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Pernambuco, 13 de julho de 2024

Políticas Públicas Em Ação

Tá lá o corpo estendido no chão!

Pernambuco também sofreu com 22.649 casos de violência doméstica, o que significa uma taxa de quase 250 ocorrências por 100 mil habitantes. Cabrobó (589,09), Afogados da Ingazeira (483,73) e Salgueiro (456,11) destacam-se como especialmente perigosas para as mulheres.

Postado em 12/06/2024 2024 18:14 , Políticas Públicas Em Ação. Atualizado em 12/06/2024 12:38

O bordão que dá nome a este texto foi popularizado por Januário de Oliveira e aparece na abertura da música “De Frente para o Crime” de João Bosco. De acordo com dados oficiais da Secretaria de Segurança Pública de Pernambuco (SDS-PE), entre janeiro e maio de 2024, foram contabilizadas 1.577 mortes violentas intencionais, resultando em uma taxa de 17,34 óbitos por 100 mil habitantes. Essa estimativa coloca o estado no mesmo nível que a Guatemala, país internacionalmente conhecido por seus elevados índices de violência. Entre as cidades da Região Metropolitana do Recife, Itamaracá (44,18), Cabo de Santo Agostinho (37,39) e Moreno (36,30) lideram o ranking de homicídios.

Quando se trata de crimes contra o patrimônio, como roubo, extorsão mediante sequestro e roubo com restrição da liberdade da vítima, foram registradas 18.972 ocorrências no mesmo período, equivalendo a uma taxa de 208 crimes por 100 mil habitantes. Recife (516,33), Olinda (434,95) e Agrestina (309,28) exibem as maiores taxas desses crimes.

Pernambuco também sofreu com 22.649 casos de violência doméstica, o que significa uma taxa de quase 250 ocorrências por 100 mil habitantes. Cabrobó (589,09), Afogados da Ingazeira (483,73) e Salgueiro (456,11) destacam-se como especialmente perigosas para as mulheres.

Por fim, em relação aos óbitos no trânsito, Terezinha (77,13), Brejão (54,88) e Taquaritinga do Norte (36,42) conservam os níveis mais elevados. Foram 699 vidas ceifadas em cinco meses, uma média de 140 óbitos por mês, resultando em uma taxa de 7,69 mortes por 100 mil habitantes. Uma parte significativa destes incidentes fatais está vinculada a explosão do uso de motocicletas.

Provavelmente o leitor já está cansado de ver números e taxas de criminalidade. Mas isso foi intencional. Esses dados evidenciam um cenário alarmante de violência e sensação de insegurança em Pernambuco, com altas taxas de homicídios, crimes contra o patrimônio, violência doméstica e óbitos no trânsito comparáveis a alguns dos contextos mais brutais do mundo. Uma verdadeira banalização da morte. Este panorama exige uma resposta urgente por parte das autoridades.

Thomas Hobbes, que ficou famoso pelo bordão de que “o homem é lobo do homem”, afirmou que a vida no estado de natureza – na ausência do Estado – é solitária, miserável, sórdida, brutal e curta. Somente com auxílio de intervenções baseadas em evidências poderemos reduzir significativamente as taxas de violência e garantir um ambiente onde os pernambucanos e pernambucanas possam viver com dignidade e segurança. Políticas públicas salvam vidas!

 

[1] Professor Associado do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco e Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da UFPE.

[2] Professor Titular do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco e Coordenador do Mestrado Profissional em Políticas Públicas da UFPE.

Dalson Figueiredo (dalson.figueiredofo@ufpe.br)[1]

Ernani Carvalho (ernani.carvalho@ufpe.br)[2]