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Pernambuco, 06 de abril de 2024

Agronegócios

O que representa um restaurante escolar

Desde quando cheguei em Serra Talhada, depois de ter trabalhado aqui em várias ocasiões, por vários anos, encontrei o restaurante da UFRPE-UAST construído mas com a informação de que não operava porque não havia  recursos para compra de móveis e equipamentos. Em uma iniciativa louvável, a direção do Campus incentivou a participação,   com   iniciativa do Deputado Túlio Gadelha, que  passou a distribuir suas emendas a partir de maior número de adesão.

Postado em 21/03/2024 2024 19:58 , Agronegócios. Atualizado em 21/03/2024 20:45

Colunista

 

 

O perfil do aluno universitário nas instituições de ensino no semiárido

Tenho comentado em colunas anteriores a importância da expansão do ensino superior público, no interior do Brasil e, em particular no Semiárido. São milhares de jovens vendo o sonho dos pais e familiares e suas aspirações sendo realizadas. Garotas e garotos que saem da roça ou de cidades que, jocosamente, até bem pouco tempo eram conhecidas como os grotões do Brasil. Em todas as profissões se encontram jovens talentos, como nas letras, nas ciências, nas engenharias e na saúde. Algo impensável e ao mesmo tempo que acende uma corrente de esperança para a região. Não é demérito se dizer que noventa por cento desses jovens são de origem humilde e que mesmo tendo a oportunidade de ingressarem em uma escola gratuita, muitos deles podem  contar com alguma ajuda ou bolsa de estudo, mas muitos ainda têm dificuldade em se manter. Há um caso emblemático em que testemunhei há pouco tempo um diálogo entre três estudantes que pegaram uma carona em que uma jovem explicava para os demais como conseguia sobreviver com trezentos e trinta reais por mês. Algo inimaginável para nossos filhos, a classe média, ou aqueles que estão no andar de cima. Esta estudante encontrava-se nos semestres finais de um curso de engenharia.

A dificuldade em se contar com uma boa alimentação

Desde quando cheguei em Serra Talhada, depois de ter trabalhado aqui em várias ocasiões, por vários anos, encontrei o restaurante da UFRPE-UAST construído mas com a informação de que não operava porque não havia  recursos para compra de móveis e equipamentos. Em uma iniciativa louvável, a direção do Campus incentivou a participação,   com   iniciativa do Deputado Túlio Gadelha, que  passou a distribuir suas emendas a partir de maior número de adesão. Assim, o restaurante foi contemplado e em outubro de 2023 suas operações foram iniciadas. Teve uma adesão imediata. Os estudantes que não contavam com dinheiro suficiente para almoçar na cantina ou ter que retornar à residência para preparar o almoço, viram que não precisavam estar distantes do Campus e poderiam chegar para as aulas, almoçar, realizar atividades didáticas ou de pesquisa durante a tarde, jantar e fechar o dia de trabalho.

A chegada do restaurante universitário

Não tenho dados que embasem esta alegação, mas o desempenho desses jovens cresceu a partir de uma alimentação nutricionalmente equilibrada. O fato é que a instalação desse provedor de uma alimentação a baixo custo foi um grande ganho para a comunidade estudantil, como também para os professores e funcionários, que têm como opção se fazerem presentes no ambiente de trabalho.

Os resultados são visíveis

Em se constatando um resultado tão marcante e esperado de uma emenda parlamentar, supõe-se que muitas outras poderiam ter uma destinação mais louvável e, poderia deixar a dica para que as bancadas federais na câmara e no senado procurassem dedicar suas emendas a investimentos dessa natureza. Beneficiando o coletivo e acelerando o aprendizado de quem está em busca de uma ascensão cultural, social e financeira. Com certeza ainda são várias escolas que talvez necessitem de uma atenção seja para o restaurante, no transporte ou nas instalações físicas, de modo geral.

É importante notar que há uma engrenagem em funcionamento no sentido virtuoso. Mas, lembrando de um ditado americano muito utilizado por alguns, não há almoço gratuito. Aí chega à sensibilidade dos jovens estudantes. Não é à toa que temos nossos campi, seja de universidades e institutos federais em dezenas de municípios de Pernambuco. Também não é obra do acaso a existência de programas de financiamento a estudantes pobres que cursam escolas privadas. Neste sentido gostaria de deixar um alerta aqueles que estão sendo beneficiários da oportunidade para que façam o melhor. Não há justificativa alguma para que a sociedade receba de volta um aluno que não saia de casa todos os dias imaginando que retornaria com uma maior bagagem intelectual e humana.

Seja na Amazônia, no Centro-oeste ou no Nordeste é de se esperar que após a conclusão de seus cursos essa juventude seja portadora da energia, da inteligência e da garra que provoque as mudanças definitivas que o Semiárido espera. Houve um investimento nada desprezível, agora cabe a vocês não retornarem ao seio familiar apenas com o diploma, mas como exemplos realizados dos sonhos desses pais que fizeram o melhor que podiam pela educação de cada um.

O que isto a ver com o desenvolvimento regional?

Tudo. Uma situação é se contar com portadores de certificados ou diplomas que não passam de uma formalidade e serão na maioria dos casos empurrados para empregos de menor qualidade que  não remuneram como devido. O outro caso é poder ter a certeza de que os egressos dessas escolas estejam qualificados para demonstrarem que são mulheres e homens prontos a assumirem o desafio que está à frente. Que estão aptos a aproveitarem as oportunidades e que, não é heresia ou grosseria dizer que devem ser profissionais qualificados mas também prósperos. Vejam que não fiz referência alguma à merenda escolar no ensino básico e intermediário. Esta é uma outra saga que merece um texto exclusivo.