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Pernambuco, 02 de julho de 2026

Economia

Plano Safra da Agricultura Familiar traz R$ 97,3 bi e juros mais baixos

Pacote anunciado em Brasília amplia crédito do Pronaf, reduz taxas para produção de alimentos básicos e destina R$ 413,4 milhões só para adaptação climática no Semiárido

Postado em 02/07/2026 10:09

Agência Brasil

O governo federal lançou, nesta terça-feira (30/6), no Palácio do Planalto, o Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027, com um pacote recorde de R$ 97,3 bilhões em crédito, seguro agrícola, compras públicas e assistência técnica voltados para quem vive da terra em pequena escala. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.

Para quem acompanha o dia a dia do Sertão, um dado chama atenção: segundo o próprio governo, o novo pacote deve beneficiar especialmente o Nordeste, região que concentra uma das maiores fatias da agricultura familiar do país. Não é uma promessa qualquer — o plano reserva instrumentos específicos para lidar com o problema que mais aflige o agricultor sertanejo: a seca.

Onde vai o dinheiro

Do total anunciado, R$ 85,2 bilhões serão destinados ao Pronaf — o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, principal linha de financiamento do setor —, um crescimento de quase 9% em relação à safra anterior. O governo afirma que, nas últimas três safras, mais de 2,4 milhões de agricultoras e agricultores familiares já foram atendidos com crédito a juros reduzidos.

Juros mais baixos para quem produz comida

A principal mudança prática para quem financia a lavoura é a queda nas taxas de juros:

  • Produção de alimentos básicos (arroz, feijão, mandioca, frutas, hortaliças, leite): taxa cai de 3% para 2% ao ano.
  • Produção orgânica e da sociobiodiversidade: taxa cai de 2% para 1% ao ano.

Pronaf B: o microcrédito rural fica maior

O Pronaf B — linha voltada aos agricultores de menor renda — teve os limites ampliados:

  • Limite de crédito por família: de R$ 53 mil para R$ 74 mil.
  • Renda anual máxima para acessar a linha: de R$ 50 mil para R$ 60 mil.
  • Juros seguem em 0,5% ao ano, com até 3 anos para pagar e desconto de até 40% para quem paga em dia.

Assentados, povos indígenas e comunidades quilombolas também ganharam reforço: limite de crédito subiu de R$ 50 mil para R$ 55 mil, e a assistência técnica passou de R$ 2,5 mil para R$ 3 mil por família — mantidos os mesmos juros de 0,5% ao ano e o bônus de 40% por pontualidade.

Mulheres e jovens do campo ganham condições especiais

As mulheres rurais tiveram os juros do Pronaf Investimento reduzidos de 3% para 2% ao ano, com limite de até R$ 100 mil. No Pronaf B, além dos R$ 20 mil já previstos para o programa “Quintais Produtivos”, elas passam a contar com uma nova linha de custeio de R$ 8 mil e podem acessar até R$ 28 mil pelo microcrédito de limite próprio. Segundo o governo, as mulheres já respondem por mais da metade dos contratos de microcrédito rural do país.

Para os jovens, o limite de financiamento quando dois integrantes da mesma família acessam o crédito juntos dobrou: de R$ 8 mil para R$ 16 mil. Já no Pronaf Jovem, o teto de investimento subiu de R$ 35 mil para R$ 50 mil, com juros caindo de 3% para 2% ao ano.

Casa própria e reforma de moradia no campo

O plano também financia melhorias habitacionais: até R$ 10 mil para reforma de moradia e instalações sanitárias, com juros de 0,5% ao ano e cinco anos para pagar. Para a compra de imóvel rural, quem tem renda de até R$ 150 mil por ano viu a taxa cair de 8% para 5% ao ano; famílias com renda de até R$ 500 mil passam a acessar até R$ 150 mil com juros de 7,5% ao ano.

Máquinas, irrigação e o item que mais interessa ao Sertão: adaptação à seca

O financiamento de máquinas teve juros reduzidos de 2,5% para 1,5% ao ano, com limite subindo de R$ 100 mil para R$ 120 mil. Já investimentos em irrigação, cultivo protegido, armazenagem, resfriamento de leite, ordenhadeiras, aquicultura, pesca e conectividade no campo passam a ter juros de 2% ao ano.

E aqui está o ponto que mais deveria interessar ao leitor do Sertão: diante do El Niño já em curso, o governo confirmou que o Pronaf mantém uma linha específica de adaptação climática para o Norte e o Nordeste, voltada a ajudar o produtor a conviver com as secas. Some-se a isso um edital de R$ 413,4 milhões destinado exclusivamente à adaptação climática no Semiárido — serão R$ 8 mil por família, beneficiando 60 mil famílias, com assistência técnica e formação incluídas. O produtor sertanejo ainda pode contar com o Proagro, seguro obrigatório para quem contrata o Pronaf, e com o Garantia-Safra, programa historicamente voltado às propriedades do Semiárido para cobrir perdas por estiagem.

E o outro lado do agro: o Plano Safra empresarial

Na mesma terça-feira, pela manhã, o governo também lançou o Plano Safra para a agricultura empresarial — o principal programa federal de estímulo ao agronegócio de grande porte —, com R$ 525,1 bilhões para o próximo ano agrícola. Desse montante, R$ 384,9 bilhões vão para custeio (insumos, manutenção de lavouras e rebanhos, comercialização) e R$ 140,2 bilhões para investimentos em modernização, armazenagem, irrigação e renovação de máquinas.

Por que isso importa

Para o agricultor familiar do Sertão, a leitura prática do anúncio é direta: crédito mais barato para produzir comida, mais dinheiro disponível no microcrédito rural, e — pela primeira vez com tanta clareza — um pacote específico de apoio financeiro para enfrentar a seca, justamente no momento em que as previsões climáticas apontam para um novo ciclo de El Niño de intensidade elevada. Resta agora acompanhar se a execução no território vai acompanhar o tamanho do anúncio.