Facebook jornal do sertão Instagram jornal do sertão Whatsapp jornal do sertao

Pernambuco, 16 de junho de 2024

Agronegócios

A Expo Berro e o resgate da caprino-ovinocultura

Geraldo Eugenio

Postado em 20/04/2023 2023 21:44 , Agronegócios. Atualizado em 20/04/2023 21:46

Colunista

Superberro, um grande projeto

Durante esta semana está ocorrendo em Serra Talhada, nas dependências do Sesc – Serviço Social do Comércio, uma exposição muito bem planejada que, de fato, teve origem na condução de um projeto iniciado há alguns anos, liderado pelo Sebrae PE e que conta com parceria de várias instituições como a Prefeitura Municipal de Serra Talhada e outros municípios do Sertão, as instituições de ensino, de pesquisa e extensão, de fomento ao crédito e de associações de produtores.

Depois de poucas iniciativas em apoio a criação de caprinos e ovinos e, com poucos resultados expressivos, surge uma ação que inverte a ordem dos fatores e dá ênfase à gestão do empreendimento, seguindo-se da transferência de tecnologia e o apoio ao crédito para os produtores que se considerarem aptos a buscarem um financiamento bancário.

Ainda é cedo para se contar com uma vitória irreversível, mas todos os indicadores apontam para uma transformação que a cadeia produtiva clamava saindo da informalidade, considerando os produtores como agentes econômicos e conectando os diversos segmentos: insumos, produção, beneficiamento, comercialização e consumo.

A economia rural do semiárido se movimenta

Esta iniciativa que se destaca de forma mais expressiva nas regiões do Araripe e do Sertão do Pajeú, contando com a imersão das duas gerências do Sebrae é mais uma prova de que a economia do semiárido, dependente de chuvas, começa a tomar um rumo diferente e, a cada momento, a busca por conhecimento e mercado se expressa. Durante a exposição, um outro programa, citado em diferentes ocasiões, o Prospera, também está mostrando seus objetivos e estratégias para o Agreste e Sertão de Pernambuco.

Uma empresa de biotecnologia, a Corteva, em 2017, inicia um programa de transferência de tecnologia para a cultura do milho entre pequenos e médios produtores do Agreste e Sertão de Pernambuco, em pleno período de seca. Iniciativa que procura demonstrar a produção de grãos em Pernambuco como uma atividade econômica. Iniciou-se pelo Agreste Meridional e Setentrional que, mesmo nos anos com precipitação inferior ao que se gostaria de ter, mostrou que as novas tecnologias disponíveis à produção, diminuem os riscos e que seu cultivo se insere dentro das mais importantes opções de suporte à alimentação animal. Seja através dos grãos, nos anos melhores; seja através da palha para silagem ou feno ou na formação de pasto com o semeio do capim Buffel, Massai, Braquiária ou outras espécies, de forma simultânea ou seguindo-se ao cultivo do milho.

Na realidade, de forma indireta, se inicia no semiárido uma tendência que cresce em todo o país, o conhecido ILPF – Integração lavoura x pecuária x floresta. Sendo o braço florestal a ser incorporado nos anos seguintes.

Ainda no âmbito da produção animal, os avanços alcançados com a apicultura têm sido registrados em todas as regiões de Pernambuco, da Zona da Mata úmida ao Sertão do Araripe. A qualidade e a diversificação dos produtos têm sido buscadas, os preços vêm respondendo, as organizações de produtores estão conscientes de que somente assim poderão conquistar mercados cada dia mais exigentes para alimentos de consumo direto.

A cadeia ganhou força e lançou às bases para a exposição

Voltando à caprino-ovinocultura, tradicionalmente se conta com exposições nos municípios de Sertânia e Floresta. O fato de surgir uma terceira exposição com uma visão de negócios em que prioriza a criação de animais de alta genética por pequenos e médios criadores, é uma diferença. O programa vem contando com a participação de algumas prefeituras e, no caso de Serra Talhada com o apoio fundamental da UFRPE-UAST que, através do Prof. Thieres Silva, tem disponibilizado as raquetes de palma forrageira da variedade Orelha de elefante mexicana, aos produtores assistidos pelo Superberro.

A conjunção de fatores foi tão bem construída que surge a demanda por um ambiente de negócios em que estes ganhos possam ser compartilhados, multiplicados e que Serra Talhada e  municípios vizinhos passem a não apenas participar da rota do Cordeiro, mas definitivamente no circuito comercial desta cadeia produtiva.

Integração entre as partes, o caminho

Neste caso fica clara a importância da integração entre os segmentos que compõem um arranjo produtivo, tal qual denominado pela ADEPE – Agência de Desenvolvimento de Pernambuco, uma das principais fontes de financiamento do programa Superberro. Uma outra situação de destaque é a participação direta das representações do comércio, da indústria e dos serviços em apoio a uma atividade que, aparentemente, estaria conectada apenas ao campo, o que não é verdade. Afinal, esses segmentos da economia já perceberam da importância de se contar com uma economia dinâmica no ambiente rural, o que se revela de maneira direta no bem-estar e na movimentação econômica do campo e da cidade.

Será que o Programa Superberro, a partir da exposição que será muito bem-sucedida, poderá ser modelo para outros processos similares? Existem outros arranjos ou cadeias produtivas que podem ganhar destaque em breve? 

Que a nossa avicultura industrial não entenda como uma aberração, mas a organização da cadeia produtiva da galinha de capoeira, ou caipira, em outros estados, a partir de alguns exemplos em curso no estado, pode se tornar uma ação de forte apelo econômico para a agricultura familiar. O programa de transferência de tecnologia da raça de galinha Canela-preta, liderado pela equipe técnica da Embrapa Meio-Norte tem se mostrado um sucesso no estado do Piauí, por exemplo.