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Pernambuco, 27 de fevereiro de 2024

Agronegócios

Há espaço para produção de hortaliças no Sertão

Que linda pode ser nossa salada

Postado em 04/05/2023 2023 22:37 , Agronegócios. Atualizado em 04/05/2023 22:45

Jornalista ,


O ser humano é quase sempre tentado pelas aparências. Isto inclui os pratos e dentre esses, as saladas. Quão mais colorida, fresca e bem arrumada, a salada tem chances de ser utilizada pela clientela de um restaurante ou mesmo em casa.

O contraste de cores exerce sobre o cérebro uma atração impressionante. Uma coisa é contarmos apenas com tomate, nem sempre vermelhos; cebolas, amarela na maioria dos casos e alface que quase sempre tem um tom verde esmaecido e quase nunca a aparência de fresco e crocante. Esta é a salada típica da região.

Imagine agora se, além das três hortaliças citadas também possamos contar com alface vermelha; brócolis; rúcula; pimentões amarelos, vermelhos e verdes, jiló, pepino japonês, cebolinha e coentro ou salsa.

A bandeja certamente será vista de modo bem mais atraente e melhor ainda se contar com uma bandejinha ao lado com bons molhos e azeites e um pouco de sal para aqueles que preferem e podem comer algo um pouco mais salgado.

As opções são limitadas

Acontece que, seja nas feiras livres ou nos supermercados, as opções são limitadas. Ontem, por exemplo, em uma das maiores lojas de varejo da região não se via uma folhosa: coentro, cebolinha, alface, rúcula, couve, hortelã, salsa.

Parece até que há um complô contra o consumo de hortaliças. A salada crua ou cozida em estando bem apresentável e preparada com legumes de qualidade são insubstituíveis na educação alimentar de jovens e adultos. Se depender unicamente do cérebro e das partículas gustativas da língua, a população estaria contente em contar com três condimentos: açúcar, sal e gordura.

Esse trio é fatal, fazem os neurônios vibrarem como se estivessem assistindo um jogo de seu time preferido e as papilas gustativas pularem tal qual os torcedores da Torcida Jovem.

Para se contrapor à situação há de se trabalhar na educação nutricional, com ênfase no consumo de frutas e hortaliças, fazendo com que a criança, desde bebê esteja estimulada com uma salada crua ou cozida, uma boa sopa ou mesmo consumindo os legumes que são adicionados ao feijão, por exemplo.

O crescimento das cidades do Agreste e Sertão e a presença de pessoas de outras regiões tem alterado os hábitos alimentares. É comum encontrar clientes em ronda pelas gôndolas dos supermercados tentando encontrar um jiló fresco, uma alface americana, um bom repolho, uma bonita berinjela e pimentões coloridos. Não é tarefa fácil encontrar a variedade de hortaliças que se encontra nas feiras livres ou nos supermercados paulistas, mineiros ou capixabas, mas aos poucos as espécies que há pouco tempo eram exóticas passam a fazer parte dos cardápios, a exemplo da rúcula, da alface americana, da abobrinha e da mandioquinha salsa.

Há um longo caminho a percorrer, mas pelo bem da saúde coletiva é importante que todos envolvidos, a partir das instituições de fomento agrícola fiquem atentas. Aqui no Sertão há clima para se produzir quase tudo o que se desejar e em se contando com o apoio creditício, sempre haverá produtores dispostos a descortinar novos cenários e mercados.

Alguns núcleos de produção na bacia do Pajeú

Ao se falar em hortaliças, além das áreas de produção entre Vitória de Santo Antão e Bonito, quase sempre o produto é associado ao Vale do São Francisco, em particular, Petrolina, que além do polo produtor de frutas tropicais se tornou um significativo polo de produção de hortaliças, que o diga o mercado de Juazeiro, BA, logo ao lado. Poucos sabem que entre Calumbi e Serra Talhada, às margens do Rio Pajeú encontram-se dezenas de pequenos e médios produtores hortícolas de cujas áreas saem a maior parte das hortaliças folhosas consumidas localmente. Aproveitam a proximidade das águas e, mesmo quando o rio deixa de contar com alguma corrente, exploram as águas retidas nas areias e solos aluviais do leito do rio seja através de poços ou barragens subterrâneas.

Há uma demanda por conhecimento e tecnologia que ainda não foi atendido e que há como ser acompanhada por instituições públicas ou privadas. Afinal, a área cultivada sob irrigação no município de Serra Talhada é pequena em relação ao potencial dos recursos hídricos disponíveis.

Como incentivar o consumo

Sem a participação das creches e escolas para crianças, o consumo se alterará reagindo a tão somente o aumento da população, mas não é isto o que se pretende. Utilizar-se do concurso da merenda escolar para priorizar o uso de produtos produzidos localmente, destacando-se as frutas, os legumes, as túberas, o milho verde, os feijões (arranca, de corda e guandú), a fava e o arroz vermelho.

Além da merenda, o Programa de aquisição de alimentos (PAA) provenientes da agricultura familiar é um outro forte aliado da educação alimentar, cabendo às instituições públicas que demandam alimentos ficarem atentas à produção e a entrega com qualidade dos itens contratados em pequenas e médias propriedades.

Esta não é uma tarefa de gestores municipais, diretores de escolas ou professores, apenas. O consumo de hortaliças está associado à redução nas taxas de gordura no corpo, redução da obesidade, da diabetes, de problemas cardíacos e ingestão. Nem sempre as cantinas escolares, hospitais ou quartéis querem sair da rotina a quem estão submetidas por longo tempo, entretanto há de contar com a presença firme dos gestores locais e municipais, sendo esses públicos consumidores de hortaliças. É sempre positivo lembrar que as águas do açude de Serrinha aguardam um uso mais intenso, mesmo pode ser dito em relação aos demais açudes mesmo aquele que conta com um teor de salinidade mais elevado apenas no munícipio de Serra Talhada.