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Pernambuco, 24 de abril de 2024

Saúde

A importância da escuta psicanalítica na clínica contemporânea

Portanto, a escuta exercida por um psicanalista é uma prática clínica que se mostra relevante e atual diante dos desafios da sociedade contemporânea, que exige dos sujeitos uma constante adaptação, uma intensa produtividade e uma incessante busca por felicidade.

Postado em 27/02/2024 2024 18:33 , Saúde. Atualizado em 27/02/2024 18:33

Colunista

A psicanálise é um método teórico e clínico que visa explorar o inconsciente dos sujeitos e compreender as raízes de seus problemas emocionais. Fundada por Sigmund Freud no final do século XIX, ela se desenvolveu ao longo do tempo com as contribuições de diversos autores, como Sándor Ferenczi, Melanie Klein, Jacques Lacan, Donald Winnicott, entre outros. Ela se diferencia de outras psicoterapias por não se basear em teorias pré-estabelecidas, mas sim na singularidade de cada caso e na relação intersubjetiva entre analista e paciente. 

O processo psicanalítico é uma forma de atenção que o analista oferece ao paciente, buscando compreender as suas demandas inconscientes, os seus conflitos, os seus desejos e as suas resistências. A escuta psicanalítica se baseia na técnica da associação livre, na qual o paciente fala livremente o que lhe vem à mente, sem censura ou julgamento. O psicanalista, por sua vez, escuta com atenção flutuante, ou seja, sem se fixar em um aspecto específico da fala do paciente, mas procurando captar os sentidos ocultos, as contradições, os lapsos, os sonhos, as fantasias e os sintomas que revelam o funcionamento do inconsciente. 

Essa escuta qualificada é uma ferramenta essencial para o trabalho clínico do psicanalista, que visa promover a perlaboração, ou seja, o processo de elaboração e transformação psíquica do paciente, a partir da sua fala e da intervenção do analista. Ela não visa dar conselhos, orientações ou soluções prontas para o paciente, mas sim ajudá-lo a construir o seu próprio saber sobre si mesmo, a partir da sua experiência singular. Ela também não tem um tempo determinado, mas depende do ritmo e da necessidade de cada paciente

A escuta é uma prática que se adapta aos desafios da clínica contemporânea, que se depara com novas formas de sofrimento, de subjetivação e de relação com o outro. Ela é capaz de acolher a diversidade, a complexidade e a singularidade dos sujeitos, sem reduzi-los a categorias ou diagnósticos. Ela também é capaz de criar um espaço de confiança, de respeito e de valorização dos sujeitos, onde eles possam se expressar livremente e se sentir reconhecidos e compreendidos. 

Ser escutado é, portanto, uma forma de cuidado que se baseia na ética, na alteridade e na criatividade. É uma forma de reconhecer o outro como um sujeito de desejo, de conflito e de potencialidade, e não como um objeto de manipulação, de controle ou de normatização. Sendo assim, a escuta psicanalítica é uma forma de promover a saúde mental, a autonomia e a emancipação dos sujeitos, respeitando as suas diferenças, as suas escolhas e as suas possibilidades. 

Portanto, a escuta exercida por um psicanalista é uma prática clínica que se mostra relevante e atual diante dos desafios da sociedade contemporânea, que exige dos sujeitos uma constante adaptação, uma intensa produtividade e uma incessante busca por felicidade. Ela oferece aos sujeitos um espaço de reflexão, de questionamento e de transformação, onde eles podem se reconhecer como seres humanos complexos, contraditórios e singulares, e não como meros produtos ou consumidores. Ela é uma forma de resistir à alienação, à padronização e à banalização da vida, e de afirmar a liberdade, a diversidade e a criatividade dos sujeitos.

 

Daniel Lima, psicanalista. 

www.psicanalisedaniellima.blogspot.com

 daniellimagoncalves.pe@gmail.com

@daniellima.pe