
O “rolo compressor” de Dudu da Fonte e o “quebra-cabeça” de Raquel Lyra
Adriano Roberto trata do assunto do momento. A briga pela vaga ao Senado no União Proguessista, entre PP e União Brasil. DaFonte e Coelhos
Postado em 01/07/2026 07:26

A pré-campanha política de Pernambuco ganhou contornos de alta voltagem com o movimento cirúrgico – e barulhento – liderado pelo deputado federal Eduardo da Fonte (PP). O que muitos já esperavam nos bastidores se concretizou em uma votação na Federação União Progressista (PP e União Brasil): Dudu carimbou seu nome como pré-candidato ao Senado na chapa majoritária da governadora Raquel Lyra (PSD). O gesto, contudo, passou longe de ser pacífico e abriu uma crise interna que promete ecoar até Brasília.
A Força do PP Contra o Recado de Rueda
Ao usar a maioria da bancada para aprovar seu nome por cinco votos, Dudu da Fonte atropelou o freio de mão tentado pela Executiva Nacional. Antes mesmo da reunião terminar, o presidente nacional da federação, Antônio de Rueda, emitiu uma nota oficial dura, alertando que qualquer deliberação local sobre o Senado não teria validade. A ala do União Brasil, liderada no estado por Miguel Coelho, compareceu ao encontro, mas se absteve de votar, deixando claro que o partido não reconhece o resultado e vai brigar pela vaga nas convenções nacionais.
O Dilema no Sertão: Guilherme e Miguel Coelho
Esse movimento joga uma fumaça densa sobre o jogo político do Sertão do São Francisco, especialmente em Petrolina. Miguel Coelho (União Brasil) mantém sua pré-candidatura firme ao Senado, ignorando o rolo compressor de Dudu, e conta com o peso do clã político liderado pelo ex-senador Fernando Bezerra Coelho.
No meio desse fogo cruzado, fica Guilherme Coelho. Homem forte da fruticultura no Vale, Guilherme, que está agora no partido da governadora (PSD), assiste tudo na expectativa de que de tudo certo entre seu clã, Raquel e as forças políticas locais da sua própria região. A grande indagação que circula nos bastidores é: até onde vai a corda dessa federação antes de arrebentar?
O Silêncio Estratégico de Raquel Lyra
Enquanto o parquinho do PP e do União Brasil pega fogo, a governadora Raquel Lyra assiste a tudo de camarote, mantendo seu tradicional estilo fleumático e enigmático. Raquel sabe que tem duas vagas valiosíssimas para o Senado em sua chapa, mas o número de pretendentes não para de crescer.
Fechar com Dudu da Fonte garante a Raquel o robusto tempo de TV e a capilaridade do PP, mas ao custo de criar uma fratura exposta com o União Brasil dos Coelho que, inclusive, ventila a indicação de Antônio Coelho para a vice-governadoria como moeda de troca.
Para complicar ainda mais o quebra-cabeça da governadora, a disputa pela segunda vaga ferve dentro do seu próprio partido, o PSD:
Bastidor
A antecipação de Eduardo da Fonte não foi um ato de impulsividade; foi um movimento calculado para forçar o Palácio do Campo das Princesas a sentar à mesa de negociações com o PP em posição de clara vantagem. Ao cravar o nome na ata local, Dudu avisa ao mercado que não aceitará o papel de coadjuvante. Resta saber se Raquel Lyra vai ceder à pressão do rolo compressor ou se usará o tempo a seu favor para ditar, ela mesma, o ritmo do jogo. O inverno político em Pernambuco começou com a temperatura máxima. Mas, como disse antes, passado o São João, ainda tem as férias das crianças.
A Conexão Brasília Pernambuco quer saber: Raquel vai mesmo deixar para o último minuto da prorrogação para escolher seus dois senadores?