agora estejamos nos levantando, que a cultura esteja se reerguendo e que estejamos começando a nos representar novamente.

JSPE: Falando da pandemia, como ficaram os artistas? Como você “se virou” como artista? Tendo que se afastar do público, você foi às redes sociais?

TONFIL: Eu não fiz poucas apresentações em redes sociais, sabe. Acho que fiz umas 6 lives, entre privadas e públicas. Demorar 40 minutos em uma live é o mesmo que passar 3 horas em um show presencial. Perde muito a organicidade, na minha visão. Pra falar a verdade assistir e fazer live, na minha opinião, é como jogar videogame. Não gosto muito. Preciso do povo, preciso de gente.

JSPE: Tonfil, já agradecendo pela entrevista, em nome do Jornal do Sertão PE, lhe desejar mais sucesso; fala um pouco de como está sua agenda. Tem apresentação marcada?

TONFIL: Eu quem agradeço. Para mim é uma honra falar com vocês. Sobre a agenda, tem, têm coisas marcadas e ainda para fechar nos próximos dias. Dia 14 tem SESC – Santo Amaro. Tem na cidade de Triunfo também, faltando fechar a data. Tenho também participações para fazer em shows e apresentações de amigos poetas e músicos.

Nota: A reportagem do Jornal do Sertão PE conversou com Tonfil no dia 6 de abril de 2023, com o Jornalista Firmo Neto.

Firmo Neto – Jornalista – MTB: 5914/PE