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Pernambuco, 29 de fevereiro de 2024

Economia

Inadimplência em Pernambuco registra alta de 8,5% no ano de 2023

O tempo médio de comprometimento do orçamento familiar com dívidas, em Pernambuco, é de 8 meses, enquanto o tempo médio de contas em atraso é de 60 dias no estado, ante 64 dias quando observamos todo o Brasil.

Postado em 25/01/2024 2024 06:05 , Economia. Atualizado em 28/01/2024 18:57

Inadimplência em Pernambuco registra alta de 8,5% no ano de 2023

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), cerca de 423 mil pessoas em Pernambuco possuíam dívidas em dezembro de 2023, das quais 164 mil eram inadimplentes. A pesquisa foi realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Em Pernambuco, em 2023, houve um aumento de 2,2% no número médio de pessoas endividadas em relação a 2022, com uma média de 430 mil. O número médio de inadimplentes também aumentou em 8,5% em comparação com 2022, chegando a 169 mil.

Divulgação Net

Ainda segundo a Fecomércio-PE, os tipos de dívidas mais frequentes entre as famílias pernambucanas, cuja renda é de até 10 salários mínimos, são o cartão de crédito (92,8%), seguido por carnês (28%) e crédito pessoal (6,8%). Para as famílias com renda superior a esse estrato, os tipos de dívidas mais prevalentes são 97,3% em cartão de crédito, seguido por financiamento de automóveis (22%), carnês (21,4%) e financiamento imobiliário (11%).

O tempo médio de comprometimento do orçamento familiar com dívidas, em Pernambuco, é de 8 meses, enquanto o tempo médio de contas em atraso é de 60 dias no estado, ante 64 dias quando observamos todo o Brasil. Quando os devedores prolongam sua inadimplência, impactam sua capacidade de consumo. Além disso, empresas enfrentam desafios no fluxo de caixa, desencadeando uma potencial desaceleração econômica. Esse cenário evidencia a conexão entre as dificuldades enfrentadas por consumidores e empresas, sinalizando os efeitos cascata que podem surgir quando a inadimplência se prolonga, amplificando as consequências econômicas adversas.

O economista da Fecomércio-PE, Rafael Lima, destaca que: “A situação financeira das famílias complicou-se em Pernambuco no ano passado. Os juros altos continuam sendo um obstáculo, somados ao desemprego e ao aumento do trabalho informal no estado. No entanto, há uma esperança de melhora com uma medida do Governo Federal que limita os juros cobrados no cartão de crédito, o que pode evitar que mais pessoas se endividarem ainda mais. Além disso, o Censo do Desenrola mostrou que houve esforços para negociar dívidas, mas, até agora, não conseguiram trazer os resultados esperados. Ainda assim, acredita-se que, ao longo do ano de 2024, essas iniciativas possam surtir efeito esperado, ajudando as pessoas a saírem do ciclo de dívidas”.

Sobre a pesquisa:

A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), foi publicada na quinta-feira (11/01). A pesquisa ganhou um recorte especial para o estado de Pernambuco, feito pela Fecomércio-PE.

A PEIC considera que o endividamento das famílias se refere a contas ou despesas contraídas com cartão de crédito, cheques pré-datados, carnês de lojas, empréstimo pessoal, compra de imóveis, prestações de carros e seguros. Na pesquisa, as estimativas também diferenciam dois grupos de renda: famílias com renda de até 10 salários mínimos e famílias com renda superior a esse patamar. O objetivo da pesquisa é diagnosticar o nível de endividamento e inadimplência do consumidor. Também são apurados o percentual de inadimplentes, a intenção de pagar dívidas em atraso e o nível de comprometimento da renda.

A PEIC define, ainda, que a potencial inadimplência é a expectativa dos devedores de não pagarem suas dívidas no mês subsequente ao levantamento. Já o atraso no pagamento (inadimplência) é o ato de não cumprir efetivamente os compromissos assumidos com o endividamento.

A pesquisa permite o acompanhamento do nível de comprometimento do consumidor com dívidas e sua relação com a capacidade de pagamento, informações importantes para a tomada de decisão dos empresários do comércio. Quando a inadimplência ocorre, é comum observar uma desaceleração no consumo, o que afeta, principalmente, pequenas empresas do setor de comércio e serviços.