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Pernambuco, 12 de junho de 2024

Agronegócios

O 6º Congresso Pernambucano de Municípios, um grande evento

Visitando-se os stands dos diferentes municípios e instituições ficou-se a impressão de que há um sentimento positivo e otimista entre os principais atores, o que é salutar e necessário. A Amupe com seu evento que se consolidada a cada ano sai fortalecida e deixando claro a importância deste Fórum no contexto de boas práticas na administração.

Postado em 31/08/2023 2023 20:43 , Agronegócios. Atualizado em 31/08/2023 20:43

Colunista

Da ressaca à euforia

Pernambuco se encontrava em uma situação constrangedora com a retirada do trecho Salgueiro-Suape da ferrovia Transnordestina. Tecnicamente ficou claro que não há demanda suficiente para imaginar a construção de uma ferrovia ligando o litoral ao Sertão e este ao Cerrado. Além disso, demonstrou um profundo vazio de poder estadual, em todas as esferas, incluindo o empresariado que em sua maioria se manteve silencioso mesmo sabendo da aberração que tinha sido tal decisão.

Passaram alguns meses até que o Presidente da República anunciou que não concordava que a ferrovia se restringisse ao deslocamento do minério de ferro, no Piauí, à Siderúrgica instalada em Suape e que em sua opinião o traçado original deveria ser mantido. Foi uma grande notícia é uma decisão que deixa claro os novos humores do planalto para com o estado que também esteve no seu ápice entre 2003 e 2010.

O anúncio funcionou quase como uma caixa de Pandora ao contrário e todos os diabos foram expulsos e expurgados. De uma hora para outra não faltaram mentores, defensores, donos e fiscalizadores do projeto, mas, conforme comentado há algumas semanas, ainda não se identificou quem se propusesse publicamente agradecer ao Presidente este ato para com o estado. O interessante é que neste momento de competição entre quem pode ou não, um dos líderes que hipotecaram concordância pública quanto a manutenção do projeto original foi o governador do Ceará. Muito obrigado, governador Hermano Freitas.

Mesmo que se esqueçam de agradecer, encontrar pessoas disponíveis a monitorar a retomada das obras será fundamental. O que puder ser feito de modo que esta obra continue na vitrine, que seja feito.

Um outro anúncio de impacto se deu em relação à duplicação da BR 232, a ser realizada entre os municípios de São Caetano e Serra Talhada. A diferença entre esta e a Transnordestina é que a primeira tem uma rubrica, mesmo que para muitos seja uma peça orçamentária, no novo PAC – Plano de Aceleração de Crescimento, lançado recentemente pelo governo federal como uma retomada dos investimentos estratégicos para o país. Ressalte-se aqui o esforço da prefeita de Serra Talhada, Sra. Márcia Conrado que, no momento ocupa a presidência da Amupe. É uma luta de todos, e todos  de Dormentes a Recife só têm a ganhar.

Sempre uma grande chance de congraçamento

Um motivo não menos relevante é a oportunidade de reunir as lideranças municipais e a sociedade pernambucana em prol de medidas e políticas que resultem em benefício para os pernambucanos. A alegria com que as senhoras prefeitas e prefeitos demonstravam sentir não era pequeno ou passageiro. Aí temos que concordar plenamente quanto ao diálogo entre prefeitos, seus secretários com outras cidades coirmãs ou não. O fato é que esta troca de experiências interessa aos gestores e à população de modo geral.

Ninguém fala de secas

Deixando a euforia de lado pela sinalização de aplicação de um montante significativo de recursos no estado de Pernambuco, através do PAC e dos cálculos de quanto poderá ser a fração a ser investida em seus respectivos municípios. Como sempre nesses casos, alguns considerando-se fora do jogo, o que não é verdadeiro uma vez que haverá algo para todos, direta ou indiretamente.

De uma situação, contudo, a atenção passou distante. O enunciado do fenômeno do El Niño e suas implicações sobre a regularidade e quantidade de chuvas na região semiárida nos próximos conjunto de anos. Perdeu-se uma boa oportunidade de se iniciar um processo de construção que permita as secas também serem geridas sem sobressaltos como algo normal. Ainda há tempo e há de se esperar que já que não se sente a premência, ao menos que em algum pouco tempo o tema volte à tona e que os prefeitos e governadores do Nordeste contribuam com uma solução que seja definitiva.

 Parabéns à Amupe

Visitando-se os stands dos diferentes municípios e instituições ficou-se a impressão de que há um sentimento positivo e otimista entre os principais atores, o que é salutar e necessário. A Amupe com seu evento que se consolidada a cada ano sai fortalecida e deixando claro a importância deste Fórum no contexto de boas práticas na administração.

O interessante também era a presença de tantos outros ex-prefeitas e prefeitos que saudosamente chegaram ao Centro de Convenções para rever velhos amigos, conhecer gente nova e matar a saudade dos tempos idos. Vale a pena.

Alguns deveres de casa ficaram a serem revistos. O primeiro e mais importante é saber de onde e em que montante os recursos do governo federal podem ser aplicados em cada região e, consequentemente, em seus municípios. O segundo é o cronograma e início das obras. Algo ao menos é tido como certo, nas palavras do Secretário Almir Cirilo, até dezembro as diversas adutoras que estão em construção, há anos, serão concluídas e o Agreste sentirá diretamente e de forma definitiva o valor deste esforço coletivo de algumas gestões.

 

1Professor Titular da UFRPE-UAST

Serra Talhada, 30 de agosto de 2023