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Pernambuco, 29 de fevereiro de 2024

Educação

Rede de Mulheres no combate à degradação na Caatinga

O Desenvolvimento Sustentável da Caatinga vai ser tema de um Seminário que acontece no próximo dia 28/06, em Campina Grande, na sede do Instituto Nacional do Semiárido (INSA), uma instituição ligada ao Ministério da Ciência,Tecnologia e Inovação.  

Postado em 21/06/2023 2023 19:25 , Educação. Atualizado em 21/06/2023 12:52

Jornalista ,

 

Novamente, entes federativos, estaduais, municipais e organizações da sociedade civil se reúnem para discutir os desafios do único bioma exclusivamente brasileiro, mas que não desperta o interesse merecido, apesar de estar inserido na região do Semiárido nordestino, onde moram, vivem e sobrevivem mais de 30 milhões de pessoas.

O encontro terá cinco eixos temáticos: Políticas Públicas; Mudanças Climáticas; Inovações e novas territorialidades; Cultura, sociodiversidade e alternativas para o desenvolvimento; Alimentação, combate à pobreza e alimentos saudáveis.

Em Pernambuco, pegando o gancho do Seminário, em Campina Grande, na Paraíba, algumas iniciativas importantes vêm ocorrendo dentro das ações executadas pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha (Semas-PE) e o Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema), sob gestão do Estado.

Rede Mulheres do Pajeú 

Fomos conversar com Ana Cristina Santos, Educadora Social da Rede Mulheres do Pajeú, organização que atua há quase 17 anos na região e desenvolve atualmente um projeto em parceria com a Semas e o Fema: ‘Mulheres Restaurando o Bioma da Caatinga’.

A atuação dessas mulheres organizadas em grupos associativos em três municípios sertanejos Iguaraci, Itapetim e São José do Egito é exclusiva para recuperar o bioma e, dessa forma, terem uma fonte de renda sustentável.

“Trabalhamos para mitigar os efeitos das ações climáticas, da degradação da vegetação do Bioma, ao restaurarmos áreas de nascentes e matas ciliares de rios e riachos por meio de tecnologias que se adaptam ao Semiárido”, esclarece.

Ana Cristina explica que o trabalho consiste em introduzir uma série de ações, quais sejam, introdução de sementes nativas, produção de forragens, plantas xerófilas para alimentação de animais durante secas severas, além de implantação de reúso de águas cinzas, através dos biofiltros”, relata. 

Reforço às agricultoras familiares

Todas as mulheres envolvidas no mutirão são agricultoras que trabalham em suas pequenas plantações com base na agroecologia. Ana Cristina reforça, no entanto, que o Poder Público deve investir cada vez mais nessas políticas públicas não somente na preservação e conservação, mas também para melhorar a situação dessas mulheres, que trabalham nesses territórios.

“Para além desse trabalho, temos também outros projetos anteriores como o realizado pelo Instituto Itaú, por meio do Ecomudanças. Foi ali que iniciamos as ações de financiamento. E, ampliamos, recentemente, o projeto junto com a Semas. Mas o Poder Público deve entender essa prioridade. Entender que isso é uma forma de melhorar os territórios para contribuir além da preservação do bioma, e também contribuir para a condição de vida das pessoas naquele território” reforça a Educadora Social.

Geração de renda e escala social

Para essa ação da Semas em parceria com a Rede de Mulheres do Pajeú, as agricultoras puderam melhorar as condições de trabalho. Um grupo delas recebeu um viveiro de mudas, uma estrutura em formato de geodésica. 

Antes dessa intervenção, elas produziam em uma estrutura rústica, precária, e a partir do projeto tiveram oportunidade de melhorar a produção de mudas. 

“Essas mudas já produziam antes da intervenção da Semas, mas foi fortalecida pelo projeto e possibilitou à elas comprar mudas do próprio grupo para levar para outras áreas. Assim melhoram suas condições de renda, nos processos de formação e capacitação, além do entendimento sobre o território que habitam, a convivência com o Semiárido, gestão das tecnologias sociais. Práticas simples como barramento de pedras que pode melhorar os solos”.

O projeto está contemplado no edital nº 1 do FEMA e foi proposto pela Rede de Mulheres do Sertão do Pajeú. “O nosso projeto trabalha o viés social, porque as mulheres se entrosam em grupo e se fortalecem em busca de políticas públicas; o viés ambiental, a partir do momento em que produzem mudas para o reflorestamento; e o viés econômico, quando gera renda para essas mulheres comercializam essas mudas”, explicou Febe de Oliveira, analista ambiental da Semas Pernambuco.

Saiba Mais 

A caatinga é um bioma exclusivamente brasileiro, responsável pela cobertura de 70% do território do Nordeste e 11% do país. 

A degradação de imensas áreas, que, inclusive, ajudam a aumentar os impactos da estiagem na fauna, flora e na vida dos habitantes, dão ainda mais abertura a projetos como o da Rede de Mulheres do Sertão do Pajeú, fundamentais para a contenção dessa degradação do bioma. 

Que venham mais projetos como o da Rede Mulheres do Pajeú e da Semas-PE/Fema-PE

 

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lucianacarneiroleao@gmail.com