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Pernambuco, 29 de outubro de 2020

Cultura

A arte de ter razão

CULTURA

Postado em 13/08/2019 2019 23:18 , Cultura. Atualizado em 18/08/2019 17:58

 

WAGNER MIRANDA

Em tempos de incoerência e argumentações irracionais onde o óbvio precisa ser defendido

, precisamos estar atentos aos melindres de quem quer lhe convencer de qualquer ideia durante um diálogo ou conversa grupal. Segundo Karl Otto, “Como em qualquer disputa, em uma discussão, o que está em ação não é o desejo pela verdade, mas o desejo pelo poder”.  Aristóteles via na dialética uma forma honesta de confronto entre argumentos contraditórios, objetivando a verdade, mas infortunadamente temos hoje um costume adverso dessa ciência.

Reprodução Net.

A dialética Erística; que consiste no uso de técnicas para finalizar uma discussão dando a entender que saiu com a razão, “vitorioso”, está cada vez mais em prática tanto nos ambientes virtuais, quanto nos grupos sociais em geral.  Em 1831 o filósofo alemão Arthur Schopenhauer escreveu um excelente livro para identificar essas ferramentas injustas nos diálogos. “A Arte de ter Razão – 38 estratégias para vencer qualquer debate” é uma obra elucidativa muito interessante, disponível em pdf na internet e nas livrarias virtuais a baixo custo. Dentre essas estratégias, encontramos a técnica de mudar o foco do tema, apontando falhas do interlocutor sem ligação nenhuma ao que se trata a conversa. Há também o costume de citar qualquer “autoridade” no assunto para dar embasamento, além de dados e estatísticas sem nenhuma comprovação. Institutos de pesquisa, órgãos de fiscalização, cientistas famosos e até trechos da Bíblia são usados como argumentos infundados e premissas falsas de temas diversos. Outra forma muito comum é generalizar o que foi dito pelo oponente; se há alguém que cometeu algum erro grave na vida e que tenha alguma relação com o assunto em questão, será indubitavelmente usado pelo retórico erístico. Os principais motivos para isso tudo acontecer está na simples e pura ignorância no assunto; na falta de humildade em reconhecer erros ou quando há objetivos escusos de natureza maléfica no argumentador sem razão.  Recomendo a leitura integral do livro de Schopenhauer e principalmente o cultivo da paciência quando identificar o ataque, buscando a verdade, nunca a vitória.