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Pernambuco, 07 de março de 2021

Cidades

O Velho Chico precisa de cuidados especiais já!

Ambientalista Victor Flores explica as ações que são importantes para a revitalização do Rio São Francisco na margem de Petrolina. A exemplo do plantio de árvores nativas, soltura de alevinos e identificação de despejos de esgotos sem tratamento estão entre as iniciativas da cidade sertaneja.

Postado em 22/02/2021 2021 19:24 , Cidades. Atualizado em 22/02/2021 19:26

Jornalista , Editor Antônio José em Cidades


O Rio São Francisco, citado em versos, prosas, músicas, novelas e até no cinema vem, ao longo dos anos, sofrendo com a ação antrópica, a exemplo da destruição da mata ciliar, esgotos sendo despejados in natura, além do lixo descartado nas margens que acabam caindo nas águas formam um conjunto de problemas urbanos que aceleram a degradação do rio conhecido como o da Integração Nacional. Para falar das ações realizadas para revitalizar o Velho Chico, o Jornal do Sertão conversou com o ambientalista, Victor Flores, que atualmente atua como o diretor de projetos na Agência Municipal de Meio Ambiente (AMMA) de Petrolina-PE. 

Vilã na poluição do São Francisco?

ambientalista Victor Flores.

Por ser a maior cidade sertaneja, que prosperou por causa das águas do Rio, tornando-se referência do agronegócio, Petrolina já foi apontada como uma das principais causadoras da degradação do Velho Chico. No entanto, o ambientalista Victor Flores refutou essa máxima e explicou o porquê.   

“Um dos bioindicadores que, popularmente, as pessoas associam à poluição são as (plantas) macrófitas aquáticas, que são as baronesas e outras espécies que ficam nessa margem do rio. Elas são bioindicadores, mas não que a poluição venha só daqui. Segundo alguns artigos e pesquisas científicas de mestrado em universidades daqui do Vale do São Francisco, a poluição vem de vários locais e também vem da própria Barragem de Sobradinho. Sobre isso, Petrolina, como qualquer outra cidade ribeirinha, tem vários impactos em virtude de ações antrópicas no desenvolvimento da cidade”, ponderou Flores.

Baronesas no Rio. Foto: Prefeitura de petrolina

Ações em prol do São Francisco

De vilã à referência ambiental. Essa é a aposta da gestão municipal de Petrolina vem investindo em ações para revitalizar as margens do rio e melhorar a qualidade da água.  “Desde 2017, com o surgimento do Projeto Orla Nossa, nós temos vários índices que são favoráveis à recuperação, como a melhora da qualidade da água nesse trecho urbano. Com a oxigenação da água, a gente conseguiu melhor, significativamente, os parâmetros físico-químicos da água. Foi possível liberar 250 mil alevinos”, comemorou o ambientalista.

Soltura de alevinos. Foto: Prefeitura

A polêmica do despejo de esgotos sem tratamento

Apesar do município de Petrolina celebrar os 70% de esgotos sem tratamento que deixaram de ser despejados diretamente no rio, a maioria deles de origem clandestina, o ambientalista Victor Flores pontua que ainda há um grande trabalho a ser realizado. “A investigação tem várias dificuldades porque a cidade foi crescendo, foi edificando por cima dessas redes e trazendo vários transtornos. Mas o maior impacto e o maior problema que nós temos hoje a zerar é a falta de compromisso da Compesa em dar prioridade em construir redes para poder reforçar o saneamento nesses trechos mais antigos da cidade. Ela não direciona investimento, não só para rede coletora, mas deixa muito a desejar no sentido de recuperar esses trechos que já tem”, explicou Victor Flores.    

Revitalização da mata ciliar e a pesquisa que pode virar referência para outros municípios ribeirinhos

Através das ações realizadas através do Programa ‘Orla Nossa’, a gestão municipal garante que vai recuperar de 12 hectares da mata ciliar. Serão 7 mil plantas nativas da Caatinga como Ingazeira, Jatobá, Marizeiro e Caraibeira plantadas na margem do rio.  

A área em recuperação compreende toda região da Orla II e o trecho está completamente cercado para delimitar e proteger o local. Segundo a prefeitura, o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) já está 70% concluído, com a realização de ações de recuperação e correções do solo, como também o coveamento do trecho e a escavação do ramal central do sistema de irrigação. A previsão é que no próximo mês de março seja feito o plantio das árvores nativas.

Além disso, durante os próximos quatro anos será realizada uma pesquisa científica de acompanhamento do desenvolvimento das plantas. “A mata ciliar é como se fosse os cílios. É a proteção de todos os rios e riachos. A mata ciliar tem um papel fundamental na proteção do rio são Francisco, na garantia dos recursos hídricos. E, principalmente, essa etapa com os artigos científicos que serão desenvolvidos na pesquisa durante quatro anos, será fundamental para ser replicada em outros municípios e, até mesmo dentro de Petrolina, outros trechos que precisam ser revitalizados. Então a gente vai ter, essa melhoria da qualidade do solo e, consequentemente, da água nesse trecho. E também o fluxo de fauna onde a gente vai ter todo o habitat de volta para um equilibro ecológico no trecho”, finalizou o ambientalista.

JS Cidades