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Pernambuco, 30 de abril de 2026

Cultura

Verdade Por Wagner Miranda

Esta semana Wagner Miranda fala sobre Sinceridade, aborda sua utilidade diante das circunstâncias, do momento e, da convenciêcia

Postado em 22/01/2021 11:02

Wagner Miranda Lima Escritor, músico, compositor e cineasta Fundador do grupo Matingueiros matingueiros@gmail.com

 

Sinceridade é bom? Tendemos naturalmente a dizer que sim, visto que representa verdade, contudo paradoxalmente sabemos que quando somos sempre sinceros podemos nos dar mal. Mentimos muitas vezes para não magoar quem consideramos ou simplesmente para evitar constrangimentos.

Aquela velha opinião solicitada que com certeza irá doer se for dita de forma verdadeira sai normalmente da boca dos conhecidos como ‘chatos’. Meu ex professor, o mestre Ariano Suassuna declarou que é uma falta de educação muito grande falar mal de alguém pela frente, já que constrange quem ouve e constrange quem fala, não custando nada esperar a pessoa sair para tal.

Um dos maiores historiadores de todos os tempos, Cornélio Tácito ocupou cargos políticos importantes na Roma antiga e ficou conhecido por ser um severo juiz de caráter das pessoas além de um fervoroso moralista, o que contraria absolutamente sua opinião sobre dizer sempre a verdade. Dizia que a sinceridade e a generosidade se não forem usadas com moderação levariam qualquer pessoa fatalmente à ruína.

Em tempos que a maioria das pessoas destilam sua sinceridade sem filtros através de um computador, pela mais notória rede social, o novo STF (Supremo Tribunal do Facebook) onde todos são “especialistas”, tudo pode ser dito sem receio já que retira o ônus da presença física. Mas de onde vem a palavra ‘sincero’ ? Curiosamente veio de Roma, já no primeiro século da era Cristã. O termo nasceu graças ao mal hábito de escultores desonestos que vendiam suas peças de mármore por encomenda ou no comércio aberto.

O fato é que esses artistas eram menos qualificados e ao esculpir suas peças não conseguiam impedir que aparecessem imperfeições no mármore, pequenos buracos que eram preenchidos com uma cera especial deixando esses defeitos escondidos, tanto é que um decreto do senado romano determinou que todas as esculturas deveriam ser sine cera (do latim, sem cera), ou seja, sem disfarces, verdadeira. Sincero é quem usa suas palavras sem a cera da mentira, assim como os antigos escultores honestos. E você é sincero? 

JS Cultura